Do fundo do baú para abril, 2011

Se você ainda não decidiu o que fazer no sábado à noite, deveria considerar algumas razões para grudar na frente da TV e acompanhar o Card Principal do UFC 129, a ser disputado em Toronto, no Canadá.

Ao tomar sua decisão, não se esqueça que:

- Essa será a maior edição da história do evento em número de espectadores, com mais de 50 mil presentes.

- A disputa tem uma luta decisiva para um dos maiores talentos do MMA no mundo, o brasileiro Lyoto Machida. Depois de anotar 16 vitórias seguidas e conquistar o cinturão dos meio-pesados, ele perdeu duas batalhas seguidas e viu seu prestígio desmoronar. Se falhar outra vez, especula-se que pode até ser demitido do UFC (o que este blogueiro não acredita); se triunfar, se coloca de novo como uma das grandes forças da categoria. Por ter um jogo exótico, é considerado um dos únicos capazes de bater o atual campeão, Jon Jones, que hoje tem aura de imbatível.

- A competição marca a estréia de José Aldo no UFC. O brasileiro pertence a uma categoria leve que não existia na principal franquia de MMA do mundo, até o UFC comprar o WEC. Como ele era o campeão da outra franquia, já começa sua história no UFC defendendo o cinturão. Considerado um dos mais demolidores strikers da modalidade, foi eleito um dos três melhores lutadores “peso-por-peso” de 2010.

- A última luta da noite fica por conta do talento da casa Georges Saint Pierre, que disputa com Anderson Silva o status de melhor peso-por-peso do mundo. Se no sábado ele vencer Jake Shields, que está invicto há 16 combates, GSP deixa próxima uma superluta contra Anderson. Ficaria faltando apenas o brasileiro bater Yushin Okami no UFC Rio, no segundo semestre.

- Essa é uma das poucas oportunidades de assistir a um evento tão grande de MMA sem Pay Per View. O Sportv vai transmitir a partir de 22h.

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Time só existe um. Aquele para o qual você torce. Apenas ele, nenhum outro. Desde a década de 1990, com a popularização das TVs por assinatura e da internet e o acesso mais fácil a campeonatos internacionais, surgiu um curioso fenômeno, o torcedor múltiplo. O sujeito torce pelo Flamengo, Boca Juniors, Milan, Chelsea, Bayer Leverkusen, Ajax, Colo Colo, CSKA Sofia e Kashima Antlers.

Desculpe, eu sou aquele torcedor à moda antiga. E não levo a sério você, torcedor múltiplo. Time é apenas um. Aceito, sim, que um brasileiro torça pelo Manchester United. Da mesma forma que acho normal um paulista que torce pelo Internacional ou um curitibano que torce pelo Corinthians. O que não engulo é gente que faz loteamento no coração. É poligamia futebolística. Estranha putaria.

Aceito certa simpatia por outros times. Por causa do escudo bonito, da camisa, das cores, do nome ou da história. Gosto do Liverpool e do Napoli. Mas a mim tanto faz se ganham, perdem ou empatam. Porque torcer, eu só torço pelo meu time. A alguns outros entrego apenas a minha preguiçosa simpatia.

Hoje tem Real Madrid x Barcelona pela Liga dos Campeões. É, baita jogo. Espetacular. Dia bom pra quem gosta de futebol. Mas há dias assisto a discussões de torcedores de um lado e de outro. É são-paulino que torce pelo Real Madrid que briga com o santista torcedor do Barcelona. Ou Palmeirense torcedor do Barcelona irritado com vascaíno torcedor do Real. Cansa. Se o São Paulo jogar com o Real o sujeito torce pelo empate?

Sempre achei que o mundo deveria ser menos maniqueísta, Menos Bem x Mal. Neste caso, porém, não existe meio termo. Torcedor tem um time só. No Brasil, na Espanha, no Togo, no Camboja e na Austrália.

