Do fundo do baú para abril, 2010

A disputa entre Bayern de Munique e Internazionale, em 22 de maio, é também uma disputa pessoal entre Louis van Gaal e José Mourinho. Quem vencer, escreverá seu nome na história de forma brilhante.

Até hoje, o inglês Bob Paisley é o único técnico com três títulos da Champions League, todos ganhos pelo Liverpool. Outros 15 técnicos estão na lista com dois títulos e Van Gaal e Mourinho aparecem ao lado de muitos outros, com uma única conquista.

Chegar ao bi será especial para Van Gaal ou Mourinho, mas um deles fará parte de uma importante lista tríplice ao fim do jogo. Dessa lista fazem parte o austríaco Ernst Happel e o alemão Ottmar Hitzfeld, os únicos que foram campeões por dois times diferentes – o primeiro por Feyenoord (70) e Hamburgo (83) e o segundo por Borussia Dortmund (97) e Bayern (2001).

Ganhar a Champions por clubes diferentes mostra que o treinador não está preso a um único sistema de trabalho e que tem a capacidade de se adaptar, característica muito valiosa no futebol europeu. Para Mourinho, ver seu nome na lista representaria uma turbinada importante na carreira, que levaria seu nome a voos ainda mais altos. Para Van Gaal, seria um sopro de renovação que faria dirigentes espanhóis, ingleses e italianos pensarem em seu nome.

No Santiago Bernabeu, será interessante acompanhar a atuação dos dois e de seus enormes egos. Um dos dois sairá ainda mais inflado do estádio do Real Madrid.

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Os Alvirrubros do Vicente Calderón e os Alvinegros do Parque São Jorge têm em comum o fato de já terem conquistado o Mundial sem levantar o principal torneio continental que disputam.

Como todos sabem, o Corinthians foi – com justiça – o primeiro campeão do Mundial da Fifa ao bater o Vasco, no Maracanã, há 10 anos.

O Timão, porém, não disputou aquela competição por ser campeão da Libertadores, e sim por ser o campeão nacional do país sede. Aliás, o Corinthians foi bi em 1998/99.

Já o Atlético de Madrid conquistou o Mundial em 1974, quando a taça era disputada no sistema de ida e volta. O rival foi o argentino Independiente, que venceu por 1 a 0 em Avellaneda, mas perdeu por 2 a 0 em Madri.

O Atlético, no entanto, era o atual vice-campeão da Champions League. O time espanhol perdeu a decisão para o Bayern de Munique. Os alemães, como foi costume em meados dos anos 70, abriram mão da disputa da Taça Intercontinental (como era chamado o Mundial).

Vale lembrar que o Atlético tem um título continental em suas prateleiras. Trata-se da extinta Recopa, conquistada em 1962.

Este ano, alvinegros e alvirrubros estão na disputa de títulos importantes. O Corinthians precisa reverter a derrota pra o Flamengo para ir às quartas de final da Libertadores. Já o Atlético decide o título da Liga Europa contra o Fulham, a surpresa inglesa.

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Há na internet milhares de vídeos com gols perdidos de forma inacreditável. A concorrência é enorme, mas Kei Kamara, de Serra Leoa, pode se orgulhar de ser protagonista de um momento histórico do futebol. Jamais houve algo parecido.

No último fim de semana, pela Major League Soccer, o atacante do Kansas City Wizards teve a chance de fazer o gol da vitória contra o Los Angeles Galaxy. A bola estava ali, em cima da linha, esperando apenas um empurrãozinho. Mas Kamara queimou seu filme mundialmente ao evitar o gol de sua equipe.

“Eu realmente mas não consigo explicar direito o que aconteceu”, afirmou o jogador. O jogo terminou empatado por 0 a 0. O Kansas City é vice-líder da Conferência Leste, enquanto o Galaxy lidera no Oeste.

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Anticristo

O diretor dinamarquês Lars von Trier foi indicado oito vezes à Palma de Ouro do Festival de Cannes. Venceu em 2000, por Dançando no Escuro. No ano passado, concorreu com Anticristo, um suspense ao seu gosto, com um violento trabalho psicológico dos personagens. Grosso modo, o longa mostra um homem que, para curar problemas de sua mulher, a expõe de forma cruel ao seu maior trauma.

O Corinthians viverá na próxima quarta-feira, no Pacaembu, sua noite de Lars Von Trier. Será exposto ao seu mais violento trauma. Nada na vida alvinegra é pior do que jamais ter vencido a Copa Libertadores. A equipe é a maior das campeãs paulistas, quatro vezes campeã brasileira, orgulha-se até de um título mundial. Mas jamais venceu a competição mais importante do continente.

