Do fundo do baú para novembro, 2010

José Mourinho

José Mourinho já é uma obsessão dos espanhóis. Assim como fora dos ingleses, italianos e, claro, dos portugueses. Um dia após sofrer sua maior derrota, o técnico do Real Madrid é manchete obrigatória em todos os periódicos esportivos.

Algumas destas manchetes têm um claro tom revanchista, ao melhor estilo “chupa, Mourinho!”. Outras, pelo caminho oposto, parecem implorar: “Mou, faça alguma coisa para nos vingar!”

É fácil entender a origem do facínio sobre o treinador. Mourinho tem uma autoconfiança fora do normal e a modéstia não faz parte do seu cotidiano. Uma de suas melhores frases (e há muitas delas) é aquela na qual, ainda no Chelsea, ele se considerou “special one”.

Agora, os que não gostam de Mourinho me respondam: o que de diferente um treinador português poderia fazer para ser respeitado em solo britânico? Além de ser competente, José Mourinho é esperto. Sabe que precisa chegar arrombando a porta para se fazer respeitar.

Portugal, ali no cantinho da península, deixou de ser realmente respeitado por franceses, ingleses e demais países ricos da Europa há séculos, desde que terminou a era das grandes navegações.

Um país envelhecido, empobrecido, letárgico e fornecedor de mão-de-obra barata aos vizinhos ricos que só voltou a despertar com a concretização da União Europeia e sua injeção de investimentos.

Este novo Portugal é aquele que Mourinho sabe representar: confiante, moderno, bonito e capaz de se fazer respeitar no resto do continente.

Se não for assim, voltará a ser engolido. Por isso, este gajo continuará a ser “special one”.

Foto: Uefa.com

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Uma triste característica da profissionalização do futebol é que os times pequenos têm cada vez menos espaço. Estaduais hoje são fardos que temos de suportar à espera do Campeonato Brasileiro. Times do interior do país não assustam mais ninguém. Muitos deles já estão sepultados, ou quase isso – alguém aí falou em Novorizontino, Moto Club e Remo?

Só há espaço para os grandes, para os times cheios de dinheiro, para aqueles em quem grandes empresas querem despejar seus milhões em troca de exposição, de identificação com um símbolo de sucesso e de conquistas. Os pequenos são cada vez menores e os grandes estão cada vez maiores. Os médios amargam o limbo. Fazem número e passam o ano vagando feito almas penadas pela tabela.

Na última sexta-feira, o profissionalismo e os milhões que tomaram o futebol fizeram mais uma vítima. Em nota, a TV Globo anunciou o fim do Tabajara Futebol Clube. Anos de má administração pelo Casseta & Planeta, grupo que não soube se renovar e fazia o mesmo humor na TV há 18 anos, foram decisivos para encerrarar as atividades do segundo time mais perdedor do país, atrás do Íbis.

Ficam na memória de torcedores, todos agora órfãos, os bons tempos de Marrentinho Carioca, morto tragicamente durante a Copa de 2006, quando injustamente não foi convocado por Parreira. Tabajara Futebol Clube, para sempre em nossos corações.

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Depois da rodada deste fim de semana, até o passante mais desatento sabe que o Fluminense tem um match point escancarado nas mãos para se sagrar o dono do Brasileirão de 2010. Basta vencer o rebaixado Guarani. No Rio de Janeiro. Com casa cheia.

Se o título do Fluminense se confirmar, será o segundo êxito do Tricolor das Laranjeiras em Campeonatos Brasileiros.

Se o título do Fluminense se confirmar, será a primeira vez em 26 anos que o Rio de Janeiro fatura a competição duas vezes na sequencia.

Se o título do Fluminense se confirmar, será o quarto triunfo de Muricy Ramalho em cinco edições.

Se o título do Fluminense se confirmar, será mais do que merecido.

Agora, se o título do Fluminense não se confirmar, esta será uma das maiores zebras da história.

E o líder do campeonato sabe, por experiência própria, que o futebol é terreno fértil para o imponderável.

Ninguém acredita que o Guarani possa impedir o título do Flu. Assim como, um ano atrás, ninguém acreditava que o time das Laranjeiras poderia escapar do rebaixamento.

