Do fundo do baú para setembro, 2011

Vamos deixar de lado a eterna discussão sobre a introdução de dispositivos eletrônicos no futebol para acabar com as dúvidas em lances polêmicos. E também aquela proposta de ter um juiz em cada lado do campo. O Esporte Fino resolveu listar 15 sugestões que realmente podem melhorar o futebol. Vamos a elas:

1. Jogador que comemora gol fazendo “coraçãozinho” com as mãos = cartão amarelo

2. Jogador que simula contusão e pede entrada da maca = 3 a 5 minutos fora de campo (via @docaperdigao)

3. Torcedor que usa laser para atrapalhar visão de jogador = só poderá voltar ao estádio com uma venda nos olhos

4. Jogador que tira a camisa ao marcar um gol aos 40 do segundo tempo = não recebe cartão amarelo e pode jogar os minutos finais sem camisa

5. Gandula que retarda a devolução da bola = passará 60 minutos depois do jogo devolvendo bolas para jogadores imaginários

6. Torcida que se inspira na Lady Gaga para fazer hino = 3 jogos de portões fechados

7. Juiz que escreve súmula como quem escreve poema = só volta a apitar após ler a obra completa de Pablo Neruda

8. Jogador que bate pênalti pra fora = é obrigado a buscar a bola no lugar do gandula

9. Hino do Brasil em campeonatos estaduais = lançar versão remixada para entreter os participantes

10. Pergunta do internauta durante transmissões = proibido

11. Jogador que simula pênalti = será obrigado a jogar o resto da partida pulando numa perna só

12. Técnico que invade o campo = 30 flexões de braço

13. Juiz que dá 3 minutos de acréscimo ao final do jogo, independente do que aconteceu em campo = 3 voltas olímpicas com o estádio vazio

14. Jogador que bate lateral pra fora = abraço coletivo dos demais 21 jogadores para minimizar a vergonha

15. Zona mista para entrevistas = open bar para jornalistas

Compartilhe!

Não importa quanto dinheiro um time de futebol tenha. Há duas características da natureza do futebol que impedem o sucesso baseado apenas no dinheiro – a coletividade e o longo tempo necessário até que um título seja conquistado. Com a necessidade de trabalhar em conjunto, se os jogadores e a comissão técnica não se respeitam, a coisa não vai pra frente. O elenco pode ter panelinhas e ódios internos mas, se falta o respeito, acabou tudo. Essa constatação é verdadeira para todos os times, mas para aqueles apoiados nos cifrões de determinados bilionários é ainda mais importante.

O Manchester City perdeu ontem para o Bayern de Munique por 2 a 0 pela Champions League e o técnico do City, Roberto Mancini, teve que aguentar duas insubordinações. Primeiro, Dzeko ironizou sua (realmente sem nexo) substituição ao ser trocado por um volante quando o time perdia. Depois, Tevez se recusou a entrar em campo. E quase sobrou para Zabaleta, que tomou uma chamada de Mancini por supostamente ter apoiado Tevez – o que ele não fez e o que obrigou o técnico a se desculpar. Claramente, o elenco do City não respeita Mancini.

Problemas como esse não são novidade para o City e nem para o Chelsea, outro dos clubes biônicos da Inglaterra. Insubordinações e complôs contra os técnicos são mais comuns que trabalhos bem feitos. A longo prazo, eu apostaria que isso continuará sendo tendência nesse tipo de clube, uma vez que, para eles, é muito mais difícil formar a identidade do elenco.

Peguemos o Bayern de Munique, por exemplo. Um recém-chegado não vai chegar num elenco que tem gente experiente como Lahm e Schweinsteiger e ficar apavorando o técnico. Há atritos, como houve com Louis van Gaal, mas logo contornados. Uma forma para evitar estrelismos é ter um bom elenco, mas não uma coisa fora do normal como Chelsea e City. É o caso do Manchester United. Alex Ferguson tinha muito dinheiro, mas trouxe reforços pontuais, como Young e Welbeck, que sabem que vão brigar por posição. Ele não trouxe, vamos chutar, Villa e Ozil, que não aceitariam ficar no banco.

