Do fundo do baú para outubro, 2010

Sou ingênuo. Gostaria que eles fossem amigos. O mundo seria bem mais legal se eles aparecessem juntos a todo instante, se Pelé visitasse Buenos Aires e Maradona fosse visto na Baixada Santista com certa frequência.

Mas Pelé, o homem do terno, das campanhas publicitárias e que soube como ninguém se separar do “Edson”, parece simbolizar tudo que Maradona mais odeia. Quando o Edson fez as merdas que todos nós somos capazes de fazer, Pelé continuou ileso.

Diego Maradona sempre foi Diego Maradona: um só. Quando fez as merdas que todos nós somos capazes de fazer, saiu completamente arranhado. Quase morreu.

No último dia do mês de outubro, o mês que viu o nascimento destes dois gênios (Pelé há 70 anos e Maradona há 50), relembremos abaixo a visita de Pelé ao programa La Noche de Diez, que Maradona capitaneou na TV argentina em 2005.

Por alguns minutos, eles agiram como amigos. Cantaram, trocaram autógrafos e fizeram uma impressionante tabelinha de cabeçadas. Valeu enquanto durou

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Tem louco para tudo neste mundo. Inclusive no esporte. E a parte boa é que, com o advento da banda larga e do Youtube, a gente pode conferir algumas trapalhadas que passariam batidas anos atrás.

Caso, por exemplo, da patetice protagonizada pelo colombiano Alex Cujavante, de apenas 16 anos, que é atleta de patinação de velocidade.

Se vencer uma prova num Mundial é sonho para qualquer esportista, imagine se ele pode conseguir tamanha façanha ainda adolescente.

Pois Alex estava bem próximo disso. Após a última curva, olhou para trás e notou que tinha vantagem relativamente folgada sobre o segundo colocado.

Em vez de correr com tudo para o abraço, ele diminuiu o ritmo e levantou os braços para comemorar antes da hora.

Enquanto isso, o sul-coreano Sang Cheol Lee acreditou até o final e conseguiu uma imporvável ultrapassagem nos centímetros finais.

“Álex é um menino que se equivocou, é seu primeiro mundial, virão dias melhores”, disse seu pai ao site Elcolombiano.com, ao lado do filho, que chorou muito.

Veja abaixo as imagens dessa baita lição aprendida pelo garoto.

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Não é a primeira vez que escrevo isso no Esporte Fino e aparentemente não será a última, mas vale repetir: desde a minha entrada no mundo do tênis, sempre escutei de diversas fontes, como jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas, que o sucesso do País no esporte da raquete e da bolinha passa por unir as pessoas em torno de um mesmo projeto.

Há quase dois anos, quando o espanhol Emilio Sanchez chegou para ser coordenador da CBT, pensou-se que havia chegado a hora. O próprio Emílio repetia que a união dos atletas, treinadores e ex-atletas era fundamental para fazer nossa participação no circuito internacional decolar.

Mas a verdade é que os períodos de calmaria se intercalam regularmente com brigas de egos e lavação de roupa suja via imprensa. E a gente continua num modelo em que cada um depende do próprio talento and that’s all. Em março, Fernando Meligeni disparou ferozmente contra Sanchez e a CBT, questionando até o salário do espanhol. Teve réplica, tréplica e carta aberta. Agora, a coisa piorou.

Há uma semana, nosso número 1, Thomaz Bellucci, criticou a falta de bons treinadores no País. Jogou no ventilador sem dó. E desencadeou uma troca de tiros por todos os lados. As palavras do paulista são injutas com muita gente competente que faz muito pelo nosso tênis. Mas ao menos tornaram as relações um pouco mais transparentes. Confira abaixo algumas das principais pedradas e note como estamos “evoluindo” a passos largos no aspecto união.

FRASES

O fato de o Brasil não formar jogadores não é culpa dos atletas. Nunca tivemos tradição de termos bons técnicos e não vai ser agora que vamos ter. Como tem pouca qualificação de treinadores, fica difícil formar jogadores de qualidade.
(Thomaz Bellucci, acendendo o fogo)

A solução é pegar técnico de fora, pois quando se chega a jogar em alto nível, ficamos sem opção no Brasil. Se mais alguém chegar a ser Top 30 ou Top 20, será algo natural isso. Para mim, no Brasil, temos apenas o João Zwetsch [seu próprio técnico] e o Larri Passos.
(Bellucci, jogando um pouco de gasolina, logo antes de demitir Zwetsch)

