
José Mourinho já é uma obsessão dos espanhóis. Assim como fora dos ingleses, italianos e, claro, dos portugueses. Um dia após sofrer sua maior derrota, o técnico do Real Madrid é manchete obrigatória em todos os periódicos esportivos.
Algumas destas manchetes têm um claro tom revanchista, ao melhor estilo “chupa, Mourinho!”. Outras, pelo caminho oposto, parecem implorar: “Mou, faça alguma coisa para nos vingar!”
É fácil entender a origem do facínio sobre o treinador. Mourinho tem uma autoconfiança fora do normal e a modéstia não faz parte do seu cotidiano. Uma de suas melhores frases (e há muitas delas) é aquela na qual, ainda no Chelsea, ele se considerou “special one”.
Agora, os que não gostam de Mourinho me respondam: o que de diferente um treinador português poderia fazer para ser respeitado em solo britânico? Além de ser competente, José Mourinho é esperto. Sabe que precisa chegar arrombando a porta para se fazer respeitar.
Portugal, ali no cantinho da península, deixou de ser realmente respeitado por franceses, ingleses e demais países ricos da Europa há séculos, desde que terminou a era das grandes navegações.
Um país envelhecido, empobrecido, letárgico e fornecedor de mão-de-obra barata aos vizinhos ricos que só voltou a despertar com a concretização da União Europeia e sua injeção de investimentos.
Este novo Portugal é aquele que Mourinho sabe representar: confiante, moderno, bonito e capaz de se fazer respeitar no resto do continente.
Se não for assim, voltará a ser engolido. Por isso, este gajo continuará a ser “special one”.
Foto: Uefa.com
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