Faltando 11 rodadas, o time ocupava a lanterna do Brasileirão, sete pontos atrás do último time fora da zona de descenso. Com uma arrancada invicta que rendeu sete vitórias e quatro empates, no entanto, Fred e companhia reverteram a situação, salvaram o clube e rebaixaram os matemáticos.

A lavada de alma de 2009, aliás, foi um contraponto à ducha de água fria de 2008, ano em que o imponderável também entrou em campo nos momentos mais cruciais para o Tricolor.

Na final da Libertadores daquele ano, parecia pouco provável que Flu conseguisse reverter a desvantagem sofrida no jogo de ida, no qual perdeu por 4 a 2 para a LDU. Quando os equatorianos abriram o marcador no jogo de volta, então, aí sim a disputa parecia encerrada… Mas os cariocas reagiram e marcaram três vezes, levando o duelo para a prorrogação. A torcida ficou eufórica e o rival, desmoralizado. Tudo pronto para a festa. Parecia que a virada não tinha volta. Mas o gol do título não saiu e a decisão foi para os pênaltis. Eis que na hora agá a artilharia carioca falhou e o sonho, que parecia tão próximo, acabou.

Coisas que só o futebol faz por você. Ou, talvez, contra você.

Mais do que controlar o Guarani, o Fluminense precisa controlar os nervos e conter o imponderável. Aí sim poderá repetir esta bela festa, entalada desde 1984, que está mais do que ensaiada.

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Como muita gente já sabe, os chineses utilizam dois ideogramas para expressar aquilo que por aqui entendemos como crise: um significa “risco” e o outro, “oportunidade”. E é sobre essas duas vertentes, aparentemente contraditórias, que a sorte e o futuro do Rio de Janeiro hoje se equilibram.

Tanques, armas e guerra jamais são bons prenúncios. São, isso sim, sinal de que há algo muito errado. E de que os riscos são imensos. Mas, no meio de tanta coisa a se lastimar, dá pra ver o copo meio cheio e perceber que o cenário estabelecido na capital fluminense conjuga fatores que representam uma oportunidade de ouro para resgatar a dignidade de uma cidade a quem já se chamou, com justiça, de Maravilhosa.

Às vezes é necessário uma grande causa ou um grande projeto para unir a população em torno dela. Nos Estados Unidos, até o intragável Bush filho arrebatou popularidade astronômica logo após os atentados de 2001. Afinal, naquele momento não existiam mais democratas e republicanos, urbanos e rurais, negros e brancos. Existia um sentimento único de nação que queria se reerguer do golpe que levara. As diferenças do vizinho eram menos relevantes do que a semelhança de pertencer a uma mesma bandeira.

A situação no Rio de Janeiro tem alguns ingredientes parecidos. Desta vez, no meio de tantos holofotes e poderes envolvidos, não interessa quem é PT e quem é PSDB; não há cisão entre as polícias civil, militar e federal ou entre exército e Marinha; tampouco há oposição estruturada da imprensa; e muito menos rejeição das comunidades – que, dizia-se, costumava repelir o Estado em benefício do tráfico, que era afinal quem fornecia proteção e benfeitorias aos moradores. No meio de tanta diversidade de interesses e preferências, agora acima de tudo as pessoas querem paz e justiça para construir um Rio de Janeiro melhor. Ao menos é essa a vibração que chega a quem está assistindo e acompanhando via noticiário e via depoimentos.

É nesse clima que dentro de uma semana o Rio de Janeiro pode completar sua volta por cima também no esporte e comemorar o seu segundo título seguido no mais importante campeonato nacional. Lembre-se que o futebol já foi a perfeita tradução da decadência das instituições do estado. Quem acompanhava o noticiário esportivo era levado a pensar que os clubes locais jamais se reergueriam, tão falidos estavam, tanto moralmente quanto financeiramente. Mas aquilo que foi a perfeita tradução da decadência carioca talvez agora seja um pequeno sinal da sua refundação.

Assim como o Brasil deixou de ser o país do futuro para finalmente ser o país do presente, talvez tenha chegado a hora de o Rio deixar de viver de suas glórias de um tempo que já foi e se orgulhar de uma realidade maravilhosa da qual se pode desfrutar aqui e agora.