Não precisa ser muito envolvido com o tênis para saber quem era seu maior alvo. Imagino que seu alvo preferido seja um ex-tenista que não perde uma oportunidade para sair na mídia, ele que é capaz de qualquer macaquice para se manter visível. O rapaz claramente tem suas divergências com o atual número um do país – dizem as más, ou seriam boas, línguas que por conta de ciúmes – e se decidiu por contundentes críticas após o fiasco em Chennai. Logo ele que ficava todo melindrado e nervoso quando ouvia qualquer crítica às suas inimagináveis pisadas de bola na mesma Copa Davis, algumas mais passíveis de críticas do que as que dirigiu a Bellucci. Mas, como dominava a mídia com bem mais facilidade do que o atual #1 do Brasil, acabou por torna-se um queridinho do público, que comprou o personagem e desconhece as suas reais características.
(Paulo Cleto, ex-capitão da Davis e desafeto de Meligeni)

Na boa, eu me nego a repercutir a entrevista dele. Não sei exatamente o motivo de ele ter feito e falado isso. Ou sei. Mas me nego.
(Meligeni, incrédulo com as palavras de Belllucci)

Ele não conhece história do tênis, mas deveria conhecer um pouquinho. O Brasil tem muitos técnicos bons. Fernando Roese está fazendo um belíssimo trabalho no Instituto Gaúcho, temos Marcos Hocevar, Mauro Menezes. Talvez esteja se sentindo o máximo por ser o melhor jogador do Brasil, mas não pode falar bobagem. Isso é coisa de moleque irresponsável – ressaltou. – Não é fábrica, em que se coloca três ingredientes e se faz um pão. Todo mundo tira o chapéu para ele, mas tem que ter um pouco mais de cuidado com o que fala. Pena que um cara que se destaca tem uma cabeça tão infantil para falar coisas tão sérias. Ele se expôs, mostrando o que tem na cabeça. Em vez de dar coletiva, vai aprender a volear…
(Carlos Alberto Kirmayr, ex-treinador de Gabriela Sabatini, chutando o balde)

Nós não estamos só dentro da quadra. Eu faço um trabalho de tênis com crianças, ajudo a difundir o esporte. E o que ele está fazendo? Está fazendo alguma palestra? Difundindo o esporte? É um jogador carismático por um acaso? Achei muito egoísta o comentário dele, está olhando só para a própria carreira. Eu acho uma pena o que ele falou, não tem nada de construtivo. Ele está tão envolvido na carreira dele, que não parou para analisar. Foi desnecessário.
(Mauro Menezes, também no contra-ataque)

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Como só se fala em outra coisa, eis que chegou a hora da terceira parte de (som da vinheta) “E se uma banda de rock virasse um time?” (aplausos). Vocês não podem deixar de perder!

No episódio desta quinta, a guitarra. São seis cordas: Mi, Si, Sol, Ré, Lá e Mi de novo. Os que dominam tal instrumento seriam escalados no setor de criação do meio-campo. Sem eles, nada teria graça.

Jimmi Hendrix foi o craque revolucionário. Mudou conceitos, criou novas jogadas e fez uma legião de seguidores.

Eric Clapton, clássico absoluto. Bebeu da fonte dos velhos boleiros do blues e jamais abandonou tais raízes, embora também tenha inventado seu próprio estilo e influencie gerações.

Outros craques são fáceis de citar. Alguns extravagantes, outros mais discretos. Mas todos dedicados a tirar das seis cordas jogadas inesquecíveis. Jimmy Page, Keith Richards, Jeff Beck, Santana, Mark Knopfler, Brian May, Angus Young, Slash e tantos outros nomes honrados.

Não curto tanto os rapidinhos, embora seja impossível deixar de citar o craque Eddie Van Halen. Já Joe Satriani, Steve Vai ou Malmsteen não tiram suspiros – embora tenham conquistado uma legião de torcedores.

Gosto dos guitarristas britânicos pós anos 70. Noel Gallagher, Will Sergeant, Robert Smith, John Squire…

Do Brasil? Sérgio Dias, Edgar Scandurra, Faíska…

Mas alguém aí quer saber meu preferido, além de Clapton? Quer? Quer? Se alguém levantou a mão, digo logo que é o George Harrison.

