Nesta semana o noticiário esportivo deu voz a cartolas de todas as correntes para que exprimissem seus pontos-de-vista, fizessem seus desabafos e falassem dos seus sonhos e aflições. O contexto, como vocês sabem, é a briga fratricida entre clubes, CBF, Clube dos 13 e todo mundo que tem algum tipo de poder no futebol nacional. Essa cobertura da política esportiva é necessária, mas geralmente resulta em matérias chatas e que têm o efeito colateral de tornar público os teatrinhos, sorrisos falsos e lágrimas de crocodilo da cartolagem brasiliana.
Para driblar o desgosto de todo dia me deparar com esse joguinho deprimente, listei algumas das notícias que gostaria de ler nos próximos dias nos cadernos de Esportes. Não custa sonhar com um noticiário mais feliz. Eis então, passo a passo, meu roteiro ideal para a briguinha que assola a elite do futebol brasileiro.
Passo 1 - Juvenal recua da sua vontade de se perpetuar na gestão do São Paulo e permite que a tradição democrática do clube volte a reinar. Em paz com a Rede Globo, ele fecha contrato com a emissora, onde começa a atuar nas novelas de época da programação das 18h. Raí assume a presidência no Morumbi e como primeira medida manda uma leva de jogadores cai-cai embora.
Passo 2 –Andrés Sanchez se cansa do trabalhão que dá gerir um clube com a importância do Corinthians e abandona de vez o futebol quando recebe proposta de Pasquale Cipro Neto. Os dois se juntam para fundar uma consultoria especializada em ensinar o português culto para executivos nos quatro cantos do País. “A gente estar vai estar fazendo uma longa turnê do Oiapoque ao Chuí”, garante.
Passo 3 - São Paulo e Flamengo anunciam em conjunto que vão leiloar a Taça das Bolinhas e destinar os recursos arrecadados a uma instituição beneficente. “Não interessa se é de ouro, diamante ou bolinhas. O troféu não vai mudar o valor das conquistas do Flamengo e do São Paulo Futebol Clube, que são indiscutíveis e muito mais valiosas do que uma taça”, diz nota de Patrícia Amorim e Raí.
Passo 4 – Fabio Koff dá continuidade à renovação da cartolagem e troca de vez o Clube dos 13 pelo seu novo consultório, onde ministrará aulas de canto lírico e sessões de fonoaudiologia. “É um sonho, cai como música nos meus ouvidos”, afirma o ex-dirigente, com voz aveludada.
Passo 5 – O executivo Ronaldo Nazário assume o Clube dos 13 e na primeira tacada muda o nome da entidade, que já não faz mais sentido. O grupo passa a se chamar Liga Independente do Futebol Brasileiro e recebe de braços abertos qualquer agremiação que esteja disposta a colocar na mão dos clubes, e não da CBF, a gestão do nosso esporte.
Passo 6 - O racha que assola o futebol nacional, no entanto, continua e dois campeonatos distintos definem seu calendário para 2012. Fortalecida, a liga de Ronaldo Nazário conta com os times mais populares do País e se organiza para atuar em linha com o calendário europeu. A CBF mantém seu formato de sempre e aposta suas fichas numa competição com os únicos times que ainda a apoiam: Grêmio Prudente, Americana, Roma, Pão de Açúcar e Sondas.
Passo 7 - A Liga Independente fecha as cotas de TV com Globo e Record e determina que não haverá jogos de semana começando após as 20h. Para se adequar ao que pé melhor para o torcedor, a Globo aceita mudar sua programação: Jornal Nacional às 19h30, futebol às 20h e novela às 22h. Por falta de espaço na grade, a emissora anuncia o fim do Big Brother.
Passo 8- Ricardão Teixeira se diz vitorioso em entrevista a Juca Kfouri e ressalta que essas cinco potências emergentes que seguem leais à CBF possuem um projeto e representam o futuro do futebol brasileiro.
Passo 9 - Antes de intermediar a negociação da cota de TV dos cinco clubes com o Canal Universitário, Teixeira marca sua despedida da CBF. Para felicidade geral da nação, Ricardão jura que seu ciclo no futebol está encerrado e que não voltará a palpitar nesse gramado. Tomado pela paixão por um novo esporte, ele dedicará todo seu tempo a montar a Confederação Brasileira de Curling. O cartola já negocia com o ministro Orlando Silva um pacote de apoio ao jogo de inverno. E não esconde que convida @fchiorino para ser o coordenador técnico da CBC no Rio de Janeiro e em todos os lugares onde houver uma cozinha e uma chaleira.
Assim já está bom. Só faltou um “ e todos foram felizes para sempre”.