Do fundo do baú para julho, 2010

Você já imaginou ver um astro de filmes de artes marciais enfrentando numa arena fechada os maiores lutadores de MMA do mundo?

Não há registros, por exemplo, de encontros de Jean Claude Van Damme com Georges St-Pierre ou nenhum membro da família Gracie. Mas já é possível conferir um vídeo em que Anderson Silva, dominante no UFC, treina com ninguém menos do que Steven Seagal.

Apesar do seu enorme corpo em formato abaulado, o ator mostra ao brasileiro toda a sua técnica de aikidô, que o levou a ser o primeiro ocidental a ensinar artes marciais no Oriente e o rendeu o posto de Sensei de sétimo grau.

Seagal, aliás, tem história para contar. Além de ator e mestre em artes marciais, ele é delegado e, dizem, já teve uma agência de segurança que treinou forças como a CIA e a polícia japonesa.

No vídeo abaixo, Anderson aparece mais humilde do que de costume e faz expressões de quem está deslumbrado e impressionado com o bom e velho Seagal. De fato, em alguns momentos o Spider parece apequenado do gigante e imponente americano.

Há quem diga que a técnica de aikido do Sensei seria ineficaz no MMA, mas não dá para negar que o vídeo é curioso.

Confira!

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Em uma das cerimônias que participou em Johannesburgo, o presidente Lula falava dos eventos esportivos que o Brasil vai sediar quando disse que um deles, em 2015, é a Copa América. Ontem, em Porto Alegre, ele voltou a falar a mesma coisa, chamando o torneio de “Copa das Américas”. O problema é que ainda não existe confirmação oficial sobre quem vai sediar a competição.

A vez é do Brasil. Mas já houve especulações que o país poderia trocar a vez com o Chile e até Evo Morales chegou a anunciar que a Bolívia ficaria com a competição. A Conmebol está por fora do torneio que ela própria organiza, o que não é surpreendente tendo em vista o grau de preocupação da entidade.

A Sul-Americana é o patinho feio da vez. A Libertadores tem jogos terça, quarta e quinta. No ano que vem a Copa América será na Argentina. Alguém fala sobre as reformas nos estádios para o torneio? É óbvio que não, porque os jogos serão na Argentina seja lá qual for o estado da arenas.

Se não fosse tão vacilona, a Conmebol poderia até pegar a sugestão involuntária de Lula e cogitar uma Copa das Américas, unindo a Copa América com a Copa de Ouro. Um ano na América do Sul, outro na América do Norte ou Central. 16 times, quatro grupos, o campeão e o vice vão para a Copa das Confederações. O futebol do continente sairia fortalecido, a imagem das seleções também.

Esperar isso da Conmebol é, para dizer o mínimo, ingenuidade. Mas não custa sonhar com um futebol sul-americano mais bem organizado.

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Eu vi Senna correr. Vi boa parte da carreira de Piquet. Acompanhei de perto, inclusive trabalhando, a fase mais vencedora de Schumacher. E hoje faz 10 anos da maior vitória que eu vi de alguém na Fórmula 1. Não foi a vitória de um campeão, de um gênio. Foi a primeira vitória de Barrichello, no GP da Alemanha de 2000.

Não cabe aqui contar detalhadamente como foi. A história é conhecida. Rubens larga em 18º e, na parte final da prova, cai água. Ele opta por permanecer com pneus de pista seca. Como a parte da floresta em Hockenheim estava sem chuva, bastava se manter na pista no setor do Estádio, onde chovia. E assim aconteceu.

Barrichello não é um gênio. Por diversas vezes falou mais do que deveria. Mas foi cruelmente sacaneado por humoristas, alguns da imprensa e por muitos de seus ditos torcedores. Pagou caro por ter dado passagem a Schumacher em 2002, na Áustria. Se não é um gênio, é um piloto duas vezes vice-campeão mundial, vencedor de 11 corridas – feito alcançado por apenas 26 pilotos. Já largou para 295 corridas em 18 temporadas.

É uma bela carreira. Barrichello merece todo respeito. E merece ser lembrado por momentos como os que estão no vídeo abaixo.

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O Internacional vai disputar a final da Taça Libertadores da América de 2010. Em primeiro lugar, porque é um belo time e merece.

Em segundo, porque seu adversário nas semifinais é uma equipe apática, perdida. À exceção dos zagueiros, todos neste atual São Paulo jogam cara de paisagem. Um time sem carisma. Não late, nem morde.