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Vestiario Palmeiras

Pegue uma planta bem verdinha e a deixe por semanas sem água e no escuro. É mais ou menos o que está ocorrendo com o Palmeiras há décadas.

Os jardineiros infiéis, no caso, são os dirigentes do clube. Gente ultrapassada e vaidosa, que não tem outra coisa em mente que não o apego ao poder. Isso vale para situação e oposição.

Trata-se, a grosso modo, de um grande PMDB. Todos supostamente abrigados sob um mesmo guarda-chuva ideológico (o amor ao Palmeiras), mas na verdade protagonistas de tantas contradições e viradas de mesa que seriam capazes de dar inveja aos piores congressistas.

Para complicar, todos são reféns de uma das torcidas organizadas mais intolerantes e violentas do país. Ou alguém já se esqueceu do professor Belluzzo conclamando tal torcida a “matar os bambi”??!?!?

Essa mistureba só não deixou o Palmeiras em situação ainda pior porque durante a década de 90 a Parmalat resolveu cuidar do jardim. Adubado por muito dinheiro e o profissionalismo imposto pela multinacional, o futebol do clube virou exemplo para o país os títulos vieram a rodo.

O triste para clube e torcida é que ninguém teve a iniciativa de aproveitar o embalo da Parmalat e criar no clube um colchão de estrutura capaz de manter o bom momento quando a fabricante de laticínios fosse embora.

No próximo mês de janeiro, há eleições presidenciais no Palestra Itália. Arnaldo Tirone é o único nome já confirmado. Ligado à oposição e ao ex-presidente Mustafá Contursi, está longe de simbolizar algo novo.

A situação, pasme, está dividida. Paulo Nobre, o Palmeirinha (piloto de rali) quer ser o representante do “novo”, do profissionalismo. Esbarra, porém, no desejo do poderoso (e ultrapassado) Salvador Hugo Palaia, que capitaliza muitos nomes e quer concorrer por puro capricho.

Luiz Gonzaga Belluzzo, que decepcionou a gregos e troianos ao não mostrar a menor habilidade política para jogar água na fervura do clube, seria outra opção.

Como se vê, o mês de janeiro é tão importante para o futuro do Palmeiras quanto uma final de Mundial.

Que os seguidores do Palestra Itália se iluminem. Os Chiarella (família da minha saudosa avó materna) agradecem.

Foto: Divulgação Comcept/Adidas

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Entra ano, sai ano, a Conmebol continua com sua atuação vergonhosa no que diz respeito à Copa Libertadores. É certo que o torneio não tem os craques que desfilam na Champions League, e nem o glamour do torneio europeu, mas se todos os pontos positivos da competição fossem aproveitados ao máximo, a Libertadores estaria num patamar de prestígio muito mais alto.

Ontem a Conmebol realizou o sorteio e entre os adversários dos clubes brasileiros estão “Ganador G3″, “Ecuador 2″ e “Paraguay 2″. Isso seria motivo de risada se não fosse um vexame, pois mostra o total descaso com a competição mais importante do continente. O sorteio – que na Copa do Mundo e na Champions League é cercado de expectativa – na Libertadores é o anticlímax total.

Os técnicos estão mais preocupados em confirmar a classificação, a imprensa tem dificuldade para analisar e o início de uma nova Libertadores, que poderia ter uma repercussão gigante, fica com o peso de uma Copa São Paulo.

Isso sem contar a bandalheira que foi a transformação da Copa Sul-Americana no “caminho mais ridículo para a Libertadores”; a participação nonsense dos mexicanos; e o regulamento deste ano, que tinha dois mexicanos – eliminados pelo H1N1 em 2009 – diretamente classificados para as oitavas.

Quando o torneio começa, tudo igual. Para ajudar as emissoras do continente, a Conmebol detona sua própria competição. Espalha os jogos de terça a quinta, sem perceber que as partidas juntas dariam um peso muito maior para a competição, com um noticiário concentrado, e tornando mais “raro” o jogo da Libertadores.

No fim das contas, a Libertadores é um torneio lucrativo para os clubes, mas poderia ser muito mais. Poderia ser o carro-chefe das transformações que o futebol continental precisa. Acreditar que nossos dirigentes transformação a competição para melhor é, infelizmente, ser um nefelibata.