Não era tão virtuoso, mas tirou da guitarra algo que poucos sabem tirar de um instrumento: alma e coração. Acordes improváveis, fruto do mergulho na música indiana, melodias belíssimas e a arte de transformar o difícil em algo aparentemente fácil fazem de Harrison o meu camisa 10 da guitarra.

Obrigado, amigos. Até a próxima, com a quarta e última parte de (som da vinheta) “E se uma banda de rock virasse um time?” (aplausos). Espalhem entre amigos e vizinhos para que eles também deixem de ver!

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Vamos falar sobre os tecladistas e saxofonistas. Na minha analogia, eles estão para uma boa banda de rock/pop tal como os laterais ou segundos volantes estão para as equipes de futebol.

Podem atuar discretamente, sempre garantindo o brilho do arranjo geral. Ou ganhar destaque com solos e arrancadas virtuosas para o ataque.

Craques desta função? Se não fosse este um post sobre rock, seria impossível não falar em gênios do jazz como o saxofonista John Coltrane. Para muitos, ouvir Coltrane é uma experiência religiosa.

No mundo da música pop, considero Clarence Clemons um saxofonista marcante. O sessentão toca na E Street Band, de Bruce Springsteen, desde os anos 70 e manda pra lá de bem.

Os teclados têm vários gênios e certamente esquecerei de algum. Jerry Lee Lewis, Ray Manzarek (embora eu não goste de Doors), Billy Preston, Rick Wakeman e Jon Lord são nomes facilmente lembrados.

O advento dos sintetizadores e o surgimento de bandas como Kraftwerk (pioneiros da música eletrônica) revolucionaram o cenário. O teclado é também, portanto, um agente modificador do bom e velho pop. Tal qual os laterais que, também nos anos 70, passaram a apoiar o ataque.

Na próxima parte, falaremos dos guitarristas. Legítimos responsáveis pela criatividade no meio-campo.

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Na manhã desta terça-feira, um vídeo se espalhou rapidamente por sites brasileiros – eu vi pelo Tazio. Barrichello participa de uma brincadeira na TV espanhola. São perguntas sobre Fórmula 1 e conhecimentos gerais. A certa altura é perguntado quem são os principais candidatos à presidência do Brasil e responde “Serra e… a mulher… Como se chama a mulher?”.

Barrichello não sabe o nome de Dilma Rousseff, sentenciaram todos os sites, apontando o único ponto do vídeo que tinha algum interesse jornalístico.

Pelo Twitter, Barrichello se defendeu. Disse que o vídeo foi mostrado fora de contexto. “galeraaaa…cheguei no Brasil e vejo video que fiz com a TV espanhola colocado em alguns sites brasileiros”, disse. Em seguida, justificou. “o video eu gravei em maio deste ano quando nem a campanha eleitoral havia começado”, afirmou. E culpou a imprensa. “Infelizmente o Brasil ainda tem jornalistas oportunistas loucos pra se dar bem. Uma pena.”

A desculpa foi mal elaborada. Uma das perguntas a que Barrichello responde no vídeo é sobre o caso que envolve o goleiro Bruno e o desaparecimento de Eliza Samudio. O caso estourou apenas nos últimos dias de junho. Como lembrado por Ivan Capelli, ele também responde sobre o GP da Inglaterra, realizado dia 11 de julho, e sobre o British Open de golfe, encerrado uma semana depois. Não foi em maio, portanto, que aconteceu o quiz para a TV espanhola.

Barrichello não tem obrigação nenhuma de entender, saber ou gostar de política. Mas é uma figura pública e deveria saber que ser patriota (como ele tantas vezes diz ser) não é apenas dizer que ama o Brasil e dar sambadinhas no pódio. Ser patriota é ter interesse em se informar para contribuir para que este seja um país cada vez melhor.

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Se uma banda de rock virasse um time de futebol, não restam dúvidas sobre quem comporia o sistema defensivo. Seria, é claro, o pessoal da cozinha. Ou seja, o baterista e o baixista.

Grandes defensores, portanto? Ringo Starr, Paul McCartney, Jack Bruce, Ginger Baker, John Bonham, John Deacon, Neil Peart, Geddy Lee, Peter Hook e Simon Gallup são os meus preferidos.

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Antes que os Policarpos Quaresmas de plantão comecem a me xingar, explico: sei que há grandes bateristas e baixistas brasileiros. E curto muito deles. Mas, sim, este é um post “paga pau” pros gringos.