Se lerem isso, os jogadores certamente não irão concordar. Dirão que o jogo da próxima quinta-feira, no Morumbi, vai trazer outra história, e que farão de tudo para reverter a derrota de 1 a 0 no Beira-Rio.

Para este Tricolor, porém, o tudo é muito pouco. Hernanes (um belo segundo volante alçado à condição de jogador fenomenal devido à carência de meias no Brasil) disse no intervalo do recente jogo que o São Paulo estava mesmo com “uma postura humilde”.

Peraí. Postura humilde contra o Inter, mesmo no Beira-Rio. quem tem de ter é time pequeno. Hernanes, certamente o Colorado não será humilde no Morumbi. Vai contra-atacar, buscar o gol que deixará a vida de vocês ainda mais complicada. É assim que se faz.

Não se pode ganhar todas, é verdade. Perder fora de casa é normal. Cair numa semifinal de Libertadores é normal.

O anormal, para o São Paulo, é aceitar ser atacado os 90 e tantos minutos de jogo e não ter saída de jogo. Não preocupar, não assustar.

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Em 1989, a equipe oficial da Peugeot era tão superior às demais que competia como se estivesse sozinha no Rali Dacar. A vitória estava garantida. Mas a briga ferrenha entre os dois pilotos do time preocupava o chefe, que temia que aquela disputa pudesse colocar tudo a perder.

O chefe, então, resolveu decidir quem venceria o rali atirando uma moeda para o alto. Cara ou coroa. O vencedor na moedinha teria garantido o título no Dacar. Ari Vatanen, finlandês, um dos maiores da história, levou a melhor sobre Jacky Ickx. O belga, vice-campeão de Fórmula 1 em 1969 e 1970, liderou a competição até o fim. Para, digamos, “honrar a derrota” na moeda, praticamente estacionou seu Peugeot 405 para que o companheiro lhe superasse.

Anos depois, o chefe da Peugeot entrou para a F-1 e foi um dos responsáveis, na década de 1990, por tornar a Ferrari novamente uma equipe vencedora. Em 2002, foi protagonista da ordem para que Barrichello entregasse a vitória para Schumacher no GP da Áustria.

Jean Todt, hoje, é presidente da FIA. A mesma FIA que no dia 10 de setembro julgará a Ferrari por ter ordenado que Massa abrisse para Alonso. Quem decide, claro, é o Conselho Mundial da entidade. Mas, olhando para o histórico de Todt, quem acredita em punição à equipe italiana?

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Maradona deixou a seleção argentina disparando contra tudo e contra todos. Mas, ao contrário do que fazem 99,9% dos técnicos e boleiros por aqui, El Pibe não se limitou às insinuações. Tampouco atirou apenas contra seus pares ou até subordinados.

Não. Maradona criticou duramente os poderosos. No caso, Julio Grondona (o Ricardo Teixeira deles) e o ex-técnico Carlos Billardo, hoje coordenador da AFA.

Billardo saiu fortalecido da queda de braço com Maradona, mas teve de ir dormir ciente de que foi chamado de “traidor” pelo maior ídolo do futebol argentino. “Quando eu estava de luto pela derrota para a Alemanha, ele trabalhava nas sombras para me tirar. Bilardo me traiu.”

Já Grondona foi chamato de mentiroso e recebeu de Maradona a culpa pelos seguidos insucessos dos hermanos em Copas do Mundo. “Após 1990 o futebol argentino não mais passou das quartas de final em Copas do Mundo, mesmo com tantos e tantos bons jogadores. A culpa é dos que comandam o futebol”, foi mais ou menos esta a frase do Pibe sobre a AFA.

Maradona é também um egocêntrico, claro. Em nenhum momento assumiu qualquer culpa pela eliminação na África do Sul, a despeito de ter uma bela seleção em mãos.

Mas, como já escrevi aqui, não esperem lógica e justiça da parte do eterno ídolo. Esperem contradições, arroubos, mas sempre com transparência. E muitas vezes ele acerta…

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Rodrigo Machado Por mais absurdo que seja para um país que teve Careca, Romário e Ronaldo em sequência, falta ao Brasil um centroavante para a Copa de 2014.