Os times europeus de mais tradição tem mais chances – e vontade – de fazer trabalhos de longo prazo. Os técnicos têm mais estabilidade e podem reforçar o elenco a cada temporada em vez de contratar (com a licença de Gérson pela hipérbole) 25 atacantes, 32 meias, 15 zagueiros e querer ganhar a Champions League amanhã. Em outras palavras, os times mais tradicionais são mais sustentáveis. E, assim, mesmo com menos dinheiro, devem continuar dando lições de grandeza para seus irmãos ricos, porém pequenos.

Compartilhe!

Julinho Botelho

O bairro da Penha, na Zona Leste de São Paulo, é dos mais tradicionais da capital paulista. À exemplo de outro bairro da “ZL”, a Mooca, a Penha conserva identidade própria, como que imune à metrópole que a cerca.

Eu estive na Penha poucas vezes, na verdade. Talvez duas vezes, para ser exato. Mas as visitas não me saem da memória.

Fui à casa de um dos mais queridos moradores do bairro pouco tempo após sua morte. Se o resto da cidade não se dava conta de que Julinho Botelho havia falecido naquele início de 2003, a Penha ainda parecia enlutada.

A casa de classe média, típica dos descendentes de italianos ou portugueses (sem luxo, mas repleta de aconchego), transbordava um misto de tristeza e orgulho.

Os filhos de Julinho organizavam o acervo do pai, morto aos 73 anos, a fim de realizar uma exposição. (Algum tempo depois voltei àquela mesma rua. Poucos metros à frente da casa da família Botelho há uma quadra de salão na qual foi organizada a mostra).

Vi de perto a camisa que Julinho usou no Maracanã, em 1959. Quem aqui conhece essa história levante a mão. Bom, bom… Mas nunca é demais repetir.

Um ano após a conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil. Amistoso contra a Inglaterra no Maracanã. No lugar do botafoguense Garrincha, condenado ao banco de reservas, o paulistano Julinho Botelho, ídolo da Portuguesa e da Fiorentina. Vaias como se não houvesse amanhã.

Mas eis que o ponta acabou com o jogo. Transformou as vaias em aplausos, dos maiores e mais duradouros que o Maracanã já viu. Brasil 2 a 0 nos ingleses. O primeiro gol foi dele e o segundo, de Henrique, após bela jogada do ponta.

Se na Copa de 54 estava lá, na Suíça, defendendo a seleção brasileira (ainda como jogador da Lusa!), quatro anos depois Julinho não esteve na campanha vitoriosa. Quem sabe o motivo levanta a mão! Bom, bom… Mas nunca é demais repetir.

Ídolo da Fiorentina, para a qual se transferiu em 55 (para ser um dos heróis do scudetto de 55-56), Julinho não considerava justo tirar o lugar de um jogador “brasileiro”, vejam só os senhores.

O amor pelo Brasil e pela Penha era tanto que foi apelidado de “Senhor Tristeza” no final de sua passagem pelo time Viola. Em 59, veio para o Palmeiras para se firmar como um dos maiores personagens da história do Palestra, integrando com lugar cativo o time que ficou conhecido como “Primeira Academia”.

Eu não vi nada disso. Mas lembro de Julinho como convidado de programas esportivos dominicais. Lembro de ouvir as histórias sobre ele. Lembro de questionar como um cara tão importante poderia ser tão simples. E de descobrir que respeito não se ganha com badalação.

E hoje me lembro daquela rua na Penha. Tão longe e tão perto. Onde um herói do futebol brasileiro viveu e morreu sem pedir aplausos. Mas fazendo-os por merecer.

Compartilhe!

Um piloto que cumpre tabela

Tem alguma coisa errada com Massa. É fácil dizer, hoje, que “ele é ruim”. Mas é mais complexo que isso. Lembremos de 2008. De um título perdido nos metros finais, com a ultrapassagem de Hamilton sobre Glock em Interlagos. Massa é – ou foi? – um ótimo piloto. E aquele ótimo piloto não lembra em nada o sujeito que hoje é uma figura apática que cumpre tabela ao volante de uma Ferrari.