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Muito legal essa ideia da diretoria do Bahia de transferir para a capital paulista o último jogo da equipe na Série B de 2010.

Para quem não sabe, o Tricolor baiano vai enfrentar o Bragantino no próximo sábado, às 17h, no Estádio do Morumbi. Como o time já está garantido na Série A do próximo ano, mas sem chances de tirar o título do Coritiba, o pessoal do marketing espera uma grande festa em terras paulistas.

Espera-se que o Morumbi seja tomado por pelo menos 30 mil torcedores. Dava para apostar em ainda mais gente. Afinal, há – segundo estimativa fornecida pelo próprio Bahia – cerca de 800 mil baianos morando em São Paulo. Isso sem falar em filhos e netos de baianos, além de simpatizantes nordestinos.

Pessoas cujo RG comprovem o nascimento na Bahia vão pagar meia entrada para toda a família. E o torcedor associado que moral no maior estado do Nordeste terá vantagens especiais no preço da passagem aérea.

O programa foi batizado de “Invasão Esquadrão de Aço” e oferece ainda um show do cantor Ricardo Chaves antes do jogo, no Morumbi. O próprio torcedor associado do São Paulo que quiser conferir a festa também vai pagar meia entrada.

Confira abaixo um vídeo no qual o meia Jorge Wagner, revelado pelo Bahia, convoca a torcida para comparecer ao jogo deste sábado, no Morumbi.

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River Plate x Boca Juniors

Na terça-feira da semana passada, River Plate e Boca Juniors se enfrentaram no Monumental de Nuñez e, por uma sorte de turista, eu estava em Buenos Aires. A conclusão é que River x Boca, ao mesmo tempo em que é inesquecível, não é muito diferente de um São Paulo x Corinthians ou de um Flamengo x Vasco.

Como todo torcedor sul-americano, eu sei que ir ao estádio é assumir o risco de ser roubado ou espancado, então, resolvi comprar um “pacote turístico” para ver o jogo em segurança. O preço – 390 pesos (R$ 170) – era assustador, mas pior era a perspectiva de estar em Buenos Aires e perder o superclássico.

De pronto, ficou claro o lado sul-americano da Argentina. O ônibus que levou a turistada era precário, a parada para o almoço era um quiosque nojento chamado “Bizarro” cujo banheiro eram as árvores, o “guia” raramente se comunicava com os turistas e o ingresso, de sócio, tinha a inscrição: “proibida a venda”.

Na chegada ao Monumental (abaixo, visto de fora), tudo como aqui. Torcedor tratado como lixo, esquema especial para as organizadas entrarem no estádio, filas gigantes, empurra-empurra, espertinhos furando a fila. Uma diferença notável: a polícia de lá pareceu mais educada.

River Plate x Boca Juniors

Dentro, o espetáculo das torcidas foi muito bonito, ainda mais porque lá bandeiras, guarda-chuvas, instrumentos e sinalizadores são permitidos, o que não acontece no Brasil. Como já deixei claro aqui, sou favorável ao fim das organizadas, e os uniformizados do Boca mostraram por que eu tenho razão.

Após o gol do River, acenderam seus sinalizadores amarelos – um lindo espetáculo – mas começaram a jogá-los no anel inferior, onde estavam torcedores do River, na clara tentativa de provocar um incêndio, que por pouco não ocorreu.

River Plate x Boca Juniors

Do lado do River, os barras bravas Borrachos del Tablón mandavam bala na festa com gritos de guerra como “Que se mueran todos los bosteros / que se mueran para siempre / para toda la alegría de la gente / Solo le pido a Dios” e não se cansavam de chamar os torcedores do Boca de “negros”, “Bolivia” e “Paraguay”, enquanto o locutor oficial pedia para que músicas racistas não fossem cantadas.

River Plate x Boca Juniors

Um outro grito menos pior é o que relaciona o torcedor do Boca com o crime, gravado no vídeo abaixo, e cuja letra é “Che bostero, mirá que distintos somos / ustedes van con la yuta, nosotros aguantamos solos / Che bostero qué diferencia que hay, acá no hay banderas negras, y la hinchada no se va! / Vos sos vigilante, esa es la verdad, venís custodiado al Monumental / Los pibes de River a la Boca van todos caminando sin la federal”.

