Do fundo do baú para fevereiro, 2011

Já se tratou aqui neste blog sobre a agonia do automobilismo brasileiro. Falta de categorias de base, kart como brinquedinho para filhinhos de papai milionários e péssima administração da confederação são os três principais motivos. Na semana passada, duas figuras importantes deram declarações importantes sobre o tema. Em comum, ambos apostam que o fim vai chegar.

Primeiro foi Felipe Massa. Ao O Estado de S.Paulo, afirmou que em alguns anos não haverá brasileiros na Fórmula 1. Massa lembra da ida de muitos pilotos para os carros de turismo. Consequência direta da falta de categorias de monopostos, como a Fórmula Chevrolet, em que ele se formou, ou Fórmula Ford, de onde saíram Senna e Barrichello, para citar dois.

Na sexta-feira, foi João Paulo de Oliveira, piloto de carreira notável no Japão, campeão da F-3 sul-americana, alemã e japonesa, desempenho excelente em monopostos, carros de turismo e protótipos. Em seu blog, bateu pesado e colocou para fora as vísceras do automobilismo. “A realidade é que estamos entrando em extinção. O automobilismo está numa descida em ponto morto e sem freio de mão”, diz.

Àqueles que gostam de Fórmula 1 apenas para torcer por pilotos brasileiros, que aproveitem bem. Porque não vai durar muito tempo.

Compartilhe!

Nesta semana o noticiário esportivo deu voz a cartolas de todas as correntes para que exprimissem seus pontos-de-vista, fizessem seus desabafos e falassem dos seus sonhos e aflições. O contexto, como vocês sabem, é a briga fratricida entre clubes, CBF, Clube dos 13 e todo mundo que tem algum tipo de poder no futebol nacional. Essa cobertura da política esportiva é necessária, mas geralmente resulta em matérias chatas e que têm o efeito colateral de tornar público os teatrinhos, sorrisos falsos e lágrimas de crocodilo da cartolagem brasiliana.

Para driblar o desgosto de todo dia me deparar com esse joguinho deprimente, listei algumas das notícias que gostaria de ler nos próximos dias nos cadernos de Esportes. Não custa sonhar com um noticiário mais feliz. Eis então, passo a passo, meu roteiro ideal para a briguinha que assola a elite do futebol brasileiro.

Passo 1 - Juvenal recua da sua vontade de se perpetuar na gestão do São Paulo e permite que a tradição democrática do clube volte a reinar. Em paz com a Rede Globo, ele fecha contrato com a emissora, onde começa a atuar nas novelas de época da programação das 18h. Raí assume a presidência no Morumbi e como primeira medida manda uma leva de jogadores cai-cai embora.

Passo 2 –Andrés Sanchez se cansa do trabalhão que dá gerir um clube com a importância do Corinthians e abandona de vez o futebol quando recebe proposta de Pasquale Cipro Neto. Os dois se juntam para fundar uma consultoria especializada em ensinar o português culto para executivos nos quatro cantos do País. “A gente estar vai estar fazendo uma longa turnê do Oiapoque ao Chuí”, garante.

Passo 3 - São Paulo e Flamengo anunciam em conjunto que vão leiloar a Taça das Bolinhas e destinar os recursos arrecadados a uma instituição beneficente. “Não interessa se é de ouro, diamante ou bolinhas. O troféu não vai mudar o valor das conquistas do Flamengo e do São Paulo Futebol Clube, que são indiscutíveis e muito mais valiosas do que uma taça”, diz nota de Patrícia Amorim e Raí.

Passo 4 – Fabio Koff dá continuidade à renovação da cartolagem e troca de vez o Clube dos 13 pelo seu novo consultório, onde ministrará aulas de canto lírico e sessões de fonoaudiologia. “É um sonho, cai como música nos meus ouvidos”, afirma o ex-dirigente, com voz aveludada.

Passo 5 – O executivo Ronaldo Nazário assume o Clube dos 13 e na primeira tacada muda o nome da entidade, que já não faz mais sentido. O grupo passa a se chamar Liga Independente do Futebol Brasileiro e recebe de braços abertos qualquer agremiação que esteja disposta a colocar na mão dos clubes, e não da CBF, a gestão do nosso esporte.

