Do fundo do baú para setembro, 2010

Ato 1. Cena única. Debate entre os presidentes do Trio de Ferro.

Mediador, Milton Neves.

Milton – Presidente Juvenal Juvêncio, o senhor que também gosta das coisas do interior, assim como eu, é o primeiro a participar. Em nome dos Colchões Todo-Duro, do meu amigo Adilson Bastos, do restaurante Elefante Grill, do meu amigo Edson Santos, que só voa de Gol, diga, presidente Juvenal Juvêncio, o que fazer com este São Paulo?

Juvenal – Caro Miltooon, caros presentesss. O São Paulo Futebol Clube é sacrossanto. É uma casa de respeiiito. Está tudo certo no São Paulo. Os que estão errados são os outros. São as federações, os outros presidentes. Oxalá haja um dia uma enorrrrme faxina ética e morallll…

Milton – O tempo urge, Juvenal. Agora é a vez do Andrés Sanchez, presidente do povo e excelente empresário. Excelente igual aos Armarinhos Alberto, lá na 25 de março do meu amigo Roberval Teixeira.

Andrés – Engraçado ouvir o Juvenal falar. Para ele todas as torcida são errada e só os bambi são certo. O Corinthians não joga mais no Morumbi. Agora o Corinthians tem casa, lá em Itaquera, vamo receber a Copa. Todos os craque do mundo querem jogar no Corinthians igual o Ronaldo, Roberto Carlos…

Milton – Ok, Andrés. Por falar em Ronaldo, eu me lembrei das Lojas Larga. As Lojas Larga, da minha amiga Neide Silva, fabrica a melhor linha de roupas larrrrrge e extra-larrrrge para revenda em todo Brasil e até no exterior. Presidente Salvador Hugo Palaia, o senhor pegou o bonde andando no Palmeiras e já está bagunçando tudo, Palaia!

Palaia – Bagunçando, não. Arrumando. Sou corajoso. Tomei a liberdade de fazer algumas perguntas para eu próprio responder, posso? “Palaia, você está mais para Mustafá ou Belluzzo?” Nenhum, eu resolvo tudo do meu jeito. “Palaia, você vai concorrer na próxima eleição para presidente do Palestra?” Essa eu não respondo.

Milton – Mas foi você mesmo quem fez a pergunta, Palaia…

Palaia – Fui eu, mas não respondo.

Juvenal – Este debate deveria ser um espaço de resppppeitooo, de educação, de nívellll. Eu não vim aqui para ouvir sandiiicessss. Eu estou acostumado a ouvir Laudo Natelll….

Andrés – Lá vem os bambi com frescura. Eu tô aqui pra dar a cara pra bater. Aliás, eu já ganhei este debate antes de começar, porque tenho a melhor e maior torcida do país, o corintiano é diferente…!

Palaia – Tem esquema, tem esquema! O São Paulo está sempre nos roubando, o Corinthians é sempre ajudado pela arbitragem. Palestra! Palestra!

Milton – Vou chamar um brrreak comerrrcial rapidinho e no próximo bloco o presidente Luís Álvaro vai falar só do Santos. Já buscou o Neymar na balada, né presidente? Santos, meu amorrr.

Este é um post de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fator verídicos blá blá blá.

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O Corinthians poderia ter perdido para o Botafogo na noite desta quarta-feira, no Estádio do Pacaembu.

Empatou porque aquele garoto polêmico do time carioca, o Caio, preferiu tentar fazer o que não sabe ao invés de rolar para Loco Abreu. Isso aos 48 do segundo tempo. Em tempo: não irei falar de arbitragem.

Pouco antes, o Fluminense vencia o Avaí por 1 a 0, no sufoco. Péssima notícia para os coritianos. Agora o Flu já está três pontos à frente na tabela, e nem mesmo a vantagem de ainda ter um jogo a disputar é assim tão expressiva para o time de Adílson Batista.

Confesso estar surpreso com tal situação. Há algumas semanas, apostaria que o Alvinegro paulista começaria a deslanchar. E que veria pelo retrovisor não mais o Tricolor carioca, mas sim o Cruzeiro e até mesmo o Internacional.

