Não é a toa que o sucesso dos tenistas brasileiros depende unicamente do talento deles próprios, sem que tirem uma única vantagem do modelo de trabalho que aqui está implantado – ou talvez o problema seja que não há nenhum modelo implantado. Foi assim com Guga, está sendo com Bellucci e será com a próxima geração.
Quando cheguei ao mundo do tênis, ouvi dizer que os grandes problemas eram a falta de união, excesso de egos inflados e pouquíssima transparência. Os sorrisos e tapinhas nas costas não são o que parecem, me diziam. E não demorou a perceber que alguns jogadores, treinadores e ex-atletas são mesmo muito diferentes daquilo que parecem quando as câmeras estão ligadas. Se serve como alento, que bom!, Guga, o principal, não é um deles.
No ano passado, quando a CBT decidiu investir no espanhol Emilio Sanchez como coordenador do tênis nacional (aliás, furo do Esporte Fino), muito se falou que era hora de treinadores, dirigentes e ex-jogadores se unirem em torno de um projeto comum. Agora, dá para ver que aquela esperança não passou de um espasmo.
Nas últimas semanas, Fernando Meligeni usou seu Blog para disparar contra Jorge Lacerda Rosa, presidente da Confederação. Chegou a dar alfinetadas, tratando do suposto alto salário de Sanchez. Lacerda Rosa respondeu pesado, Meligeni teve a sua tréplica. E eis que, nesta sexta-feira, Emilio mostrou as caras: enviou email para a imprensa com uma longa carta relatando sua decepção com a guerra no tênis nacional e a falta de apoio das principais personagens do nosso esporte. Meligeni foi rebatido nominalmente.
Confira abaixo trechos publicados da carta do espanhol por Tenisbrasil. A coisa realmente está feia. E não melhorou nada com a decisão de tornar pública a lavação de roupa suja.
“Duas semanas atrás escrevi um artigo para a Revista Tennis View, mas um dia antes de enviar o texto para sua publicação, escutei que Fernando Meligeni fez duras acusações ao presidente da Confederação, reivindicando que Jorge Lacerda deveria dar explicações sobre em que gastava o dinheiro da CBT… que estava acontecendo o mesmo que com a gestão anterior e deixou claro que estava muito preocupado sobre o salário que pagavam pelo meu trabalho. No dia seguinte, Thomaz Koch, Nelson Aerts e Ricardo Acioly se uniram às críticas. Comprendo que as pessoas que não fazem parte do projeto falem, mas as críticas de Acioly me surprenderam bastante porque duas semanas atrás chegamos a um acordo que seu centro de treinamento seria um dos centros regionais, seu jogador (Feijão) receberia o dobro de ajuda financeira e outro jogador seu entraria no grupo de jogadores que recebem apoio da CBT. O próprio Acioly seria um dos treinadores que apoiariam os jogadores brasileiros no circuito.
“Naquele artigo à revista, eu falava sobre a boa energia que se estava criando, do otimismo e das boas expectativas, mas depois destas declarações decidi não publicar o artigo. Não tinha sentido divulgar que se estava ganhando credibilidade no nosso projeto se alguns nomes importantes do tênis brasileiro diziam o contrário. Então me perguntei: O que nós da CBT devemos fazer? E a filosofia de trabalho que estamos seguindo desde o primeiro dia que entrei? Dei-me conta da resposta: “Dar um ótimo serviço e unir toda a comunidade tenística brasileira”. Vamos seguir nessa linha de trabalho que está começando a ter resultados e continuar melhorando. Uma pena que agora que estão aparecendo as melhorias para o tênis brasileiro há pessoas que preferem seguir criticando e criando discórdia, optando por estar do outro lado da mesa… Acima de tudo deve-se haver um espírito de união entre todos, que é o que a gente esta incentivando que aconteça.
“Aceito as criticas, compreendo que tem gente que se incomoda por ter um estrangeiro dizendo o que se deve fazer com o tênis deste país, também que pensem que tem gente que poderia fazer melhor. Mesmo assim, continuo feliz… a CBT está mudando, é uma empresa séria, fez auditoria, gera recursos próprios e que esperemos que seja rentável em breve… com o objetivo principal de ser o país número 1 no tênis sul-americano e ser competitivo com as melhores escolas do tênis mundial.
“Por último, quero fazer referência à preocupação de Fernando (Meligeni) sobre o salário pago pela CBT pelo meu trabalho. Não seria mais importante que ele estivesse preocupado com o tênis brasileiro? Não deveria perguntar em que eu tenho ajudado? Se sou necessário? … Me preocupei que a CBT não tivesse gastos comigo. Eu não estarei tranqüilo até que todos os envolvidos com o tênis brasileiro estejam unidos”.