Desde que voltou a pilotar, depois do acidente na Hungria-2009, Massa é um piloto comum e sem sal. Hoje passa longe da turma que tem Vettel, Alonso, Hamilton e Button. Não é mais um jovem promissor, então não se enquadra na classe de Pérez, Kobayashi, Alguersuari ou Di Resta. E, por falta de resultados, também não está no grupo de Webber, que belisca seus pódios. Massa, hoje, não é mais do que foram Fisichella e Trulli.

Massa sequer é capaz de incomodar Alonso. Barrichello incomodava Schumacher. Pressionava o alemão, que levava a melhor quase todas as vezes, mas tinha um piloto combativo (e chorão, verdade) a seu lado no box. Massa é incapaz disso. Alonso, hoje, corre sozinho na Ferrari. O espanhol tem 98 pontos a mais que seu companheiro. E Felipe, por sua vez, está apenas 22 pontos à frente de Nico Rosberg. O brasileiro destoa no grupo de pilotos das três grandes – Red Bull, McLaren e Ferrari. Todos os outros cinco têm mais de 160 pontos. Massa tem 84.

A Ferrari já disse que Massa cumprirá seu contrato até o fim, então ficará no time até o fim de 2012. Mas é difícil imaginar que siga na equipe depois disso. Aos 30 anos, não acrescenta nada ao time, deixou no passado o grande piloto que foi até fim de 2008. Por seu fraco desempenho, a equipe não tem chance de ir além do terceiro lugar no Mundial de Construtores. Sem patriotada, é difícil defender o que Felipe tem feito nas pistas. Apagado, pouco combativo, parece sem vontade.

Aquele Massa que chegou a ser piloto de ponta acabou. E será uma surpresa se, subitamente, ressurgir.

Compartilhe!

Eu sou daqueles que acreditam que no futebol não existe lugar para o empate.

Porque o empate é um tipo de barganha.

“Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.”

Mas no futebol, meu nêgo, não tem concessão. Não tem para onde correr.

Na cabeça e no coração do torcedor verdadeiramente apaixonado, só existem dois pontos de chegada numa competição: o céu e o inferno.

Assim aprendemos desde pequenos.

Afinal, os efeitos colaterais de uma final de campeonato não poupam ninguém. A tsunami não faz distinção de idade, cor dos olhos ou faixa social.

Desde jovem, a gente sabe que chegou ao céu quando aquele grito, que por muito tempo esteve contido, rasga o peito e ganha o mundo com violência, sem pedir permissão.

“É campeãão, c*!”.

O peito estufa, a auto-estima cresce e o orgulho toma conta.

Depois do jogo, a gente não sabe onde guardar tanta felicidade; sai andando por aí, entoa gritos de guerra e faz todos saberem que nós somos os maiores.

O dia é nosso e, no nosso dia, a cidade também é nossa.

Todos têm que se curvar. Inclusive aquele vizinho, que foi impiedoso no nosso último revés. Temos um sorriso guardado especialmente para ele.

O céu é felicidade, vingança, volta olímpica, celebração; é tudo isso, mas, como diriam na propaganda da Polishop, “não é só isso”.

Antes de tudo, chegar à glória significa escapar do inferno.

Porque, por um detalhe, em vez de celebrar o êxito, estaríamos cabisbaixos, músculos da face congelada, sem fôlego nem energia para proferir uma única palavra, absortos diante da derrota.

No lugar do peito estufado, o sentimento de inferioridade, a dor de ver o rival gritar mais alto e a vontade de sumir quando cruzasse com o vizinho sorridente.

Andar sobre essa linha tênue sem saber de que lado você vai cair não é fácil. Principalmente porque, qual seja o seu time, você vai despencar mais vezes para o lado errado do que para o lado certo.

E em cada ataque do outro time, em cada furada do seu zagueiro, em casa suspiro mais preocupado do colega ao lado, os pensamentos negativos vão tomar conta da sua cabeça e você vai revisitar a experiência do fracasso.