O grande motor da retomada de fôlego dos cariocas é o argentino Conca. Com o baixinho inspirado, o time todo se encaixa e as coisas passam a acontecer. Se encontrar de fato o equilíbrio ideal para que Conca jogue em paz, Muricy pode dar um belo passo rumo ao seu quarto título de Brasileirão.

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Dizem que sou polêmico, mas isso não é verdade. Eu sou é corajoso
Salvador Hugo Palaia, o homem que colocou fogo na política do Palmeiras.

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Você pode ter achado estranho o título deste post, mas depois de perder para Cuba ontem (por 3 a 2), na terceira rodada da primeira fase do Campeonato Mundial de vôlei, a seleção brasileira masculina teria um caminho mais fácil se, na segunda fase, ganhasse um jogo e perdesse o outro.

Ao perder da jovem seleção cubana, o Brasil caiu no grupo N da segunda fase, o mais equilibrado, no qual terá as indigestas companhias de Polônia (adversária de quinta-feira) e Bulgária (no sábado).

Na terceira fase, novos grupos de três serão formados, e se o Brasil ficar em primeiro lugar, deve se encontrar com Rússia e Cuba ou Sérvia, mais uma chave duríssima para uma seleção que ainda não atingiu seu auge.

Caso perca um dos jogos e vença o outro, o Brasil pegaria Alemanha e Estados Unidos ou República Tcheca. Os alemães derrotaram o time de Bernardinho duas vezes em amistosos pré-mundial, mas o Brasil é superior. Os EUA, campeões olímpicos, são uma pedra no sapato, mas estão muito instáveis desde Pequim.

Aquele tempo em que o Brasil não tinha medo de ninguém acabou, ou melhor, está sendo reconstruído por Bernardinho. Até lá, vale torcer para que o Brasil seja um pouco ajudado pela sorte e pela tabela para chegar às semifinais. No mata-mata, a seleção deve crescer e, aí, a chance do tricampeonato será muito maior.

Foto: Divulgação/FIVB

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No GP do Brasil de 2008, Felipe Massa chegou perto. A duas curvas do fim da corrida, era o campeão mundial de Fórmula 1. Depois disso, a história é conhecida. Hamilton ultrapassou Glock, chegou em quinto e ficou com o título. Mas naquele momento o brasileiro se consolidava como um piloto do primeiro time, um candidato natural ao título de 2009, de 2010, de 2014.

Aquele Felipe sofreu acidente gravíssimo oito meses depois, na Hungria. Voltou a correr neste ano e em nada lembra o piloto que encerrou a temporada 2008 em alta. Das três equipes grandes da temporada, o brasileiro é o único piloto fora da disputa do título. Pior: ainda vê o obrigatório sexto lugar ameaçado por Kubica, da Renault, e Rosberg, da Mercedes, que têm carros inferiores ao da Ferrari.

Dirão os nervosinhos que Massa deu uma vitória ao companheiro de equipe. Ora, não me entreguem uma peneira para que eu use como guarda-sol. Felipe sumiu. Hoje, sejamos francos, é um piloto em baixa. Fora das manchetes, fora do radar.

Massa não deixou de ser um piloto muito bom. Melhor que Webber, o líder do campeonato. Muito menos instável do que ainda é Vettel, o prodígio. Talvez do mesmo “tamanho” de Button. Mas não está no mesmo nível de Fernando Alonso. O espanhol entendeu rapidamente a Ferrari. Ganhou a Ferrari com resultados e trabalho. Hoje é número 1 do time de forma indiscutível.

Na próxima temporada, os dois começarão em igualdade de condições. Mas Alonso novamente conquistará o posto de número 1. E não é porque fala espanhol, porque tem patrocinadores fortes ou porque a direção da Ferrari gosta de seus cabelos rebeldes. Alonso será número 1 simplesmente porque é um fora de série. Foi por isso que transformou um ótimo piloto como Massa em um Berger. Foi por isso que Alonso deixou Massa no escuro.

Foto: Divulgação/Bridgestone

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Quando José Mourinho chegou ao Real Madrid, encontraram-se aquele que para muitos é o melhor técnico do mundo com aquele que, para outros tantos, é o melhor elenco do Planeta.

