Do fundo do baú para junho, 2011

#Barcelusa

Oito jogos. Cinco vitórias. Dezessete pontos. Vinte e cinco gols. E a liderança da Série B do Campeonato Brasileiro. A Portuguesa está de volta. Até quando? Não importa. O torcedor da Lusa não se preocupa com o dia de amanhã. Ele quer ir ao estádio e ver um time aguerrido. Ele quer ver gols. Ele quer esbravejar. Ele quer acreditar que o seu time possa ser comparado ao Barcelona. E que assim seja.

O lugar da Portuguesa é na 1ª divisão. Mas precisa fazer por merecer a volta. Nos últimos anos, tornou-se um time previsível, trocou técnicos como quem troca de cueca, trouxe medalhões sem identificação com o clube. Perdeu o rumo. Agora o cenário é outro. Só que o campeonato é longo demais, o que torna fácil perder o foco.

Edno é o jogador símbolo dessa mudança. Era ídolo até o dia que forçou sua saída. Parece ter sido assolado por uma praga lusitana, patinando por Corinthians e Botafogo. Aí voltou e aos poucos está dissolvendo a desconfiança (e ódio) do torcedor. “Peledno”, bradam os mais fanáticos, a cada patada que resulta em gol.

Edno não está sozinho. Quem pode levar o time de volta à elite são jogadores praticamente desconhecidos, como Ananias, Guilherme, Marco Antônio, Henrique, Ademir Sopa, Jael (O Cruel). Melhor assim. Grupo nivelado, sem regalias. Liderado por Jorginho, um treinador sério e que rapidamente ganha a confiança dos seus comandados.

A Portuguesa precisa deixar de ser o time “queridinho” dos torcedores de outros clubes. Ao contrário do que se pensa, isso apequena o clube. Uma espécie de indulgência que nada acrescenta. O torcedor da Lusa não quer esmola. Futebol é uma batalha, e não uma Campanha da Fraternidade. A Portuguesa quer destroçar os principais rivais da capital paulista. Comê-los com garfo, faca e azeite.

Na tua glória, toda certeza. Que o Canindé seja palco de uma nova história.

Compartilhe!

O Pelé que eu vi

Eu não vi Pelé jogar.

Não acompanhei seus mais de mil gols. Não o ouvi falar sobre as criancinhas. Não estava na Javari quando ele fez o gol mais bonito da sua carreira. Restaram os vídeos e os livros, que me apresentaram a história completa do jogador do século.

Já sem depender do relato dos outros, pude ver o Pelé político, garoto-propaganda, palpiteiro, dirigente. Enfim, papéis que não despertavam em mim nenhum sentimento de admiração. Mas aí vieram a final da Copa Libertadores e o título do Santos.

E surgiu na tela da TV um Pelé esbaforido, com lágrimas nos olhos, dando murros no ar. Como se tivesse percorrido os 90 minutos do épico duelo contra o Peñarol. Ignorou o feio blazer do patrocinador e quebrou todo o protocolo. Na hora das entrevistas, soltou palavrões a torto e a direito. Sorria para qualquer um que passava a sua frente.

Repetia a todos a piada de que só aguentou a emoção do jogo porque é de Três Corações. E no ápice de sua comemoração particular, deu uma gravata em Muricy e o levou para o meio-de-campo, onde ambos foram ovacionados por um Pacaembu lotado.

Foi a primeira vez que vi Pelé desprovido de qualquer cerimonial. Houve quem disse que aquilo o libertava do misticismo criado pelas conquistas do passado. Talvez seja isso. Ou talvez tenha sido apenas um torcedor apaixonado que corria a esmo pelo gramado.

Faltava isso a Pelé. Uma demonstração pública de simplicidade, assumir a posição de uma pessoa comum. Menos diplomacia e mais irracionalidade. Um cara que abraça o roupeiro, e não o presidente da CBF. Um senhor com comportamento de menino. Que demora a pegar no sono, enquanto tenta recordar cada lance daquela noite.

Compartilhe!

Estou superatrasado com o blog e sem qualquer inspiração. Sendo assim, escreverei sobre cabelos. Isso mesmo, cabelos.

Gosto do tema, embora não dê para cabeleireiro (juro). Desde pequeno achava que ia dar mesmo é para jornalista. Não deu outra, aqui estou.

Enfim, gosto do cabelo do Neymar. Assim como do cabelo do David Luiz. Por mim, não mudariam o visual nunca.