Luís Fabiano já tem 29 anos. André e Keirrison ainda são promessas. Fred teve uma carreira inconstante até aqui. Diego Tardelli é um jogador apenas razoável. Adriano não quer o posto. Quem então será o camisa 9 da seleção em 2014?

Fazer essa pergunta é mais fácil que respondê-la. E enquanto a discussão não começa para valer, uma nova revelação brasileira surge na Europa, defendendo a Espanha. O nome dele é Rodrigo Moreno Machado, de 19 anos, o camisa 9 da Rojita, que na sexta-feira decide o Europeu sub-19 com a França. Rodrigo foi titular em três dos quatro jogos da Espanha e marcou um gol contra a Croácia.

Rodrigo é filho de Adalberto, lateral-esquerdo do Flamengo nos anos 80. Chegou à Espanha aos 11 anos, quando o pai foi ao país trabalhar em escolas de futebol com Mazinho, em Vigo. A família ficou e hoje ele joga no Real Madrid B.

A dificuldade que os atletas da base do Real têm para subir é notória. Assim, Rodrigo pode reforçar o Benfica. Segundo o A Bola, o clube português terá que pagar € 5 milhões e ainda assinar um cláusula de revenda se quiser ficar com o Rodrigo. De acordo com o site do Real Madrid, Rodrigo é canhoto, chuta bem com as duas pernas e pode jogar tanto como centroavante quanto como segundo atacante. Se virar craque, tomara que não seja com a camisa da Fúria.

Foto: Real Madrid

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Uma das principais novidades do técnico Mano Menezes para a renovada seleção brasileira já fala português com um certo sotaque. Trata-se de algo entre o francês e o italiano.

Francês, porque joga e mora há seis anos na terra do Sarkozy. Italiano, porque é casado com Patricia, uma conterrânea de Berlusconi.

Estamos falando do meia Ederson, do Lyon, que – a despeito de estar totalmente aborvido pela cultura europeia – garante ter realizado um sonho.

“Já fui sondado pelos franceses para me naturalizar e defender a França. Mas jamais levei isso em conta”, garantiu, por telefone, a este blogueiro. “Meu sonho sempre foi defender a seleção brasileira principal.”

Ederson, na verdade, pagou pra ver. Ele foi campeão mundial com a seleção brasileira sub-17, em 2003, na Finlândia. No ano seguinte, aceitou trocar o futebol gaúcho pelo Nice. “Sabia que iria sumir da mídia brasileira e que isso dificultaria novas convocações. Mas fiz uma aposta e não me arrependi.”

Após quatro temporadas de bom futebol no Nice, acertou com o Lyon sob a bênção do ídolo Juninho Pernambucano. Desde então, soma 90 jogos pelo mais poderoso time francês, com 11 gols. “Não sou titular absoluto porque o time muda muito, mas atuo bastante.”

E atua como? “Sou um meia de ligação que chega bastante ao ataque, um estilo mais ofensivo do que o do Juninho Pernambucano…”

Hoje com 24 anos, Ederson é da pequena cidade de Parapuã, no interior paulista. Em Marília (cidade da mesma região), foi descoberto pelo antigo time de Paulo Cezar Carpegiani, o RS. “Foi pelo RS que fui convocado pela seleção sub-17, sou muito grato. Após o Mundial, me emprestaram para o Inter e para o Juventude.”

Hoje em dia a carreira de Ederson é administrada pelo influente empresário italiano Antonio Caliendo, que cuida de gente como Maicon e Trezeguet e já teve Dunga como cliente.

E o futuro na seleção? “Quero agarrar com unhas e dentes. O sonho é disputar tanto as Olimpíadas de 2012 quanto a Copa do Mundo em casa.”

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Na entrevista coletiva em que anunciou sua primeira convocação, Mano Menezes comentou os esquemas táticos que prefere. Falou do 4-2-3-1 e do 4-3-3, este último sem um meia de ligação, dizendo que deve testá-los na seleção.

Aqui abaixo seguem dois exercícios de imaginação. No primeiro, o time atua no 4-2-3-1. Escolhi Éderson como titular na direita pois não acredito que André ou Tardelli serão titulares diante dos Estados Unidos. Assim, o centroavante teria que ser Alexandre Pato. No mundo ideal, Pato e Robinho seriam os “pontas” e o Brasil teria Careca, Romário ou Ronaldo com a camisa 9. Infelizmente, não é o caso.