Passo 6 - O racha que assola o futebol nacional, no entanto, continua e dois campeonatos distintos definem seu calendário para 2012. Fortalecida, a liga de Ronaldo Nazário conta com os times mais populares do País e se organiza para atuar em linha com o calendário europeu. A CBF mantém seu formato de sempre e aposta suas fichas numa competição com os únicos times que ainda a apoiam: Grêmio Prudente, Americana, Roma, Pão de Açúcar e Sondas.

Passo 7 - A Liga Independente fecha as cotas de TV com Globo e Record e determina que não haverá jogos de semana começando após as 20h. Para se adequar ao que pé melhor para o torcedor, a Globo aceita mudar sua programação: Jornal Nacional às 19h30, futebol às 20h e novela às 22h. Por falta de espaço na grade, a emissora anuncia o fim do Big Brother.

Passo 8- Ricardão Teixeira se diz vitorioso em entrevista a Juca Kfouri e ressalta que essas cinco potências emergentes que seguem leais à CBF possuem um projeto e representam o futuro do futebol brasileiro.

Passo 9 - Antes de intermediar a negociação da cota de TV dos cinco clubes com o Canal Universitário, Teixeira marca sua despedida da CBF. Para felicidade geral da nação, Ricardão jura que seu ciclo no futebol está encerrado e que não voltará a palpitar nesse gramado. Tomado pela paixão por um novo esporte, ele dedicará todo seu tempo a montar a Confederação Brasileira de Curling. O cartola já negocia com o ministro Orlando Silva um pacote de apoio ao jogo de inverno. E não esconde que convida @fchiorino para ser o coordenador técnico da CBC no Rio de Janeiro e em todos os lugares onde houver uma cozinha e uma chaleira.

Assim já está bom. Só faltou um “ e todos foram felizes para sempre”.

Compartilhe!

Por Luis Augusto Simon
Repórter da revista ESPN

Wagner Ribeiro, agente de Lucas e Neymar, diz, sem medo de errar, que está acertando com mais um jogador de alto nível. É o volante Gabriel, do Resende. “Estive com ele na segunda. Conversei com o garoto, o pai, a mãe, o irmão e o cachorro. Está quase tudo certo. Joga muito, todo mundo vai conhecer agora”.

Elogios são no estilo Wagner. “Ele tem 17 anos e 1m86. É volante que une força e técnica. Sabe desarmar e sabe ir para o jogo. É para chegar em qualquer time do Brasil, pegar a camisa titular e jogar. É um fenômeno que acabou com Ronaldinho Gaúcho e com o Carlos Alberto, do Vasco. O Ronaldinho pediu para o Fla ficar com ele. Os quatro grandes do Rio querem o menino e já tenho duas ofertas de São Paulo também”, afirma.

Enquanto não acerta com a nova estrela, Wagner tenta salvar a carreira de alguém que elogiou muito e que não decolou. “Estou trazendo o Lulinha de volta. Ele está no Olhanense, mas ninguém olha para esse time, não serve de vitrine. Falei com o Angioni, no Bahia, e ele aceitou contratar o garoto. Falei com o Andrés, que vai pagar parte do salário. Ele vai arrebentar no Bahia e recuperar a carreira”.

Um garoto que ainda não vingou. Outro, que é pintado como gênio. Seja qual for o fim da história, o empresário ganha.

Compartilhe!

Já se vão 12 dias desde que o Sul-Americano Sub-20 acabou, mas um lance bizarro acabou escapando, pelo menos dos meus olhos. Na última rodada, Equador e Chile faziam uma partida decisiva, na qual o Chile precisava da vitória de qualquer forma para ficar com a quarta vaga no mundial. Perdendo por 1 a 0, Bryan Carrasco colocou em prática uma simulação turbinada. Pegou a mão de Fernando Gaibor e jogou-a contra seu rosto. O juiz deu falta para o Chile, mas pelo menos não deu cartão para o coitado do Gaibor…

Já no domingo passado, na Holanda, Ahmed Ammi, do ADO Den Haag, surtou e deu uma cotovelada na cara do japonês Ryo Miyaichi, do Feynoord. E, incrivelmente, Ammi levou apenas o cartão amarelo.