É uma pressão que machuca.

E o homem, como bicho fraco que é, procura sem nem perceber as mais diversas formas de escapar dela.

Tem aquele que se coloca contra o seu próprio time numa empenhada ação de cornetagem, que no fundo é só um jeito de se desvincular da equipe em caso de derrota.

“Eu amo o meu clube, mas esses caras que estão em campo não me representam, não quero nem saber.”

Tem também o caso clássico do torcedor que, para aliviar um pouco a pressão, faz um trabalho interno no sentido de anestesiar seus sentimentos. Propositalmente, tenta tirar a importância daquela disputa na sua vida.

“To nem aí”.

Tá no direito de cada um o jeito que lida com a sua própria paixão.

O problema é que a intensidade da alegria oriunda da vitória e da dor provocada pela derrota são absolutamente correlatas. Quem não sofre no fracasso não desfruta do mesmo êxtase na hora do triunfo.

Afinal, tão doce quanto a felicidade da vitória é escapar do infortúnio da derrota.

No fim das contas, não tem saída, meu bom; quer se entregar à paixão de torcedor, tem que estar preparado para as agruras.

Precisa agüentar o vizinho, que sempre tem um clichê guardado pra você; suportar a piada sem graça do chefe, que não sabe quem é o goleiro do time dele, mas se sente no direito de tirar barato do nosso; e ter estômago e paciência para encarar as fases em que o nosso clube não se mostra tão grande quanto diz o hino.

Bastante desafiador, mas, se você é mesmo apaixonado pelo seu clube, certamente sabe de duas coisas.

Primeiro, que não adianta tentar trocar de canal, de campeonato ou de camisa, porque paixão, no futebol, só tem uma.

E segundo que, apesar de todos os infortúnios e desgostos, sempre vale a pena. No fim do dia, a gente percebe que é apaixonado pelo clube, e não pelos títulos do clube.

Por mais que às vezes a gente se esqueça disso e renuncie a ele…

Compartilhe!

O atacante Emerson, do Corinthians, já roubou linhas do noticiário ao:

- Cantar um funk flamenguista no ônibus da delegação do Fluminense;

- Circular com uma macaca de estimação;

- Afirmar que dinheiro não aceita desaforo e que pensava em, sim, deixar o Corinthians e voltar ao Qatar;

- Dizer publicamente que Chicão, seu colega de time, merecia punição por incidente com o palmeirense Valdivia;

- Criticar protesto da torcida do Corinthians e e fazer comparação vantajosa à torcida do Flamengo.

Revelado no São Paulo no final dos anos 90, Emerson, de 32 anos, nasceu em Duque de Caxias. Passou toda a primeira década do século no futebol japonês e do Oriente Médio. Tem, inclusive, nacionalidade do Qatar.

Este período todo longe dos vícios do futebol brasileiro parecem ter feito do atacante um “turista acidental” por aqui. A despeito de sua evidente simpatia pelo Flamengo (clube que o trouxe do Qatar para a conquista do Brasileirão de 2009), Emerson parece imune a alguns vícios enfandonhos do boleiro. Fala o que pensa e faz o que der na telha.

Emerson é um bom atacante. Nada espetacular, mas muito útil para qualquer time da Série A. Se continuar nesta toada sincera, porém, pode se firmar de vez entre os torcedores após uma década de ostracismo milionário “nas Arábias”.

Compartilhe!

Goleiro aos 70

Se experiência faz a diferença, nada mais faltava para aquele senhor que irrompia a pracinha do bairro levando pelas mãos os dois netos e com uma bola embaixo do braço direito. Os pequenos logo se misturaram aos demais amigos que já aguardavam no campinho de terra. Feita a contagem, surgiu o imprevisto: eram 11 ao todo. Faltava justamente alguém para compor e iniciar o certame. O sol forte iluminava a expectativa em saber quem seria o vencedor daquela tarde de sábado.