A falta da taça da Libertadores em sua sala de troféus é uma ferida aberta na história alvinegra. E voltou a doer na noite de quarta-feira, quando o Flamengo conseguiu a vitória por 1 a 0 no jogo de ida pelas oitavas de final. O corintiano, invicto até então, dono da melhor campanha na primeira fase, se lembrou das humilhações que sofreu no passado. Das doloridas derrotas para o Palmeiras e para o Boca Juniors, da eliminação quase trágica para o River Plate.

Desde que venceu a Copa do Brasil de 2009, o Corinthians passou a trabalhar com apenas um objetivo: vencer a Libertadores no ano de seu centenário. Torcida, time e técnico se comportaram com indiferença no Brasileirão. Ninguém queria pensar no que seria outra eliminação. A ponto de fazer tremer até mesmo Andrés Sanchez, que implorou ao torcedor para que não visse o título como obrigação.

O Corinthians tem ainda uma enorme possibilidade de eliminar o Flamengo. Na pior das hipóteses, precisa vencer por 1 a 0 e levar a decisão para os pênaltis. Por outro lado, não há corintiano que não pense que, se o time levar apenas um gol, terá de fazer três. Os piores fantasmas alvinegros voltaram a assombrar a sua torcida. Exposto ao seu trauma, reagirá de que forma na quarta-feira? Lars von Trier talvez pudesse explicar em um filme. Um filme de final incerto.

Na foto, Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, o casal que interpreta os protagonistas do suspense psicológico Anticristo.

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Neste ano, o 55º de Champions League, Itália e Alemanha vão se encontrar, por meio Internazionale e Bayern de Munique, na final da competição. Em 54 anos de história, está será apenas a terceira vez que isso ocorre.

O número é bem pequeno se levarmos em conta que Itália e Alemanha são as duas maiores potências do futebol europeu, ainda que, em termos clubísticos, a Espanha e a Inglaterra superem os alemães. Nas duas oportunidades anteriores, a Juventus foi a representante da Itália, e em ambas se deu mal.

Na temporada 1982/83, a Juve era um esquadrão. Treinada por Giovanni Trapattoni, tinha seis titulares da Azzurra que venceu a Copa um ano antes (Zoff, Gentile, Scirea, Cabrini, Tardelli e Paolo Rossi), Platini e Boniek. Mesmo assim, foi derrotada pelo Hamburgo do técnico Ernst Happel (que dá nome ao estádio da final da Euro-2008), com um gol de Felix Magath, hoje treinador do Schalke 04.

Em 96/97, a Juventus era a atual campeã e se dava ao luxo de ter Del Piero no banco, pois os titulares do meio para frente eram Zidane, Boksic e Vieri. Na decisão, em Munique, o time de Kohler, Sammer e Moller venceu por 3 a 1, com dois gols de Riedle e um de Ricken (Del Piero diminuiu de letra).

Desta vez, a Internazionale com jogadores como Júlio César, Lúcio, Cambiasso, Sneijder, Eto’o e Milito, parece ser uma equipe melhor, como a Juventus parecia ser nas duas oportunidades anteriores. Mas o Bayern tem Robben, um dos jogadores em melhor fase na atualidade.

Confira abaixo os melhores momentos das duas finais entre Itália e Alemanha na Champions:

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Algo me diz que Dunga está feliz da vida. O pragmatismo da Internazionale superou com méritos a criatividade do Barcelona na série semifinal da Champions League. O time do enlouquecido português José Mourinho vai à decisão contra o Bayern, do maluco Louis van Gaal.

Não, este não será um texto mal-humorado. Acho até bonito ver jogar um time que realmente sabe se defender. E a Inter deu uma aula, tanto no Giuseppe Meazza quanto no Camp Nou.

A boa colocação e a frieza dos nerazzurri, mesmo com dez em campo, fizeram com que Messi e cia. sucumbissem à entrada da área.

O argentino chegou a dar um passe de gênio para Bojan no segundo tempo, mas o garoto errou uma cabeçada que parecia fácil. Coube ao zagueiro Piqué mostrar a frieza que faltou ao Barça na etapa final e marcar um golaço.

Se Dunga há de estar contente com Júlio César, Lúcio e Maicon, deve ter ficado meio cabreiro com Daniel Alves que, a despeito da boa fase, jogou mal hoje.

Bicampeã da Champions League (então Copa dos Campeões) em 1964/65 e vice em 67 e 72, a Internazionale chega à sua quinta decisão. E com pinta de favorita.

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O Esporte Fino, em parceria com a Abril Coleções, vai dar a um internauta a coleção de DVDs com documentários da Fifa sobre todas as Copas do Mundo.