Ambos os vídeo, via DirtyTackle

Compartilhe!

Na política, a frase em latim divide et impera é famosa para designar uma forma de assumir e manter poder sobre os outros. A origem do conceito político é disputada, mas no futebol brasileiro há um mestre em colocar em prática a tática de dividir para governar: Ricardo Teixeira, o presidente da CBF.

Nos últimos tempos, Teixeira vem promovendo a divisão entre os membros do Clube dos 13 por meio da ressurreição de títulos passados. Se quando “validou” a Taça Brasil e o Robertão ainda era possível dizer que a reivindicação dos clubes era embasada em supostas provas e dossiês, este episódio da maldita Taça das Bolinhas deixa claro o divide et impera.

Em abril de 2010, o Flamengo de Patrícia Amorim apoiou Fabio Koff (rival de Teixeira, atualmente) para a eleição do C13. O mesmo fez o São Paulo, cujo apoio Teixeira já sabia que não teria. Depois da eleição, a Assembleia Geral da CBF anunciou que a taça pertencia ao São Paulo.

Passado quase um ano, o São Paulo foi buscar a dita cuja na Caixa Econômica Federal. E, dias depois, surpresa, o Flamengo é campeão brasileiro de 1987, o que o ESPORTE FINO havia previsto ainda em abril de 2010. Também de forma surpreendente, dias depois, o maior aliado de Teixeira no C13, Andres Sanchez, o presidente do Corinthians, decide ficar revoltadinho contra a administração de Fabio Koff.

A CBF ruiu o Clube dos 13, que pode se esfacelar nos próximos meses. Divididos, os clubes terão mais dificuldade de lidar com a confederação e com as emissoras de TV. A independência do C13 era a melhor possibilidade que o futebol brasileiro tinha de sair do marasmo, mesmo com os cartolas lixescos que somos obrigados a aturar. Agora, ficou difícil até ser otimista. Estamos ferrados.

Compartilhe!

Muito bacana essa ideia do Fantástico, de dar ao jogador que marca três gols numa partida (hat trick!), o direito de escolher uma música.

Fico, no entanto, imaginando como ficaria a cara do Tadeu (irmão do Oscar) Schmidt se nossos boleiro fugissem do lugar comum. Ah, seria impagável….

- Tadeu Schmidt: Diego Tardelli! Três gols pra cima do Democrata, pode escolher música! Diz aí, Tardelli!

Tardelli: Eu queria ouvir o tema da Noviça Rebelde, com a Julie Andrews! Tamo juntoo!

- TS: Olha aí o Neymar! Marcou três gols sobre o Mogi Mirim e aqui é assim, você sabe: fez três gols pede música. Manda aí, Neymar!

Neymar: O concerto número 3 do Rachmaninov! Admiro muito esse cara! Nota 10 na resenha!

- TS: E o Ronaldinho Gaúcho finalmente desencantou. Três gols no Olaria. Pode pedir sua música, Ronaldinho.

Ronaldinho: Moon River, com a Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, Tadeu! Valeuu!

- TE: E adivinha só quem fez três gols hoje? Ele mesmo, o Borges! Grêmio 4 x 0 Caxias com três gols do Borges! E aí, Borges, o que você quer ouvir no Fantástico?

Borges: Tô muito feliz, graças a Deus, e eu vou querer ouvir In-a-Gadda-da-Vida, com o Iron Butterfly.

- TE: E o Dagoberto também balançou a rede três vezes hoje. Tava inspirado o Dagoberto… Então já sabe, pede música. Pode pedir!

Dagoberto: Eu quero ouvir a Internacional Socialista inteira, porque tá na hora da gente se preocupar com as vítimas da fome e os famélicos da terra…

Compartilhe!

