Não é a primeira vez que escrevo isso no Esporte Fino e aparentemente não será a última, mas vale repetir: desde a minha entrada no mundo do tênis, sempre escutei de diversas fontes, como jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas, que o sucesso do País no esporte da raquete e da bolinha passa por unir as pessoas em torno de um mesmo projeto.
Há quase dois anos, quando o espanhol Emilio Sanchez chegou para ser coordenador da CBT, pensou-se que havia chegado a hora. O próprio Emílio repetia que a união dos atletas, treinadores e ex-atletas era fundamental para fazer nossa participação no circuito internacional decolar.
Mas a verdade é que os períodos de calmaria se intercalam regularmente com brigas de egos e lavação de roupa suja via imprensa. E a gente continua num modelo em que cada um depende do próprio talento and that’s all. Em março, Fernando Meligeni disparou ferozmente contra Sanchez e a CBT, questionando até o salário do espanhol. Teve réplica, tréplica e carta aberta. Agora, a coisa piorou.
Há uma semana, nosso número 1, Thomaz Bellucci, criticou a falta de bons treinadores no País. Jogou no ventilador sem dó. E desencadeou uma troca de tiros por todos os lados. As palavras do paulista são injutas com muita gente competente que faz muito pelo nosso tênis. Mas ao menos tornaram as relações um pouco mais transparentes. Confira abaixo algumas das principais pedradas e note como estamos “evoluindo” a passos largos no aspecto união.
FRASES
O fato de o Brasil não formar jogadores não é culpa dos atletas. Nunca tivemos tradição de termos bons técnicos e não vai ser agora que vamos ter. Como tem pouca qualificação de treinadores, fica difícil formar jogadores de qualidade.
(Thomaz Bellucci, acendendo o fogo)
A solução é pegar técnico de fora, pois quando se chega a jogar em alto nível, ficamos sem opção no Brasil. Se mais alguém chegar a ser Top 30 ou Top 20, será algo natural isso. Para mim, no Brasil, temos apenas o João Zwetsch [seu próprio técnico] e o Larri Passos.
(Bellucci, jogando um pouco de gasolina, logo antes de demitir Zwetsch)
Não precisa ser muito envolvido com o tênis para saber quem era seu maior alvo. Imagino que seu alvo preferido seja um ex-tenista que não perde uma oportunidade para sair na mídia, ele que é capaz de qualquer macaquice para se manter visível. O rapaz claramente tem suas divergências com o atual número um do país – dizem as más, ou seriam boas, línguas que por conta de ciúmes – e se decidiu por contundentes críticas após o fiasco em Chennai. Logo ele que ficava todo melindrado e nervoso quando ouvia qualquer crítica às suas inimagináveis pisadas de bola na mesma Copa Davis, algumas mais passíveis de críticas do que as que dirigiu a Bellucci. Mas, como dominava a mídia com bem mais facilidade do que o atual #1 do Brasil, acabou por torna-se um queridinho do público, que comprou o personagem e desconhece as suas reais características.
(Paulo Cleto, ex-capitão da Davis e desafeto de Meligeni)
Na boa, eu me nego a repercutir a entrevista dele. Não sei exatamente o motivo de ele ter feito e falado isso. Ou sei. Mas me nego.
(Meligeni, incrédulo com as palavras de Belllucci)
Ele não conhece história do tênis, mas deveria conhecer um pouquinho. O Brasil tem muitos técnicos bons. Fernando Roese está fazendo um belíssimo trabalho no Instituto Gaúcho, temos Marcos Hocevar, Mauro Menezes. Talvez esteja se sentindo o máximo por ser o melhor jogador do Brasil, mas não pode falar bobagem. Isso é coisa de moleque irresponsável – ressaltou. – Não é fábrica, em que se coloca três ingredientes e se faz um pão. Todo mundo tira o chapéu para ele, mas tem que ter um pouco mais de cuidado com o que fala. Pena que um cara que se destaca tem uma cabeça tão infantil para falar coisas tão sérias. Ele se expôs, mostrando o que tem na cabeça. Em vez de dar coletiva, vai aprender a volear…
(Carlos Alberto Kirmayr, ex-treinador de Gabriela Sabatini, chutando o balde)
Nós não estamos só dentro da quadra. Eu faço um trabalho de tênis com crianças, ajudo a difundir o esporte. E o que ele está fazendo? Está fazendo alguma palestra? Difundindo o esporte? É um jogador carismático por um acaso? Achei muito egoísta o comentário dele, está olhando só para a própria carreira. Eu acho uma pena o que ele falou, não tem nada de construtivo. Ele está tão envolvido na carreira dele, que não parou para analisar. Foi desnecessário.
(Mauro Menezes, também no contra-ataque)