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José Mourinho é um técnico brilhante porque monta grandes times. Essa frase é verdadeira, mas está longe de esgotar a genialidade do português, que nesta semana afinou uma grande faceta de sua personalidade: a capacidade de irritar os adversários. E a vítima da vez, que caiu na armadilha, é Pep Guardiola, técnico do Barcelona, que hoje leva seu time para o primeiro jogo da semifinal da Champions League no Santiago Bernabeu.

Após a derrota na Copa do Rei, Guardiola afirmou que o árbitro do jogo estava “muito atento” e que, por isso, anulou um gol de Pedro, impedido por poucos centímetros. Na coletiva de ontem, Mourinho não perdoou e disse que Guardiola era o primeiro técnico a reclamar do acerto de um árbitro.

Mourinho fez essa referência diversas vezes e, quando foi a vez de Guardiola ser entrevistado, ele não conseguiu simplesmente dizer que não havia sido irônico. “José es el jefe, el puto amo”. Pepe também afirmou que o português disputava uma “Champions fora de campo” e que podia ficar com ela. Foi além, levando para o lado pessoal, e lembrou os quatro anos que Mourinho passou no Barcelona como assistente-técnico. “Ele me conhece e eu o conheço. Se quer ficar com os amigos de Florentino Pérez, com a central lechera (a imprensa madrilenha), pode continuar”.

Como se vê, Mourinho atingiu os nervos de Guardiola. Experiente e esperto, Mourinho sabe que tem um time, hoje, pior. Por isso, usa todas as armas que tem. Deixou a grama do Bernabeu mais alta que o normal, vai armar mais uma retranca daquelas e, na tentativa final, conseguiu descontrolar Guardiola.

Ao contrário de Mourinho, que hoje está no Real e amanhã estará em outro time, Guardiola é Barcelona e, mesmo quando sair, carregará nas costas as coisas boas e ruins que conseguir pelo clube. Ser eliminado pelo Real Madrid na semifinal da Champions League não é algo que Guardiola quer em seu currículo. A esperança de Mourinho é que o nervosismo do técnico do Barça extrapole e chegue aos jogadores ou, melhor ainda (para Mourinho), ao jogo desta tarde. Não será surpresa se o Real conseguir acuar o Barça mentalmente e, depois, dentro de campo. Conforme o tamanho do estrago, os azulgrana terão uma trabalho enorme no jogo de volta, no Camp Nou.

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Desde o ocaso da geração que ganhou a Copa de 2002 e fez feio quatro anos depois, o futebol brasileiro vive apenas de jogadores eficientes. Bons coadjuvantes dos verdadeiros ídolos, os estrangeiros.

Ronaldinho Gaúcho ainda está na ativa, mas não é nem sombra do que já representou no Barcelona na primeira metade da década passada. Adriano dispensa comentários e Robinho decididamente não consegue ser aquilo que todo mundo tinha certeza de que ele iria virar.

Temos então Kaká. Este, sim, ainda pelo menos dá dicas de que pode voltar a ser grande. Ainda mais se o Real Madrid eliminar o Barcelona nas semifinais da Champions e navegar em mares tranquilos até o fim do ano.

A Alexandre Pato resta se livrar das insistentes contusões e mais: assumir uma postura de liderança que o permita dar as cartas e não soar apenas como fiel escudeiro de gente mais experiente.

Seja como for, é um bocado incômodo constatar: estamos encarando uma geração que pouco tem a oferecer daquilo que o jogador brasuca sempre teve de melhor: improviso, criatividade, técnica apurada.

Impossível criticar o Marcelo, o Rafael, o Lúcio, o Lucas ou o Anderson, só para citar alguns exemplos. Mas de funcionários padrões as empresas estão cheias. Cadê os que realmente fazem a diferença?

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Que bosta, Felipão

Fui consultar o dicionário. Bosta. Um sentido é “exclamação de desagrado ou contrariedade”. Foi por isso que Felipão usou a palavra na entrevista depois da vitória do Palmeiras contra o Mirassol, que colocou o Verdão nas semifinais do Campeonato Paulista. O técnico era indagado sobre onde preferia que fosse disputado o jogo contra o Corinthians: Pacaembu, Morumbi ou em alguma cidade do interior? “Bosta, não vou falar nada”, afirmou o treinador aos microfones.