Não teve outro jeito. Chamaram o senhor que aparentava já fazer parte do clube dos septuagenários. Ele olhou para os lados, como quem ainda espera encontrar um garoto à disposição. Fitou a esposa, que sorriu com os olhos. Ela já sabia o que iria acontecer a partir daquele momento. “Eu pego no gol”, disse o senhor, para alegria dos ansiosos meninos. O uniforme era um detalhe. Apenas subiu um pouco a barra da calça social do pé esquerdo e assim ficou: trajado por sapato social, camisa, cinto e uma empolgação juvenil estampada rosto.

A partida começou e o senhor orientava o seu time com propriedade. Talvez tenha se aventurado nos campos de várzea em sua adolescência. No começo, os garotos estranharam. Estavam acostumados a todos se jogarem ao ataque para marcar o gol e imitar as comemorações de seus ídolos na vida real. Mas o senhor ordenava a disposição tática do seu time. Orientava para que o zagueiro só subisse nos escanteios. Quando a bola voava longe, aproveitava para orientar o atacante a marcar a saída de bola. Os garotos olhavam fixamente pra ele. A admiração era palpável.

Só que chegou a hora de o senhor também mostrar serviço. Agarrou a primeira bola, espalmou as duas seguintes, chegou mais rápido que o adversário num contra-ataque perigoso. “Boa, vovô!”, gritavam seus companheiros. E o senhor fingia que não era com ele, como se nada fosse mais natural do que defender a honra e a meta daquele gol improvisado por pedras e grades de arame.

Deve ter jogado por uns 40 minutos ininterruptos. Tomou alguns gols, é verdade. Quatro, pra ser mais exato. Mas o seu time marcou outros seis e venceu aquele clássico. Ao final, os meninos correram para abraçá-lo. Os garotos da equipe adversária fizeram questão de cumprimentá-lo. Um a um, em fila indiana. Constrangido, o senhor agradecia e disparava afagos nos moicanos espalhados pelo campo.

Voltou a barra da calça para a altura certa e caminhou em direção ao bebedouro. Pediu para a mulher recolher os netos, enquanto molhava a nuca e os pulsos. Já a caminho da saída da pracinha, alguém o chamou. Era um menino com uma camisa do Barcelona, orgulhoso dos joelhos ralados. “Vovô, você volta na semana que vem?”, perguntou. “Volto, meu filho. Volto”, respondeu o senhor, sem conseguir mais esconder a satisfação.

A mulher o puxou pelo braço e beijou sua bochecha. Os netos improvisavam uma tabelinha até chegarem ao local onde estava estacionado o carro. O senhor olhou pra trás e focou mais uma vez a vista cansada sobre o campinho. Parecia querer registrar na mente aquela tarde improvável. Notou ainda o bico do sapato social repleto de terra, mas resolveu deixá-lo sujo. Era o troféu que levaria na lembrança pelos próximos anos. Ou ao menos até o próximo sábado.

Crédito imagem: Amanda Ansaldo

Compartilhe!

Elogiar goleiro, zagueiro e juiz antes de o jogo acabar é um erro grave. Esta afirmação não passa de um lugar comum do futebol, mas é tão comum que você provavelmente conseguirá comprovar empiricamente na rodada desta noite ou na próxima do Campeonato Brasileiro. Mas e elogiar políticos? E políticos ex-jogadores de futebol? Fazer isso é pedir para que este post venha me assombrar no futuro, mas por enquanto é preciso dizer que o deputado federal Romário (PSB-RJ) está indo razoavelmente bem.

Romário entrou na política confundindo o nome de seu partido, foi claramente escalado pelo PSB como celebridade puxadora de votos e, graças ao que muitos chamam de voto de protesto ou inconsciente, foi o sexto deputado federal mais votado no Rio de Janeiro. Recentemente, foi acusado, e se defendeu, de ter jogado futevôlei no horário de trabalho. No maior vacilo que cometeu até aqui, deixou de fazer um teste de bafômetro e xingou muito no Twitter depois de ser xingado por internautas. Foi um erro não fazer o teste por ser ele um parlamentar, mas se as pessoas acharam normal o senador presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) fazer o mesmo, não é o caso de perseguir Romário.

