Com o fim dos principais estaduais do país, hora da Série A ser a competição nacional protagonista. Em 2013 será disputada a décima primeira edição da competição no regulamento de pontos corridos. Desde então, apenas uma vez o campeão não foi um time do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Tal façanha tem o Cruzeiro como responsável, em 2003, justamente o primeiro ano da regra nova, já não tão mais nova assim. Depois disso, seis títulos paulistas e três cariocas.
O domínio do eixo não ocorreu por causa dos pontos corridos. Engana-se quem pensa assim. Ele apenas ficou mais evidente em função da sequência atual, já que a soberania é quase total no período. Regredindo dez anos (1993 a 2002) foram oito títulos divididos entre Rio de Janeiro e São Paulo. Regredindo mais dez (1983 a 1992) percebemos mais sete ou oito títulos, depende se você considerar o Sport ou o Flamengo como vencedor em 1987. Então, numa conta rápida, são 24 ou 25 títulos de equipes do Rio de Janeiro ou de São Paulo nos 30 anos mais recentes da primeira divisão do futebol brasileiro, fruto do poder econômico da região que, infelizmente, tende a aumentar.
A edição de 2013 da Série A será uma ótima oportunidade para que um clube quebre essa hegemonia Rio-SP. Dos nove clubes que disputam a competição, cinco estão bem distantes do título: Ponte Preta, Portuguesa, Santos, Flamengo e Vasco. O São Paulo, apesar da folha salarial altíssima, hoje é zebra. Falta alma e ser menos macunaíma, além de um elenco melhor. Parece pronto para a disputa do oitavo lugar. O Botafogo, campeão carioca com folga e muito mérito, é um mistério. O Fluminense, campeão em duas das três mais recentes edições, está entre os postulantes ao título em função do ótimo elenco, mas favorito destacado realmente só o Corinthians, em função de ter um time titular forte, entrosado, reposição numerosa e equilibrada no elenco e comissão técnica competente. Além disso, está fora da Libertadores, atenção única ao Brasileirão, portanto.
Diante deste cenário, aparece o concorrente direto e mais forte. É o Atlético-MG, principal favorito ao título nacional. Antes de começar o campeonato, até mais do que o Corinthians. O motivo é um só: a equipe está jogando bem demais. Mas não é bem de vez em quando. É bem sempre e muitas vezes dando espetáculo porque a fase técnica dos jogadores é especial. Aliado a isso, a composição tática de Cuca deu certo no 4-2-3-1. Jô centralizado; Bernard e Tardelli pelos lados, velozes e trocando de posição; Ronaldinho pelo meio com liberdade e talento; Pierre protegendo a zaga ao lado de Leandro Donizete, bem na saída de bola; Rever e Leonardo Silva precisos e Victor seguro. Restrições aos laterais apenas e, ainda assim, poucas, em função do nível na posição no Brasil ser o pior em muitos anos.
Os outros concorrentes, Cruzeiro, Grêmio e Inter, possuem elencos bons, mas precisam superar dúvidas pertinentes. O interessante futebol do Cruzeiro em Minas vai funcionar contra equipes mais fortes? Quem será o comandante técnico do Grêmio? Dunga está pronto para guiar o Inter e um elenco pouco mudado em relação ao decepcionante Brasileirão 2012? Já os outros sete participantes, Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Criciúma, Goiás, Náutico e Vitória, não guardam chances reais de título.
É relevante lembrar que a Série A terá um calendário com muitos problemas e bem mais apertado, com muitas semanas com partidas no meio de semana. A Copa das Confederações vai desfalcar times, interromper o campeonato por quase um mês, de nove de junho a sete de julho. Além disso, já se sabe, o São Paulo vai ter jogos adiados para participar de amistosos na Europa e um jogo oficial, a Copa Suruga, dia 7 de agosto, contra o Kashima Antlers, no Japão.
Outra lembrança fundamental: favoritismo não é sinônimo de sucesso garantido, é apenas sinal de caminho aberto.