Dizem que o Real Madrid quer que o Neymar mude o cabelo antes de contratá-lo. É igual você responder ao anúncio do sujeito vendendo carro e dizer que só compra se ele mudar a pintura de preto para vermelho. Certamente ele vai te mandar à merda. Trata-se do mesmo lugar para o qual o Neymar deveria mandar esses babacas de Madri.

Já o David Luiz (eu quase escrevi David Moraes, por causa do Moraes Moreira) tem o cabelo igual ao do Sideshow Bob, aquele ajudante do Krusty, o Palhaço. Ótimo. Melhor do que ter o cabelo raspado, moda entre zagueiros brasileiros que felizmente já vai ficando para trás.

Precisamos de barba, cabelo e bigode no marasmo que nos assola. Vou ficar por aqui agora, caso contrário vocês podem achar que eu dei pra ser para jornalista esportivo bobo. Deus me livre.

Compartilhe!

Na quarta-feira, às 13h15, a seleção brasileira de futebol estreia contra a Austrália na sexta edição da Copa do Mundo feminina, na Alemanha. Não importa se esta equipe será campeã ou eliminada na primeira fase. Daqui a três semanas, quando terminar a competição, uma ladainha que já dura quase duas décadas se repetirá: é preciso dar mais apoio ao futebol feminino no Brasil.

Sejamos francos. Ou permitam que eu seja franco. Futebol feminino é um pé no saco. Quem de vocês, que lêem este texto, aguenta ver uma partida durante 90 minutos? Você, outrista, que disse “eu assisto”, faz parte de uma minoria, posso assegurar. E esta é a explicação de porque o futebol profissional para mulheres, no Brasil, dificilmente será massificado ou receberá o tal apoio que é pedido em tempos de Copa do Mundo e Olimpíadas: porque é chato.

Que empresa vai injetar milhões de sua grana em um esporte que é visto por quase ninguém? As próprias emissoras de TV, cujos comentaristas posam de defensores dos fracos e oprimidos pedindo apoio ao futebol feminino, transmitem partidas de vez em quando. Ou nem isso. Se querem apoiar, por que não começam a transmitir com regularidade? Estes comentaristas fazem populismo, jogam pra torcida, posam pra fazer boa figura.

Sim, é claro que ver a Marta jogar é espetacular. Mas, infelizmente, Marta é a exceção dentro da exceção. No geral, o futebol feminino é chato, mal jogado e sem graça. E por isso, pelo menos aqui, não “pega”, ainda que tenha um ídolo mundial. Ainda que tenha a Pelé da modalidade. Ainda que tenha iniciativas isoladas como a dos supertimes montados pelo Santos, campeão da primeira Copa Libertadores.

Conheço dezenas de pessoas que viram Argélia 0 x 1 Eslovênia na última Copa do Mundo, em 2010. Outros tantos viram Suíça 0 x 0 Honduras ou Paraguai 0 x 0 Nova Zelândia. Quantos viram a Alemanha, atual bicampeã, vencer o Canadá por 2 a 1 na abertura da Copa feminina, neste domingo? Quantos verão amanhã EUA x Coreia do Norte, duas das melhores seleções do mundo?

Sei, daí tem você, que dirá que sou machista porque não gosto de futebol feminino. Então sou racista se não apreciar o estilo de jogo das seleções africanas? Há outros esportes em que mulheres fazem um espetáculo muito melhor que os homens. Algumas provas do atletismo, por exemplo. Algumas categorias do judô. Ou ginástica artística. Mas futebol feminino, desculpem, é chato demais.

Talvez ainda seja descoberta uma fórmula para que as partidas sejam mais agradáveis, adaptados ao estilo de jogo feminino. Quem sabe. Até lá, viveremos uma eterna hipocrisia, a de pedir apoio à modalidade em tempos de Copa e Olimpíadas, como se fosse um esporte delicioso de se ver, e praticamente esquecer que ela existe no intervalo entre estas competições.

Compartilhe!

Basta você ter participado de um concorrido campeonato interclasses no colégio ou de um disputado amistoso contra o condomínio vizinho para perceber um dos pilares do futebol: para ser campeão, não basta ser bom jogador; precisa ter espírito vencedor.

Certamente você já viu tanto seu time de coração quanto a Seleção Brasileira serem compostos por gerações que tinham e outras que não tinham esse atributo. Apesar de ser um bem “intangivel”, que não tem forma, não se pega na mão”, é quase impossível confundir quem o possui e quem dele carece.