Felipão disse que é assunto interno, que já deu a opinião à diretoria e que a questão agora está nas mãos dos cartolas do clube e da federação. Direito dele, não tem obrigação de responder pergunta de jornalista nenhum. Mas qual é a necessidade de apelar para a falta de educação?

O técnico do Palmeiras, de comprovada capacidade e talento, ocupa hoje o espaço que havia sido deixado por Muricy. O treinador do Santos há muito não atira mais ferraduras nos jornalistas. Felipão tem distribuído patadas em quase todas as entrevistas. Justamente na melhor fase do time desde que chegou ao Palmeiras.

Há perguntas toscas e jornalistas mal preparados, sim. Mas o que parece mais grave é a aparente diferenciação que o treinador faz entre jornalistas que lhe são mais próximos e aqueles com quem Felipão não tem tanta convivência. Após ser indagado sobre o Corinthians, próximo rival no Paulista, e reclamar, o treinador respondeu com tranquilidade sobre o Coritiba, que ainda sequer garantiu a vaga para enfrentar o Verdão na Copa do Brasil – embora seja provável.

Felipão nunca foi lord. Mas poderia tomar uns bons goles de chá de educação. Ou, pelo menos, tratar igualmente mal todos os jornalistas, sem selecionar aqueles que gosta e não gosta.

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Se a carreira de Robinho fosse traduzida por um gráfico com duas linhas, uma representando a expectativa que se tem sobre ele e a outra o futebol que está apresentando, provavelmente os dois traços jamais se sobreporiam.

Quando surgiu no Santos e depois quando chegou ao Real Madrid, o Rei das Pedaladas levantava a suspeita de que um dia seria o melhor jogador do mundo. Afinal, tinha uma habilidade e imaginação descomunais, vinha anotando gols com frequência e, dizia-se, até contribuía na marcação. Parecia completo, talentoso e eficiente.

O tempo, no entanto, mostrou que as expectativas estavam infladas e que, embora se trate sim de um grande jogador, ele não está entre os protagonistas do cenário internacional. As chances foram muitas, mas o atleta jamais mostrou a eficiência de megaestrelas como Messi e Cristiano Ronaldo e nem de outros ídolos, como Rooney e companhia.

Agora, as linhas do gráfico da carreira de Robinho parecem ter se invertido. Depois do fracasso no Real Madrid, no Manchester City e, principalmente, na Copa do Mundo de 2010, o ex-santista perdeu prestígio de vez. Chegou a ficar de fora da convocação de Mano Menezes e ninguém sentiu muita falta. Há quem defenda, inclusive, que ele deve ser “vítima” da renovação e dar lugar a Neymar e companhia no ataque do time nacional. Para piorar, seu valor de mercado parece ter sofrido abalos, tanto é que não se noticia interesse de nenhum grande clubes pelo jogador nem apelos desesperados de nenhuma torcida para que ele retorne.

Curiosamente, ao mesmo tempo que em que se conforma com a posição de coadjuvante, o atacante faz a sua melhor temporada em seis anos na Europa. No momento, está perto de alcançar um título importantee tem boas chances de ser o artilheiro da equipe. Faltando quatro rodadas para o fim do Campeonato Italiano, o Milan lidera a tabela com 74 pontos, oito a mais que a vice-líder Internazionale. Robinho tem 12 gols, só dois a menos que Ibrahimovic e que o contundido Pato, e se apresenta cada vez mais em alta. Neste sábado, foi decisivo ao anotar o tento da vitória fora de casa sobre o Brescia por 1 a 0 ao 36 minutos do segundo tempo.

Olhar com atenção o futebol de Robinho pode não transformá-lo no craque que se esperava, mas ao menos vai fazer convergirem pela primeira vez o reconhecimento que se dá ao atleta e o nível de futebol que ele apresenta. Justiça seja feita: a Robinho o que é de Robinho. E nada mais.

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Sei que está afirmação não vai agradar a alguns. Mas que uma boa briga entre jogadores (apenas entre jogadores) é um tempero diferente no futebol, ah, isso é.