Após cinco rodadas do Campeonato Espanhol, o clima está longe de ser de euforia. Neste fim de semana, o clube ficou no 0 x 0 com o Levante e agora se encontra na terceira colocação, atrás de Valência e Barcelona respectivamente.

Mas o que mais tem chamado a atenção da imprensa local é como um time que possui no ataque Cristiano Ronaldo, Benzema, Di Maria, Higuain e companhia tem tanta dificuldade para balançar as redes.

Nestas cinco rodadas, o Real marcou apenas seis vezes, uma das médias mais baixas do clube na competição, diz o Marca. Para comparar, no ano passado os merengues já haviam anotado 16 gols a essa altura.

Nem tudo vai mal. O time tem chegado bastante ao ataque. O problema é que a pontaria está sendo mais do que pífia. Até agora, o time já concluiu a gol em 105 ocasiões. Com seis, isso lhe confere a média de apenas 5,7% de aproveitamento – a do Barça é quase o dobro, 11,2%. Para marcar duas vezes no Campeonato, Cristiano Ronaldo precisou de 41 tentativas.

O galáctico Real Madrid trocou a expectativa da fantasia e do show pelo desejo de ter um time pragmático e vencedor, com a cara de Mourinho. Mas por enquanto continu longe de engrenar. Numa competição em que quase não se pode errar, porque o maior rival perde pouquíssimos pontos, daqui a pouco é tarde demais. Ou embala ou continuará a ver o Barcelona comemorar, mesmo tendo investido mais alto que os catalães.

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Até quando, Andrés?

Em 27 de agosto, Andrés Sanchez afirmou sem nenhum pudor que o seu principal objetivo naquele momento era impedir que o Morumbi, estádio do seu maior inimigo político, o São Paulo, fosse palco de jogos da Copa do Mundo de 2014.

Três dias depois, cravou com orgulho que a CBF havia apoiado a realização de partidas do Mundial em Itaquera, no futuro estádio do Corinthians, sem nem mesmo ver o projeto do empreendimento. Quis dizer que o seu clube tinha credibilidade, mas conseguiu mesmo foi escancarar que a indicação não se balizou por nenhum critério técnico, para ser sutil.

Nesta semana, Andrés meteu o nariz onde não foi chamado. Insinuou que o São Paulo era o responsável pela estranha saída de Dorival Junior da Vila Belmiro – como se o treinador tivesse forçado a própria demissão por supostamente ter acertado com o clube do Morumbi.

O jornalista Ricardo Perrone escreve hoje em seu blog no UOL que, no dia da queda de Dorival, um cartola corintiano ligou para a Vila Belmiro e alertou que o São Paulo já havia conversado com o técnico para avisar que as portas do clube estavam abertas.

A diretoria do Santos, já de cabeça quente, teria confiado na informação e se irritado ainda mais com o treinador, que cairia pouco depois. O Tricolor seria o próximo alvo da ira que tomou conta do clube da Baixada, mas uma surpresa fez o cenário mudar.

Após a notícia da demissão, o São Paulo bancou Sérgio Baresi e deu de ombros para Dorival, que acabou indo parar no Galo. Os dirigentes do Morumbi podem não ser anjos na Terra, mas a lógica nos conta que se o clube tivesse acertado antecipadamente com o treinador do Peixe, como insinuou Andrés, o desfecho da história forçosamente teria de ser outro.

Segundo escreve Perrone, “um conflito entre Santos e São Paulo seria interessante para Andrés não só por arrumar um problema para Juvenal Juvêncio, seu desafeto. O atrito também minaria a aproximação dos santistas com a diretoria do Clube dos 13, do qual Juvenal é vice-presidente. O Santos, como o Corinthians, votou na última eleição no opositor Kléber Leite.”

É verdade que pode haver muito mais entre o céu e a Terra nesse caso do que sabemos até o momento. Mas não dá para acreditar que o cartola corintiano quis se intrometer na história por pura benevolência e simpatia pelo outro alvinegro.

Andrés pode, sim, estar sendo bom para o Corinthians. Além de ter montado bons times e resgatado a autoconfiança do clube, iniciou ações de marketing bem-sucedidas que fizeram ecoar com mais força o centésimo aniversário da instituição. Por outro lado, o dirigente resume a deselegância e outros adjetivos que fazem tão mal ao futebol – e que aliás não são privilégio dele.