Para participar, o blog propõe um desafio à criatividade de seus visitantes. Em no máximo 100 caracteres, incluindo espaços e pontuação, responda à pergunta:

Por que a Nova Zelândia vai ser a campeã da Copa do Mundo 2010?

Achou difícil? Então pense rápido, porque as respostas devem ser enviadas ao e-mail promocao[@]esportefino.net a partir de agora até 23h59 do dia 4 de maio. O vencedor será o autor da melhor resposta, de acordo com avaliação da equipe do blog, e será divulgado no Esporte Fino no dia 7 de maio, sexta-feira.

Será aceita só uma resposta por participante e será considerada válida apenas a resposta que vier acompanhada de nome completo e endereço (incluindo CEP) do participante. Não é permitida a participação de parentes dos integrantes do blog, assim como qualquer um de seus parceiros comerciais.

O vencedor receberá a coleção diretamente da Abril em forma de assinatura, ao mesmo tempo em que os DVDs chegarem às bancas. Os documentários que forem lançados anteriormente à promoção serão enviados de uma vez ao ganhador.

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O Bayern de Munique calou Lyon nesta terça e conseguiu o que parecia impossível no começo da temporada: chegar na final da Champions League. Robben e Ribery são os craques do time, mas quem merece destaque é Louis van Gaal.

O técnico holandês é um homem difícil de entender. Ele é capaz de proezas como montar no Ajax um dos melhores times dos últimos 20 anos e também de fracassos como não conseguir levar a Holanda para a Copa de 2002.

Van Gaal revelou Davids, Seedorf, Overmars e apostou em jogadores pouco valorizados como Olic, Reiziger e Bogarde, mas também menosprezou unanimidades como Rivaldo, Zé Roberto, Lúcio e Toni. Qual é o verdadeiro Louis van Gaal? O visionário campeão, ou o que faz inúmeras besteiras?

Os dois são Van Gaal. Ao mesmo tempo que escurraça brasileiros de seus times, ele monta equipes muito ofensivas. Ao mesmo tempo que seus ataques se movimentam com precisão e rapidez, suas defesas são grandes peneiras.

Certo ou errado, Van Gaal é fiel a seu estilo, coisa que poucos treinadores podem dizer. Se tomou decisões questionadas por muitos, Van Gaal conseguiu mais sucesso que diversos de seus pares. Prova disso é que o holandês disputará em 22 de maio sua terceira final de Champions League. Se os métodos de Van Gaal são questionáveis, seus resultados provam que ele é um grande treinador.

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Fluminense E Muricy Ramalho, o homem da estrutura e do trabalho, chegou ao futebol carioca. Bom para Muricy, bom para o Rio. Mas cabem algumas considerações.
Os dois lados terão de aprender juntos, ceder e ganhar na hora certa. Caso contrário, trata-se de um casamento condenado já no altar.

O pessoal do Fluminense não pode soltar rojão, acreditando ter dado uma cartada decisiva para chegar aos títulos. Muricy ainda precisa adquirir jogo de cintura para lidar com dificuldades. Aprender a ser criativo quando as coisas fogem do roteiro original.

Apesar de sua admiração pelo argentino Conca, o técnico paulista deixou claro no Inter, no São Paulo e no Palmeiras que gosta mesmo é de jogador parrudo e de defesa sólida. O negócio é roubar a bola e fazer uma ligação rápida e nada inventiva para o ataque. Terá de aprender a jogar em função de um meia franzino e muito habilidoso.

O Fluminense por sua vez, terá a missão de aprender a ser profissional de fato. “Aqui é trabalho, meu filho!” Turbulências, ingerências e outros tristes vícios dos clubes cariocas em nada combinam com a filosofia de Muricy. Filosofia, que apesar de algumas turbulências recentes, tornam o treinador – com justiça – no maior especialistas de pontos corridos do nosso futebol.

E um título de Brasileirão, um ano depois do triunfo flamenguista, é tudo que a sofrida torcida das Laranjeiras precisa para lavar a alma.

A Muricy, o Fluminense já mostrou sua força. Em 2008, ao eliminar o São Paulo da Libertadores. Ano passado, ao impor ao Palmeiras uma sofrida derrota que marcou a decadência do time no Brasileirão. Talvez sejam sinais positivos…

Este texto faz parte da coluna “País do Futebol”, publicada todas as terças-feiras no Diário de S. Paulo.

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Os tempos distantes mostraram que nem só de craques, gols de placa e grandes vitórias vive o esporte mais popular do mundo. Há outra coisa fundamental nessa equação: os grandes personagens, que nem sempre são jogadores ou rostos famosos.

O ESPORTE FINO relembra alguns nomes e histórias que ficaram marcadas ao longo do tempo. Saiba mais no Camarote Atlheta, blog da nossa parceira, a Atlheta.

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