Lamento escrever isso. Mas neste episódio do título de 1987, Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, aceitou fazer o papel mais ultrapassado do futebol brasileiro. Um papel que sempre fora exercido por homens de visão pequena, que provavelmente veem com desconfiança a chegada de mulheres ao poder.

E o pior de tudo é que a máxima dirigente do clube da Gávea se gabou por ter recebido a bênção do Ricardo Teixeira e ganhar de presentinho um título que todo mundo sabe que é do Flamengo. “Desculpa o meu desabafo. Mas se ainda tinham alguma dúvida da minha competência e do Conselho Diretor de lutar a favor do Flamengo, ela acabou.”

Triste, presidente. Sua competência não pode ter como termômetro uma manobra política. Ou ninguém de sua gestão percebeu que o Flamengo teve o título reconhecido para se afastar dos que fazem oposição à CBF no Clube dos 13?

“O Flamengo não ficou confortável com o posicionamento do Clube dos 13 no fim do ano passado e muito desconfortável com o São Paulo, de quem o Flamengo foi parceiro na eleição do Clube dos 13. É uma rusga, ainda não é uma ruptura”, disse a presidente do Flamengo, deixando claro que sabe, sim, onde está pisando.

Voltando ao assunto, para não acusarem este texto de bairrista ou partidário de algum clube: qualquer um que entende um mínimo de futebol vê o Flamengo como legítimo campeão brasileiro de 1987. A Copa União era o que importava! O Sport ganhou um módulo com times menos expressivos, mas também merece ser considerado campeão. Tudo bem.

Ou seja, dane-se a posição da CBF! O que se comemorou hoje não foi a conquista de um título, e sim um beija-mão. Lamentável.

Prefiro encerrar este texto com as palavras do ex-volante Andrade. Campeão pelo Fla como jogador e técnico. “Não cabe a nós fazer festa nenhuma agora, já que nunca tivemos dúvidas sobre o nosso título. Não faz sentido comemorar tanto tempo depois…”

Já aos dirigentes do São Paulo, fica o apelo para que entreguem logo essa Taça das Bolinhas ao Flamengo. Pouco importa. E esse assunto chato chega ao fim.

Compartilhe!

Bernie Ecclestone, perdoem o clichê, não veio nesta vida a passeio. De dono de equipe na era paleozóica da Fórmula 1, ou quase isso, virou um dos homens mais ricos do planeta ao profissionalizar a categoria. Hoje é praticamente dono da bagaça toda, diria um amigo meu.

Se a F-1 cresceu até o patamar que se encontra hoje, deve muito a este tiozinho de 80 anos, cabelo esquisito, mais ou menos 1 metro e 30 de altura e que, dizem, tomava um pau da mulher. Mas o crescimento da categoria tem um lado ruim. A F-1 tornou-se antipática, se afastou do público e vê a si mesma como tesouro universal. Seu lema poderia ser “O Santo Graal somos nós”.

A F-1 se isola de tal forma do mundo, que a duas semanas da abertura do Mundial, no Bahrein, Ecclestone praticamente se recusa a falar a respeito do conflito que levou milhares às ruas, parte da maioria xiita que protesta contra a monarquia sunita. Foram reprimidos, agredidos, pessoas morreram. Bernie se cala.

Alega o pequeno inglês que a F-1 jamais se meteu em questões políticas. Verdade. E talvez esteja certo. Mas o que acontece no Bahrein, e em grande parte do Oriente Médio e países árabes, não pode ser ignorado. Colocar um símbolo ocidental como a F-1 para correr neste momento no centro desta revolta popular de proporções jamais vistas, é arriscar a vida de todos os que nela estão envolvidos e mais ainda da população do país.

A corrida do Bahrein já deveria ter sido cancelada, ou ao menos adiada por tempo indeterminado, como aconteceu com etapa da GP2 Ásia. Ecclestone, porém, deixa a decisão nas mãos do príncipe herdeiro do Bahrein. O mesmo que o povo quer ver pelas costas. “Ele vai saber se é seguro pra nós”, disse à BBC. É de um ridículo sem igual.