Gente que toca bateria ou baixo com a mesma maestria de grandes mestres lá da defesa, daqueles que figuram em qualquer grande lista de craques históricos. Yashin, Beckenbauer, Baresi, Maldini, Schmeichel e por aí vai…

Nesta quarta-feira, prosseguirei com o meu devaneio. Seriam os laterais e segundos volantes como tecladistas e saxofonistas? Ou seja, responsáveis por cuidar do brilho nos arranjos, e ainda capazes tanto de auxiliar na cozinha quanto em voos solo?

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Críticos de Schumacher costumavam dizer, no auge do alemão, que boa parte de suas conquistas era fruto da sorte. Era um sujeito de sorte, mesmo. Se um avião caísse em cima de um autódromo, de algum jeito aquilo o beneficiaria. Fernando Alonso venceu o chato GP da Coreia do Sul graças a colheradas cheias de sorte. Será coincidência que dois dos maiores pilotos da história tenham sorte? Não.

Campeões não são forjados apenas às custas de seu talento. O talento é mais de meio caminho, mas ele vem ajudado por uma dose de sorte. Que pode ser vista como azar do outro, o ponto de vista varia de acordo com o ângulo.

Em meados do campeonato deste ano, Alonso chegou a dizer que seria campeão. Virou motivo de piada. A Ferrari e seu carro meia boca, um piloto bem longe dos líderes. Mas o espanhol, como diz Flavio Gomes, é El Fodón de Las Astúrias. Venceu três das últimas quatro corridas e está na ponta. E venceu em Yeongam porque primeiro Webber rodou, bateu no muro e foi chorar no box, que é lugar seco. Depois, Vettel ficou sem motor, quando a vitória e a liderança do Mundial estavam dez voltas à frente. É a tal sorte do campeão.

Faltam duas corridas, apenas 50 pontos. Alonso tem o primeiro match point para conquistar seu tricampeonato. É difícil que aconteça no Brasil, mas o espanhol deve repetir o feito de Kimi Raikkonen e ser campeão em seu primeiro ano na Ferrari. E, se ganhar por menos de sete pontos, quem se lembrará da ordem da equipe que fez Massa lhe entregar a vitória na Alemanha?

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Tudo bem, não foi um lance decisivo. Tampouco foi a redenção de Ronaldinho Gaúcho, que pode voltar à Seleção Brasileira muito em breve sob as mãos de Mano Menezes – o técnico, aliás, andou o observando na Europa. Mas às vezes uma simples bola entre as canetas vale o ingresso. Foi o caso de uma jogada recente em que o craque aplica drible desconcertante no meio-campo, deixa o adversário com cara de pastel e faz lembrar os seus melhores momentos de Barcelona.

Veja abaixo o lance de futsal do ex-melhor do mundo, levantando a arquibancada na Itália.

Ah, como seria bom ter o velho Ronaldinho de volta…

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Já passa de meia-noite. E, portanto, o mundo inteiro já sabe que neste 23 de outubro Pelé completa 70 anos. Internet, jornais, TVs e rádios tratam do tema, exaustivamente, há semanas. Neste dia especial para o futebol, o blog lembra de outros momentos do melhor jogador de futebol de todos os tempos.

Presente de Natal
Pelé e Xuxa formaram um dos casais mais famosos da década de 1980. E foram protagonistas de um comercial-vergonha alheia de fim de ano para a São Francisco Imóveis. Quem foi o genial publicitário que teve essa ideia?

Pelé trapalhão
“Nasciments”, como Mussum chamou Pelé, teve vários momentos com Os Trapalhões. Em uma das melhores, o Rei foge da manjada pegadinha da torta na cara, do balde d’água e dos ovos. Pior para Tião Macalé. “Ih, nojento!”

Família Trapo
Em cena, no palco do Teatro Record, estão Jô Soares, Otello Zeloni, Ricardo Corte Real, Renata Fronzi e o incrível Ronald Golias, que ensina o craque do século a bater pênalti com paradinha.

Fuga para a Vitória
Com todo respeito, mas Pelé é tão ruim como ator que ao atuar ao lado de Sylvester Stallone no filme de 1982 faz o Rambo parecer um gênio da intepretação. O longa conta a história de aliados que enfrentam uma seleção nazista.

Que voz é essa, Pelé?
Rei também dos comerciais, Pelé aparece em uma propaganda latina para o Atari 2600. Aparece depois de Karim Abdul-Jabbar e de Mario Andretti, que parece ter muita intimidade com o clássico Enduro. Ótimo, mas que voz é essa, Pelé?

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