Esse esquema é muito parecido com o que Mano implantou no Corinthians em 2009, quando o time ganhou a Copa do Brasil jogando muito bem.

A outra escalação seria uma verdadeira inovação tática no Brasil. Um time com três volantes e três atacantes, coisa que vez por outra aparece na Europa. Aqui saem Éderson e Ganso e entram Hernanes e Neymar. Para que isso funcione, a disciplina tática tem que estar em ordem, e os volantes têm que saber jogar.

Nesse esquema, não há espaço para o camisa 10 clássico, como Ganso, ou para um mais velocista, como Kaká. É provável que Mano não tenha convocado Kaká para não ser cruel. O jogador do Real Madrid precisa descansar e se recuperar. Se fizer isso, será impossível não voltar para seleção. E o esquema abaixo pode vir a ser uma alternativa para sua ausência.

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Confesso que fiquei surpreso com a convocação de Mano Menezes, mas de uma forma positiva. Quando Ricardo Teixeira falou em “renovação paulatina”, levei um susto pois achei que muitos dos convocados de Dunga estariam no grupo. Isso seria preocupante, pois vários estarão com idades avançadas em 2014. O que se vê é uma convocação aberta a todo tipo de jogador, sem volantes brucutos e mais atacantes que o normal. Vamos analisar os nomes em tópicos

Os 23 que foram à Copa
Do grupo que foi à África do Sul, eu considero convocáveis, por motivos de idade e técnica, onze jogadores. Quatro deles foram chamados – Thiago Silva, Daniel Alves, Ramires e Robinho. Ainda acho que pode haver chance para os outros: Júlio César, Maicon, Luisão, Kaká, Gomes, Nilmar, Luís Fabiano e Michel Bastos.

Volantes
Lucas e Ramires são, para mim, inquestionáveis. Sandro é bom volante e Jucilei, apesar de aparentar ser um brucutu, sabe sair jogando. Tenho reservas a Hernanes por ele ser blasé demais, mas depois que deixou de jogar como meia melhorou muito. O caso é que Mano é o segundo técnico de 1994 para cá (o primeiro foi Luxemburgo) que privilegia a habilidade nesta posição.

Atacantes
Não entendo e nunca entederei a convocação de Diego Tardelli. Seu nome é reflexo da falta total de centroavantes no Brasil. No futuro, Fred e Keirrison poderiam ser testados. Também abriria espaço para Rafael Sóbis e Dentinho. Mas são cinco atacantes no elenco, coisa que Parreira, Zagallo e Dunga não fazem ideia do que é.

Conhecimento
Luisão era “truta” de Dunga e talvez por isso o técnico não tenha visto muitos jogos do Benfica. Se tivesse, teria observado David Luiz, o melhor jogador do Campeonato Português. Com convocações como essa e as de Rafael e Éderson, Mano mostra que acompanha os torneios no exterior, coisa que poucos fazem.

Projeto olímpico
Foi o tema que mais me preocupou, pela importância excessiva. Os Jogos de Londres devem servir apenas para dar experiência a gente como Neymar e Ganso. Se ganhar o ouro inédito ótimo, se não ganhar que se dane. A única coisa que importa é a final da Copa do Mundo de 2014.

Esquema tático
Mano deve ser o primeiro técnico da seleção desde muito tempo (ou será o primeiro?) a ter um time com variação tática. Disse que gosta do 4-2-3-1 e também do 4-3-3 com três volantes e três atacantes.

Confira a convocação:

Goleiros
Jefferson (Botafogo)
Renan (Avaí)
Victor (Grêmio)

Laterais
André Santos (Fenerbahce/TUR)
Daniel Alves (Barcelona/ESP)
Marcelo (Real Madrid/ESP)
Rafael (Manchester United/ING)

Zagueiros
David Luiz (Benfica/POR)
Henrique (Racing Santander)
Réver (Atlético-MG)
Thiago Silva (Milan/ITA)

Volantes
Hernanes (São Paulo)
Jucilei (Corinthians)
Lucas (Liverpool/ING)
Sandro (Internacional)
Ramires (Benfica/POR)

Meias
Carlos Eduardo (Hoffenheim/ALE)
Éderson (Lyon/FRA)
Paulo Henrique Ganso (Santos)

Atacantes
Alexandre Pato (Milan/ITA)
André (Santos)
Diego Tardelli (Atlético-MG)
Neymar (Santos)
Robinho (Santos)

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