Enquanto Ecclestone tira seu extrato e repousa sua xícara de chá sobre o noticiário internacional – em vez de fazer uma leitura atenta – outros tantos preferem um incômodo silêncio, os pilotos, principalmente. E quem se salva, no fim, é Mark Webber, que falou aquilo que o dono da categoria deveria ter dito. “Pessoas estão perdendo a vida, e isso é uma tragédia. Não é o melhor momento pra ir ao Bahrein com com um evento esportivo, as pessoas por lá têm coisas mais importantes a pensar que uma corrida de F-1″, disse. Entendeu, Bernie?

Atualização: Na tarde desta segunda-feira, os organizadores da prova anunciaram que não há condições de garantir a segurança da corrida e a etapa foi cancelada. A abertura do campeonato será dia 27 de março, na Austrália.

Compartilhe!

Certo, vamos celebrar que os clubes brasileiros, neste século 21, descobriram a existência do marketing. E uma das peças usadas pelos clubes são miniaturas de seus principais ídolos. Parece uma febre ou, na verdade, uma praga.

Uma praga porque os bonecos nacionais, à diferença dos feitos lá fora, são feios de dar dó. Pegue apenas a cabeça do Ronaldo e do Valdívia e pergunte a um torcedor quem são os jogadores. Talvez o Fenômeno seja identificado pelos dentes, só isso. Como Neymar pode ser identificado só pelo penteado moicano.

Os alienígenas fantasiados de craques custam R$ 59,90, aparentemente feitos pelo mesmo fabricante. Se tiver filhos, não deixe por aí. Pode traumatizar a criança.

Compartilhe!

O ótimo blog do Ricardo Perrone, hospedado no UOL, traz neste domingo uma informação que resume um dos grandes problemas do futebol brasileiro: a falta de informação e de esclarecimento dos nossos atletas.

Perrone conta que por essa razão Jucilei perdeu a oportunidade de defender a Fiorentina e acabou num pequeno time do futebol russo, mais precisamente no Daguestão. Escreve o blogueiro:

Em dezembro a Fiorentina ofereceu 9 milhões de euros por Jucilei. O Corinthians pediu 11 milhões. Os italianos, então, decidiram se reunir com o jogador. Se ele tivesse interesse em defender o clube e aceitasse os salários, pagariam mais dois milhões. Na reunião, um dirigente do time europeu perguntou: “Você conhece a Fiorentina?”. Jucilei respondeu algo como: “Já ouvi falar”. A pergunta seguinte foi se ele conhecia algum jogador que atua pelo clube italiano. Respondeu que não. Os italianos ficaram melindrados com as respostas do jogador brasileiro. Desistiram de contratá-lo.

O futebol não é diferente de qualquer outra profissão no mundo no sentido de que não basta ser bom tecnicamente. Existem outros tantos “ativos intangíveis” que são decisivos no sucesso ou no fracasso alguém. Entre eles estão a postura profissional, a capacidade de relacionamento, o espírito de grupo, o planejamento de longo prazo, o gerenciamento de carreira e o conhecimento do mercado.

Por pecar em alguns desses intangíveis, Jucilei provavelmente vai deixar a Seleção Brasileira e os holofotes para ficar escondido na periferia do futebol. A controversa decisão renderá muitas verdinhas, mas impedirá a evolução profissional do jogador.

E não é só Jucilei. Pense quantos jogadores brasileiros você consegue apontar como exemplo de postura profissional, gerenciamento de carreira, conhecimento de mercado etc e quantos você consegue indicar como referências do que não fazer nesses mesmos aspectos. Assustador, não?

O mais preocupante é que a falta de conhecimento e o caráter simplório dos nossos atletas jamais aparecem entre os diagnósticos do que está errado no futebol brasileiro. A ladainha sempre fica no plano superficial: esquema tático, preparo físico, firulas dentro de campo e afins.

Quando Thierry Henry disse que os brasileiros eram bons de bola porque não estudavam e tinham o dia todo para praticar, talvez não tenha percebido o mal que na verdade essa situação traz ao nosso esporte. O problema é todo nosso.

Compartilhe!

Compre o livro "Esporte Fino - O Esporte Além dos Resultados"