Toda vez que penso na Copa de 2014, fico aflito matutando se os escolhidos para entrar em campo terão esse espírito vencedor, essencial numa situação de tamanha pressão. E toda vez que vejo Neymar disputando uma final me tranqüilizo um pouco.

Desde que se firmou como titular e referência do Santos, o jovem atacante disputou sete campeonatos, dos quais ganhou cinco, com um detalhe muito importante: em todas as voltas olímpicas ele foi protagonista. Jamais se escondeu numa decisão.

A primeira final foi a do Paulistão do ano passado. Neymar marcou os dois tentos do jogo de ida que abriram caminho para o titulo sobre o Santo André. Depois veio a Copa do Brasil, e lá estava o menino da Vila deixando o seu no primeiro jogo e construindo a vantagem que seria fundamental contra o Vitória da Bahia fora de casa.

Os únicos insucessos aconteceram no segundo semestre, quando o Santos já estava mais relaxado por conta das conquistas anteriores e quando Neymar passou por instabilidades emocionais que prejudicaram o time, mas que foram cruciais para o amadurecimento pessoal do jogador. O Peixe fez campanha discreta no Brasileiro e caiu na SulAmericana contra o Avaí.

Em 2011, Neymar arrebentou no continental Sub 20 e ainda guardou dois no jogo decisivo contra o Uruguai. Na final do Paulista, desarmou o Corinthians com um gol na partida decisiva. Final da Libertadores, idem contra o Peñarol.

São razões de sobra para acreditar que a jóia do futebol brasileiro tem todos os componentes de um grande craque e pensar positivo para 2014. A gente vai precisar de alguém com espírito vencedor.

Compartilhe!

Em defesa de João Sorrisão

identifica

Talvez nem minha mãe concorde com a minha argumentação, mas mesmo assim seguirei em frente. Confesso: gostei do João Sorrisão. Não o suficiente para chamá-lo para jantar, mas achei graça da brincadeira, do gestual, da quase unânime adesão dos jogadores. O funk é descartável; o resto tem a minha simpatia.

Ou você ainda duvida que naquele society que você e seus amigos da empresa marcam toda quinta-feira não tem um monte de gente comemorando o gol como o boneco?

Imagino que João Sorrisão desagrade a maioria pelo exagero, pela repetição e pelo fato de a Globo transformar a coreografia numa pauta jornalística. Mas não desaprovo. O Campeonato Brasileiro é muito longo e essas troças fazem parte do processo. Ninguém aguenta ficar discutindo formação tática e regra do impedimento por tantos meses. 

Completo 30 anos em setembro e prefiro avaliar apenas o que eu vi. Começo a lembrar de futebol em 1987 (não me recordo de nenhum lance da Copa de 86, do pênalti perdido pelo Zico, da saraivada de criticas que sobraram para o Telê Santana). O que existia pra mim era a tal Copa União. Jogos que não terminavam empatados. Disputa de pênaltis que, se não me engano, rendia um ponto a mais ao vencedor.

E foi mais ou menos nesse tempo que vi a primeira comemoração diferenciada. Era do atacante Gaúcho, do Palmeiras, que virou herói apos substituir o Zetti de perna quebrada e pegar uns dois pênaltis contra o Flamengo. Ele fazia uma cena meio bizarra, apalpando o órgão genital e dando uns passinhos pra frente. Não estou certo, mas acredito que era uma alusão a alguma música de sucesso na época. Uma bobagem, claro, mas que logo ganhou as páginas da Placar e fazia a festa entre os meninos com quem eu jogava futebol de salão.

Depois de um longo hiato, surgiu Viola, sinônimo de criatividade na hora do gol pelo Corinthians. A melhor foi quando simulou uma ligação no orelhão do estádio do Pacaembu. Mas também se precipitou ao imitar o porco antes da hora. Enfim, entrou para a história. Lembro também do Paulo Nunes, que fazia das comemorações um termômetro da sociedade. Daria um bom pauteiro, inclusive. Comemorou gol de Porco, Tiazinha, Feiticeira, Gueixa. A torcida delirava.

Vieram então as gerações dos meninos da Vila (a primeira com Robinho e a segunda com Neymar) e as dancinhas ensaiadas dentro do vestiário do Santos. Tornaram-se enfadonhas, mas teve até coreografia de Beyoncé, que rendeu ainda uma baita ação do patrocinador.