Até quando vai durar? Que a propalada renovação do futebol nacional não fique apenas no nível de jogadores e técnicos. É duro de aguentar…

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Acordar no sábado, ligar a televisão e assistir ao Campeonato Inglês sempre com estádios cheios dá prazer, mas também inveja.

Faço parte da grande maioria neste País que é apaixonada por futebol. E também faço parte da imensa maioria que não se atreve a colocar o pé nas arquibancadas.

Aqui em São Paulo, ao menos, ver um jogo com bilheteria esgotada é mais raro do que ver a Marginal Pinheiros sem trânsito.

Talvez alguém explique as cadeiras vazias apontando suposta falta de amor dessa ou daquela torcida. Discordo de qualquer discurso que siga esse caminho. Sou daqueles pouco românticos que acredita que a presença nos estádios está primeiramente ligada a condições materiais e depois à paixão.

Como eu gostaria muito de voltar às arquibancadas e vê-las plenamente preenchidas, (mais uma vez) deixo algumas simplórias sugestões aos gestores do nosso futebol para que ajustar certas condições materiais (ou não) do espetáculo que hoje são pouco convidativas.

1- Não economizarás no número de bilheterias
Comprar o ingresso é uma parte muitas vezes desestimulante. Mesmo jogos pequenos têm grandes filas porque o número de bilheterias abertas é reduzidíssimo. Uma baita perda de tempo! Por isso, sempre é preciso ter mais bilheterias abertas do que o necessário para guardar uma margem de erro e proteger o consumidor. Um pequeno aumento de gasto para um grande benefício.

2- Não se acomodarás na distribuição da venda de ingressos
Havia uma época em que se podia comprar ingresso em banca de jornal. Ok, não funcionou no longo prazo. Mas disponibilizá-los somente no local do jogo é muito relaxo. Os clubes têm que pensar no torcedor como cliente e levar o ingresso até mais perto dele. Abrir postos autorizados em pontos estratégicos da cidade cai muito bem, seja de forma independente ou por meio de parcerias.

3- Não abusarás dos preços
Se o objetivo é aumentar a arrecadação, que os clubes cuidem de fazer do futebol um espetáculo organizado, seguro e confortável. Aumentem os atrativos e o público, não os preços. Cobrar R$ 40,00 para arquibancada em um esporte que tem caráter popular é um exagero.

4- Não usarás as mídias sociais para bobagens
Os clubes têm de promover seu próprio espetáculo e gerar experiências com a sua marca para que os torcedores se sintam mais estimulados a permanecerem atentos sobre o que acontece no mundo da bola e a comparecerem ao palco das partidas. Twitter e afins não servem só para informar a escalação da equipe; são também um excelente mecanismo para promover um serviço, um produto, um show. Concursos, sorteios e promoções relâmpagos de compras coletivas, no melhor estilo Peixe Urbano, são exemplos de como usar as mídias sociais para manter o relacionamento com o torcedor em dia e convidá-lo a ir ao estádio.

5- Não negligenciarás o conforto
Quando a gente é muito jovem, vai ao estádio enfrentar qualquer aventura. Depois, quer um pouco mais de conveniência. Então, se desejamos mais famílias no ambiente do futebol, melhor cuidar desse aspecto. Por que não fazer uma parceria com alguma rede do setor de restaurantes e alimentação e comercializar nas arquibancadas diferentes tipos de comes e bebes a preços justos… (Não como São Paulo e Habib’s, que cobram uma fortuna e oferecem oucas opções). Ganha o parceiro, que estende seus negócios, e ganha o clube, que tem um ativo a mais para atrair torcedores e empurrar o time.

6- Não descuidarás das suas responsabilidades com o entorno
Assim como qualquer empresa, os clubes de futebol não estão sozinhos no tempo e no espaço. Para manter seu negócio ativo, necessariamente deixam impactos sociais e ambientais. Os impactos de um estádio de futebol na comunidade do entorno, por exemplo, são enormes. O mínimo é oferecer uma contrapartida e trazer benefícios para o bairro, como cuidar de praças, contribuir com a adequação do transito em dias de jogos etc.

