

Oito dias após serem eliminados da Copa do Mundo, os franceses ainda dão vexame.
Primeiro vamos aos fatos. A França é hoje um país turbulento em diversos setores. O “colchão social” que históricamente reconforta seus cidadãos (em especial os brancos, não os descendentes de imigrantes) está cada vez mais murcho.
Para amenizar os efeitos da crise econômica, o governo Sarkozy tenta, por exemplo, alterar as regras da Previdência Social. E dá-lhe greves, protestos.
No outro lado da moeda, imigrantes e filhos de cidadãos nascidos em colônias da África ou do Caribe já não aguentam mais viver à margem da sociedade, vítimas do preconceito.
Só para se ter uma ideia, durante a Copa marfinenses chegaram a iniciar uma briga com franceses em Paris porque comemoraram um fiasco da França.
Após a eliminação da Argélia, centenas de jovens argelinos (ou filhos de) provocaram confusão e quebra-quebra nos subúrbios.
Há ainda a corrupção. Diversos setores do governo (e do empresariado) frequentam as páginas dos jornais tentando explicar (ou se desculpar de) escorregões éticos.
Em meio a tudo isso, eis que a Assembleia Nacional perde tempo ouvindo – a portas fechadas – o mala do ex-técnico Raymond Domenech e o inoperante ex-presidente da Federação Francesa, Jean-Pierre Escalettes. É claro que não deu e nem vai dar em nada.
Político não tem de perder tempo com isso. Parece até aquele triste e folclórico episódio da CPI da Nike, em Brasília, quando um deputado perguntou a Ronaldo, em Brasília, por que Zidane não foi bem marcado na final da Copa de 1998.
A França tem jogadores e recursos para montar outra grande seleção.
Mas, a continuar como está, veremos o próprio Obelix (na imagem acima, com o cachorrinho Ideiafix) batendo no capacete e lamentando ao amigo Asterix: “Toc, toc, toc… Esses franceses são mesmo uns loucos…”
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