Também existem aquelas comemorações que despertam ódio no torcedor, como o dedão na boca do Totti, o embala-neném da 5ª geração do Bebeto e o coraçãozinho do Pato, que acabou em divórcio e ponte de safena. E sobram os absurdos protagonizados, por exemplo, por aquele time islandês que já reproduziu até um peixe sendo fisgado.

O João Sorrisão é só mais uma moda passageira. Não pode ser levado tão a sério, nem deve ser apontado como o novo anti-Cristo.  Está presente no momento do gol, quando todo mundo olha para o artilheiro e espera dele uma manifestação diferente, que fuja da boçal prática de colocar na boca o escudo do time ou de quase estourar uma veia do braço para agradar a torcida organizada. 

Eu imitei o João Sorrisão pra minha filha, que deu risada e tentou me imitar. Tantos outros reproduzem o gesto para comentar a rodada, relembrar o gol da vitoria, enaltecer o desempenho do camisa 9 do seu time. O boneco feio é só um pretexto. O que importa mesmo é enxergar o humor de onde menos se espera. João Sorrisão entrou para a minha retrospectiva esportiva de 2011.

Foto: Duda Bairros/Stock Car/Divulgação

Compartilhe!

Os torcedores do Peñarol são chamados de Carboneros porque a região onde o clube foi fundado (o bairro de Peñarol) foi palco, no século 19, do florescimento das redes ferroviárias – administradas pelos ingleses.

Como os trens eram movidos a vapor e alimentados pelo carvão, logo seus torcedores ganharam tal apelido.

Já o nome Peñarol é uma adaptação para o espanhol de “Pignerolo”, vilarejo italiano onde nasceu Juan Bautista Crossa, que imigrou para o Uruguai e se instalou em tal região.

Compartilhe!

Após anos de trevas absolutas, quando tudo que tinha de fazer era manter-se vivo na luta, o Vasco da Gama voltou a sorrir com a conquista da Copa do Brasil.

Conquista que não caiu do céu, claro. Foi um fruto colhido maduro, após contratações coerentes e a garantia de calma para que Ricardo Gomes (ele merece crédito) trabalhasse em paz.

Mas é importante que a torcida saiba e entenda que o nevoeiro não passou totalmente. O Vasco não tem um supertime e será preciso ter paciência com os altos e baixos do Brasileirão. Aliás, tudo que o time da Colina não pode fazer neste momento é deixar o nacional de lado só porque já tem a tal da vaga na Libertadores. Se misturar as bolas, Ricardo Gomes perderá um precioso tempo para deixar o elenco tinindo para a disputa continental de 2012.

É preciso também, ter paciência com Juninho Pernambucano, que volta ao clube deixando claro já não ter o mesmo fôlego de 13 anos atrás. O veterano meia tem tudo para dar certo, mas não se deve tratá-lo como um Dom Sebastião, capaz de, sozinho, reconduzir o Vasco ao tempo das grandes conquistas.

Como bem fez o genial Xico Sá em coluna da Folha de S. Paulo após a conquista vascaína em Curitiba, também citarei Paulinho da Viola (talvez o mais ilustre dos torcedores do Vasco), para resumir este texto:

“Faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar…”

Melhor ainda: assista abaixo a uma interpretação de “Argumento”, música destes belos e sábios versos:

Compartilhe!

A escolha de Sofia dos globais

Quando eu estava na faculdade, a coisa mais normal do mundo era ver algum colega demonizar a Rede Globo, como se a empresa fosse um enviado do mal para distorcer, mentir e beneficiar uns poucos oligarcas em detrimento do bem-estar da população.

“Lambe botas do imperialismo ianque!”, gritava um; “inimigo das forças progressistas”, bradava o outro; “abaixo a Rede Globo, o povo não é bobo”, entoavam muitos.

Com um pouquinho de cabeça-fria e conhecendo por dentro a emissora, deu para ver rapidinho que aquilo tudo era um grande exagero. A Globo faz trabalhos espetaculares e tem profissionais de primeira linha, embora também esteja sujeita a erros – como tudo o que é feito por humanos.

No entanto, a cobertura (ou “não-cobertura”) que a principal emissora do País está fazendo das denúncias contra dirigentes da FIFA e da CBF é tão escandalosa que chega a me fazer repensar se os colegas de universidade não tinham um pouquinho de razão.

Enquanto a imprensa nacional e internacional escava a bagunça dos donos do poder do futebol que moram no nosso quintal, a Globo dá de ombros, quase não toca no assunto, não dá a ele a dimensão que merece. É como se nada estivesse acontecendo ou se o que está acontecendo não tivesse importância nem despertasse interesse público.