7- Não desprezarás a importância de cuidar da marca futebol
Os dirigentes e jogadores dia após dia mostram que fazem tudo errado do ponto de vista da comunicação organizacional. Jogador que critica técnico, técnico que critica diretoria, diretoria que desprestigia técnicos e jogadores. Tudo em público. Sem falar de presidentes de clubes que provocam clubes rivais como se torcedores fossem, entre outras barbaridades. Essas falhas mostram que o futebol é composto não por esquadrões bem organizados e super profissionalizados, mas por clubes que são uma grande bagunça, cheio de amadores no comando. Faz mal para a marca do clube e do esporte, afeta a credibilidade e afasta a torcida.

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Um dos motivos que faz do futebol o esporte mais popular do mundo é sua imprevisibilidade. A qualquer momento, em qualquer circunstância, o time mais fraco pode bater o mais forte. Em outros esportes, e no vôlei, cujo Campeonato Mundial Masculino começa hoje, isso não ocorre.

Raras são as zebras no vôlei, mas a globalização do esporte criou um grupo de seleções de nível muito próximo e, assim, o vôlei ganhou em emoção. Descontando a NBA, hoje é possível dizer que o vôlei rivaliza em equilíbrio com o basquete e até o supera, tendo em vista o domínio dos Estados Unidos no último mundial mesmo com uma seleção que não continha os maiores astros da liga.

O favoritismo é muito dividido no vôlei. O Brasil, atual bicampeão mundial, prata em Pequim e vencedor da Liga, é o principal favorito. A Rússia vem logo atrás, com um time gigante e potente no ataque. A Sérvia fica sempre no quase, mas segue crescendo, assim como Bulgária e Polônia. Duas forças que brilharam nos anos 90 estão de volta. Cuba e Itália têm times renovados, e a segunda leva vantagem por jogar em casa. Tudo isso sem contar os campeões olímpicos Estados Unidos, que tentam deixar um período de baixa.

Soma-se à qualidade das grandes seleções o duro regulamento do mundial. São três fases de grupos, sendo, respectivamente: 3 vagas para 4 seleções, 2 vagas para 3 seleções e 2 vagas para 3 seleções. Aí teremos a semifinal e a final, sempre em jogo único. Qualquer bobeada eliminará uma seleção.

O Brasil começa a campanha contra a Tunísia e depois encara Espanha e Cuba. Depois, deve ter Polônia e Venezuela pela frente. Na terceira fase, pode ter Itália e Bulgária. Não é um caminho fácil, mas se há um homem capaz de preparar psicologicamente esse grupo, é Bernandinho.

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Fiz 34 anos nesta semana. Mas me sinto uma peça de museu. Eu sou do tempo em que os esportes se aproximavam de seus torcedores. Uma relação romântica e apaixonada. Eu sou do tempo do Maracanã com 200 mil pessoas, do Ibirapuera e Maracanãzinho lotados, da Fórmula 1 correndo para autódromos entupidos nas arquibancadas e nas áreas de camping.

Há duas semanas, a Fórmula 1 divulgou seu calendário para 2011. Serão 20 corridas e metade delas será disputada na Ásia. Abu Dhabi, Bahrein, China, Malásia, Coreia do Sul e Índia receberão corridas, enquanto Argentina, França, Holanda e Portugal seguem fora. Nada contra os asiáticos. Mas, por aquelas bandas, apaixonados mesmo são os japoneses. A F-1 desfila em autódromos vazios em lugares com os quais não se identifica, como o paraíso cafona de Abu Dhabi, emirado vizinho à não menos cafona Dubai.

No fim do ano, pela segunda vez Abu Dhabi receberá o Mundial de Clubes da Fifa. No Japão havia legiões de torcedores desde os tempos da Copa Intercontinental. O futebol cresce no país desde o início da década de 90. Mas Abu Dhabi paga melhor, ainda que esteja em um país que ocupa o 90º lugar do ranking da Fifa.

Os tempos mudaram e não há como lutar contra a evolução do marketing esportivo e do investimento agressivo. Empresas inundam de dinheiro modalidades e atletas e precisam de retorno. Mas se afastar dos verdadeiros torcedores é um tiro no pé. Só com dinheiro não se faz esporte. É preciso alguém para torcer do lado de fora.

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