12 de Junho

por @FChiorino

Eu era só um moleque. Gordinho, baixinho e que se virava bem nas aulas de história. Todo mundo na escola sabia que eu não tirava os olhos de você. E como essa obsessão não era correspondida, virei alvo de gozação dos amigos do ginásio. Até mesmo alguns professores não evitavam a piada.

Mas aí se aproximava o feriado, a viagem com a família para o interior e eu poderia fingir que aquele Dia dos Namorados não tinha importância alguma. Mas como disfarçar aquilo que faz você perder o sono por noites seguidas. A imaginar que o encontro perfeito estava prestes a acontecer.

Uma semana antes, nos esbarramos e por alguns segundos pensei que havia sido proposital da sua parte. Mas logo surgiu outra pessoa agachada ao chão, fazendo grunhidos assustadores, rindo da minha ingenuidade. Voltei pra casa e fiquei ensaiando no espelho: “vai ter volta, vai ter volta, vai ter volta”.

E lá fui eu pela estrada. Carregava no bolso da calça uma foto sua, toda colorida. Dia 10. Dia 11. Dia 12. O calendário arrotando na minha cara. Lamente, seu perdedor. Sozinho, desamparado, colecionador de fracassos. Não havia alternativa. Deixei de lado as estúpidas gincanas juvenis e me postei na frente da TV num puro movimento masoquista.

Em meio a vultos verdes e brancos, você apareceu. Com 11 anos de idade, a minha vida dependia daquilo. Euforia, raiva, ceticismo, reza. Demonstrações desesperadas de quem tentava domar o amor como uma prova de geometria. Aí alguém soltou a voz e, logo depois, saí em disparada. Uma corrida sem rumo, até ter a convicção de que não havia ninguém por perto. E segurei o choro porque homem não chora, menino muito menos. Ou melhor, chorei escondido. Naquele 12 de junho de 1993, depois de tanta espera, você resolveu me dar bola.

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Jornalista, 31 anos. Considera a Javari o santuário do futebol. Introdutor do curling caseiro no Brasil.
Twitter: @fchiorino
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2 Palpites

  1. Curioso, me lembro muito bem desse feriadão com Dia dos Namorados, há 19 anos… Estava viajando com amigos, entre eles o Diogo Salles, e assistimos atentos à final do Paulistão. Para nós, que não torcíamos para os times envolvidos na final, ficava a (incômoda) certeza de que estava nascendo um Palmeiras que ganharia muitos títulos nos campeonatos que viriam… Não deu outra. Abraços.

  2. Saudades, Palmeiras.

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