As boas brigas (entre jogadores) são eternamente lembradas, quase como um golaço ou a conquista de um título. “Você se lembra daquele jogo que saiu a briga após a embaixadinha do Edilson? Nossa!”. Este tipo de frase é comum entre dois amigos que frequentam estádio, assim como “e aquele gol do Chulapa, hein? Nossa, aquele foi o jogo do título…”

Eu e colegas do iG Esporte fizemos uma compilação de brigas históricas, com vídeo, fotos e texto. Clique aqui para acompanhar.

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Já faz dez anos.

O São Paulo lutava para voltar a ser grande. Tropeçava, levantava, caía de novo, não desistia.

Até que no começo de 2001 enfim surgiu uma notícia daquelas de resgatar a auto-estima do torcedor.

Essa boa notícia mostrou seu cartão de visita na final do já falecido torneio Rio-São Paulo, no qual o time do Morumbi chegou à final com credenciais de favorito.

A decisão era em casa, contra o Botafogo. Jogo vai, jogo vem e os anfitriões passavam sufoco, mesmo diante de mais de 70 mil pessoas na arquibancada ávidas por gritar “é campeão” mais uma vez.

Eu estava ali, bem atrás do gol que consagraria o novato. Quem presenciou a cena teve a mesma sensação de que era história sendo escrita.

No meio do segundo tempo, quando os cariocas venciam por 1 a 0, o técnico Vadão fez um bem duplo ao futebol: tirou Fabiano e colocou a prata da casa, cheia de talento para mostrar ao mundo.

“Olha lá, é aquele compridão da Copa São Paulo”, gritou um torcedor ao meu lado.

“Porra, esse moleque nem titular no juvenil é. Cadê o Harrisson, Vadão?”, se indignou outro.

A verdade é, apesar de desconhecido e ofuscado por companheiros de categorias de base, quem entrou foi o então Cacá, de apenas 18 anos.

Sem hesitar, a promessa fez dois golaços, resgatou a esperança e auto-estima do são-paulino e abriu as portas para uma carreira que teve seu auge com a eleição de melhor jogador do Planeta em 2007.

Foi só o começo de uma bela história, o lide de um Prêmio Esso.

Há mais de um ano, no entanto, o agora Kaká está apagado no Real Madrid, lutando contra as contusões e contra uma situação que não combina com a sua trajetória: ser coadjuvante.

Enquanto ele mal participa dos principais jogos, atletas muito inferiores, como Di Maria, são titulares e referenciados como esperança de grandes jogadas.

A longa ausência faz a gente sentir saudade daquelas arrancadas memoráveis, dos toques sutis a gol que encontram ângulos desconcertantes, da alegria de jogar futebol, do protagonismo de quem nasceu para ser estrela.

Hoje, diante de um cenário adverso, o menino compridão completa 29 anos bem na sexta-feira santa, quando o sentido da Renovação está em evidência.

Nas próximas semanas, duas chances para ele se renovar e voltar a brilhar.

No campeonato de clubes mais importante do mundo, seu Real Madrid enfrenta o Barcelona. Todas as luzes e olhares estarão nesse clássico. Mas ninguém pensa em Kaká como fiel da balança nessa hora tão importante.

Novamente o craque deve estar no banco. Assim como tem estado nas últimas rodadas. Mas, não nos esqueçamos, assim como estava contra o Botafogo há dez anos, quando a sorte do menino virou de uma hora para outra.

Quem gosta de futebol, qual time torça, espera o retorno daquele que é muito mais do que o substituto de Fabiano ou o concorrente de Harrisson. É, sim senhor, um patrimônio do esporte.

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Quem acompanha o noticiário de esportes sabe que a imprensa esportiva espanhola é tosca e adora uma patriotada. Mas talvez o jornal Marca tenha passado dos limites diante da final da Copa do Rei, que será disputada hoje entre Barcelona e Real Madrid, em Valencia.

O Marca publicou ontem que o zagueiro Piqué teria feito insultos aos jogadores do Real após o 1 a 1 do fim de semana. O namorado da Shakira teria chamado os jogadores do Real de “españolitos” e dito que iriam ganhar “a Copa do seu Rei”, ambas referências ao sentimento nacionalista catalão.