Esse descaso passaria despercebido tempos atrás… Mas hoje em dia os meios de comunicação são muitos e as denúncias omitidas aqui se espalham por ali, por meio de blogs, portais, links do Youtube e por matérias bem elaboradas pela concorrência. E não dá para não ficar espantado ao notar a ausência na programação da principal emissora do Brasil de um tema tão “quente” em outras mídias.

Como não sou fã do esquema maniqueísta, não vou tentar convencer ninguém de que a Globo é o mal e a Record é o bem. Mas o canal “alternativo” está fazendo uma série de reportagens críticas e bem apuradas sobre o futebol brasileiro, enquanto a emissora oficial brinca de João Sorrisão. É claro que o Grupo Globo tem inúmeros veículos e o poscionamento deles não é uniforme, de forma que em uns a cobertura pode ter sido mais balanceada e em outros menos. Mas nada muda o fato de que na TV, que é mídia de maior apelo, o assunto está subdimensionado. É triste acima de tudo, imagino, para quem se considera jornalista e trabalha nos programas especializados da TV dos Marinho.

Talvez alguém diga que esporte, para a Globo, é entretenimento, e não jornalismo, como já ouvi tantas vezes. Acho uma defesa frágil; mas minha maior curiosidade é perguntar aos profissionais do Globo Esporte, do Esporte Espetacular, Sportv e afins se eles sabem desse posicionamento e se concordam com ele.

Com as mídias sociais ganhando cada vez mais espaço, os âncoras desses programas começam a ser cobrados diretamente pela sua própria audiência, sem filtros. E talvez isso os force a repensar se estão alinhados com a política editorial da empresa, se é uma divergência que podem contornar ou se uma imposição inconciliável.

O que eles vão fazer? Isso diz respeito somente a cada profissional da Globo. Ao contrário das denúncias contra os dirigentes do futebol, que são do interesse de milhões de pessoas e deveriam estar nas manchetes dos principais programas jornalísticos do País. Já pensou se a imprensa tivesse com esses cartolas o mesmo empenho que teve no caso Palocci?

Pois é…

Compartilhe!

Nunca estive entre aqueles que classificaram Marcos como um santo. Marcos reúne aquelas que são para mim algumas das mais importantes qualidades de um ser humano. Sujeito trabalhador, digno, sincero e com um baita caráter. Marcos, além de um dos maiores jogadores da história do Palmeiras, é um dos maiores goleiros que o futebol brasileiro já viu. Falhou, sim. Algumas vezes. Mas foi um monstro em tantas outras, pelo clube e pela seleção. Mas nunca o chamei de santo.

Marcos nunca foi um santo, mas entendo aqueles palmeirenses que o beatificaram. Não fosse por ele, o Palmeiras jamais teria sido campeão da Libertadores. Marcos atravessou com dignidade o pior momento da história do clube, o rebaixamento e a disputa da Série B, em 2003. Teve a chance de jogar na Europa, preferiu ficar. E não usou a proposta do exterior para fazer marketing pela imprensa.

Marcos ajudou o Palmeiras a subir e lá seguiu. Com times que nunca estiveram à sua altura. Enfrentou lesões, desconfiança de muita gente de que poderia voltar a jogar. E voltou. Uma, duas, três vezes. Se falhou algumas vezes, em outras tantas evitou derrotas. Mais que um jogador, mais que um craque, o camisa 12 virou um símbolo. Mas, pra mim, Marcos nunca foi santo.

E daí, aos quase 38 anos, aos 44 do segundo tempo da carreira no futebol, Marcos teve uma chance inédita: a de marcar um gol. Palmeiras 4 x 0 Avaí. Jogo ganho. Pênalti. E a torcida começa a gritar. Marcos. Marcos. Marcos. Kléber, o batedor do time, chama o companheiro. Marcos caminha até o atacante. A torcida delira, o grande ídolo do time tem a chance de fazer um gol. Não tem. Marcos apenas foi até Kléber para explicar por que não cobraria aquele pênalti, enquanto Felipão gesticulava, contrariado. Não queria a brincadeira.

Kléber cobrou, o Palmeiras venceu por 5 a 0. E o goleiro explicou na saída de campo. “Não é porque a gente estava com 4 a 0 que eu ia lá bater. O garoto lá tá começando no gol do Avaí. Por que fazer isso?”, falou. E foi assim que Marcos, pra mim, virou santo.

Compartilhe!

Compre o livro "Esporte Fino - O Esporte Além dos Resultados"