Enfim, River Plate x Boca Juniors é um ótimo programa turístico, um grande espetáculo do futebol, mas que, como no Brasil, deixa claro diversos problemas da sociedade que extrapolam o mundo esportivo.

Fotos e vídeo: José Antonio Lima

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Às vezes eu me canso do futebol. Na verdade isso tem ocorrido com frequência.

Para resgatar o amor pelo maior dos esportes recorro à memória afetiva. Ah, o futebol nos tempos em que o negócio era ganhar e somar pontos. Dos tempos em que os jogadores eram gente de carne e osso e não seres robotizados.

E não há cenário maior e mais belo em minha memória afetiva do que o Morumbi. Por favor, não venham me chamar de Juvenal Juvêncio (aliás, não vou mais falar em cartolas para não estragar este post), mas o fato é que tenho um baita orgulho deste estádio.

Cheio de defeitos, sim, mas grande e – durante décadas – aberto a todas as torcidas. Quando fui ao estádio pela primeira vez, foi lá que meu pai me levou.

No Morumba vi meu time ganhar e perder Libertadores, Paulistas e Brasileiros. Ganhar e perder clássicos e jogos menores. Chorei, gargalhei, tive medo, sempre ao lado de bons e queridos amigos e do meu irmão.

E aquelas curvas aparentemente frias de concreto sempre estavam lá, para me gerar orgulho e uma ingênua sensação acolhedora.

Na noite da última segunda-feira, voltei a sentir um carinho tremendo pelo Cícero Pompeu de Toledo. Sim, porque outra vocação da casa são-paulina é receber grandes bandas/artistas de rock e do pop.

Lá tocaram o Queen, o Kiss, o U2, Michael Jackson, Madonna e, a partir de agora, Paul McCartney.

Enquanto ia embora do inesquecível show do Macca, ainda com lágrima nos olhos, vi uma família cantando unida “Timão, e ô! Timão, ê o…” Quase retruquei, brincando: “Estão no lugar errado!”

Felizmente desisti. Let it Be! Casa boa é aquela que acolhe bem a todos, motivo de orgulho mais uma vez.

O querido Morumba foi cenário de uma noite inesquecível da minha vida. E da de milhares de paulistanos.

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A novela que vive o futebol brasileiro neste momento não é inédita, tem cara de Vale a Pena Ver de Novo. Torcedores desejando que seus times percam para que o um arqui-rival não seja favorecido, suspeitas da tal da mala branca. Nada disso é novidade. Mas usar este estado de coisas como argumento contra os pontos corridos é uma espécie de golpe ideológico.

Este blogueiro é a favor dos pontos corridos, sistema usado no Campeonato Brasileiro desde 2003. Porém, não está entre aqueles que enxergam nos defensores do mata-mata inimigos da nação. Mas é preciso pontuar corretamente este texto que todo fim de ano é escrito na maior competição do país.

Se o Corinthians não for campeão, não será porque o São Paulo perdeu para o Fluminense – não cabe aqui julgar se o tricolor paulista fez corpo mole para o tricolor carioca. O Alvinegro, caso não conquiste a taça, a terá deixado escapar porque empatou com o Vitória, em Salvador. Mas não apenas isso. Outros resultados terão tirado o campeonato do Parque São Jorge. O Corinthians empatou por 2 a 2 contra o Prudente, mesmo placar do jogo contra o Ceará no Pacaembu. E as duas derrotas para o Atlético-GO, de quem sofreu um total de sete gols?

Seria perfeitamente normal que o alvinegro tivesse vencido as quatro partidas citadas. E, neste caso, já seria pentacampeão brasileiro, com nove pontos de vantagem para o Fluminense. É óbvio de se dizer, mas parece que se esquece que nos pontos corridos o resultado da primeira rodada tem o mesmo valor da última. Ano que vem, os rebaixados, derrotados e os que não conseguirem alcançar seus objetivos que passem a tratar com mais carinho a competição desde maio.

Ainda sobre a bobagem de relacionar supostos jogos propositalmente perdidos com o sistema de pontos corridos, recomendo a leitura de bom post no Blog do Laguna.

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