O texto do Marca não traz nenhuma fonte (nem aquelas que não querem se identificar) e, não demorou, Piqué desmentiu as informações em seu Twitter, como destaca o La Vanguardia (de Barcelona). “Nos vemos mañana en la fiesta del fútbol español!”, disse o zagueiro da Fúria.

O Marca pode ter sido enganado por uma “fonte” mal intencionada, mas, se foi esse o caso, deveria ter checado a história, como manda a regra mais básica do jornalismo. Talvez – repito talvez – o jornal tenha simplesmente inventado um factóide. Seria algo tão bizarro e primitivo como é o próprio sentimento de nacionalismo, seja ele espanhol, catalão ou de qualquer outro “povo”. Seria também a prova cabal de que, na Espanha (não somente lá e não somente nos esportes) jornalistas se misturam de forma promíscua com o noticiário, deixando de lado o distanciamento que faz, ou deveria fazer, a profissão ser tão importante para uma sociedade.

ps: o Marca conta também que, para evitar o vexame de 2009, quando a TVE censurou a vaia ao hino da Espanha durante a final da Copa do Rei entre Barça e Athletic Bilbao, a RFEF preparou um hino que vai tocar a 120 decibéis no Mestalla.

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Nos anos 80 ia ao ar, pela TV Gazeta, de São Paulo, o programa “Vamos Sair da Crise”, apresentado por Alexandre Machado. Se precisávamos sair da crise, logo a crise era uma instituição. Uma prisão.

Apesar de criança, pré-adolescente ou algo assim, me incomodava ao ouvir a chamada “Hoje, no Vamos Sair da Crise…”. “Vamos Sair da Crise?” Será que vamos mesmo? Algum dia?

Se você, amigo leitor, tem menos de 30 anos, talvez se espante com isso. Mas, sim. Houve uma época em que de fato vivíamos em crise. Todos nós, inclusive quem ganhava dinheiro. Sim, porque a inflação galopante e a instabilidade econômica impediam 90% da população de viver livre da ansiedade e do temor do próximo plano econômico mirabolante.

Parece que saímos da crise. A inflação é apenas uma lembrança que, vá lá, insistem em ameaçar voltar. Mas ainda assim só uma lembrança. Há emprego e consumo, o que faz a roda girar com um mínimo de vontade própria.

Ronaldo, Luis Fabiano, Stacy Sykora (a melhor líbero do mundo no último Mundial feminino de vôlei) estão todos aqui… Não é impossível falarmos em Forlán, grande destaque da última Copa. Isso só para citar alguns exemplos.

Os clubes ganham dinheiros a rodo, embalados por milhões de torcedores capazes de gastar dinheiro com diferentes produtos. De ingressos e pacotes de pay-per-view a camisas, bonés, chaveiros ou DVDs.

Sabem o que falta agora? Ora, é claro que vocês sabem. EDUCAÇÃO.

Educação para criarmos consciência política capaz de varrer do mapa 95% dos dirigentes que aí estão. Para que batalhemos pelo fim (ou quase isso) das Federações Estaduais, verdadeiros feudos de tudo que há de mais brega e ultrapassado no futebol (e esporte) nacional.

Federações essas que sustentam o poder da CBF, que por sua vez influencia e é influenciada pelo Poder Legislativo em Brasília.

Educação para que respeitemos o locam demarcado pelo ingresso, mesmo na arquibancada. Para que possamos ver os jogos sentados, e não em pé graças a ameaças truculentas de torcedores organizados.

Educação para não sujar o entorno dos estádios, e para que exijamos dos clubes e do Poder Executivo bolsões de estacionamento, metrôs e linhas de ônibus eficientes. Nem com a Copa estão se mexendo…

Educação para que cobremos estradas melhor sinalizadas, motoristas preparados e atletas que respeitem a orientação de usar o cinto de segurança.

Enquanto isso não ocorrer, vamos sempre estar em crise. Crise de identidade, de cidadania. E de vergonha alheia.

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