Dentro das quatro linhas, quer dizer, no plenário da Câmara, Romário vem defendendo causas ligadas aos deficientes – sua filha mais nova tem síndrome de Down – é um dos únicos deputados que não faltou e, o principal, vem fazendo algo que quase nenhum outro deputado tem coragem de fazer. Criticar a organização da Copa do Mundo de 2014.

Romário foi um dos poucos a se levantar contra a Lei Geral da Copa, uma legislação proposta pelo governo Dilma que, sem a menor dúvida, trará enormes problemas para muitos brasileiros em 2014. Romário notou que a possibilidade de as prefeituras decretarem feriados nos dias de jogos (imaginem Cuiabá instituindo feriado porque Eslovênia e Trinidad & Tobago vão se enfrentar) pode mascarar a falta de obras de mobilidade urbana nas cidades-sede. Romário também falou dos preços dos ingressos e voltou a criticar investimentos milionários em estádios onde o futebol praticamente não existe. Todas verdades que muitos cidadãos/eleitores/torcedores gostariam de falar e que ele, como representante da população, fala.

Como se vê, todos os argumentos positivos a favor de Romário são coisas simples, que qualquer deputado deveria fazer. Isso significa que o Romário deputado ainda não é o craque que vimos em campo, mas sim um Dunga, um cara esforçado, que faz sua obrigação e de vez em quando dá uma cabeçada na cara do Bebeto na abertura da Copa. Para quem se acostumou com políticos ladrões e esperava que Romário fosse ficar dois dias em Brasília e passar o resto da semana jogando futevôlei na Barra da Tijuca, o resultado está acima do esperado.

Foto: Agência Brasil

Compartilhe!

Ao Flamengo o vermelho e preto soberano no Maracanã. O hino invejável (“eu teria um desgosto profundo, se faltasse o Flamengo no mundo”) e os cânticos arrepiantes da torcida.

Ao Flamengo a história gloriosa, o gol de Rondinelli, as comemorações do Nunes. E Adílio. E Andrade.

Ao Flamengo, Zico. O maior de uma geração que não veio ao mundo a tempo de ver Pelé, mas viu os jogos contra o Cobreloa, contra o Liverpool e aprendeu que, sim, o Brasil tinha campeões mundiais.

Ao Flamengo…

Ao Flamengo a política suja e oportunista. Dos conselheiros-maçarandubas que circulam com carta branca pela Gávea prontos a agredir, xingar, tumultuar.

Ao Flamengo o desrespeito à própria história e aos seus próprios heróis em nome de mais poder e ciúmes.

Ao Flamengo um Poder Executivo perigosamente refém de interesses que pouco têm a ver com os do clube.

Ao Flamengo, a cara do país.

Compartilhe!

Quantos times paulistas devem disputar a Série A do Campeonato Brasileiro? O regulamento não prevê um limite, mas é bom para a competição que 40% de suas equipes sejam de um mesmo Estado? Pois pode acontecer em 2012.

Nada indica que um time paulista será rebaixado. Corinthians e São Paulo já estão livres da ameaça. Palmeiras e Santos teriam de ser vítimas de uma tragédia de proporções bíblicas para que isso acontecesse. Ao mesmo tempo, ao se olhar a classificação da Série B, não é nada difícil imaginar que quatro equipes paulistas terminem nas quatro primeiras colocações e consigam o acesso.

Portuguesa e Ponte Preta estão entre os quatro primeiros colocados durante praticamente todo o campeonato. A Lusa já disparou em relação ao quinto colocado. A Ponte é regular como há muito não se via. O itinerante Americana-ex-Guaratinguetá é regular também, ocupa o quarto lugar depois de 24 rodadas. E o Bragantino, sexto, é a equipe em melhor momento, com seis vitórias consecutivas.

É um péssimo negócio para o futebol brasileiro ter um campeonato com um número tão grande de times de São Paulo. Se acontecer, paciência, é o regulamento e ele deve ser cumprido. Mas será um torneio nacional mal representado. O Norte e o Nordeste estão à míngua. O poder econômico do Sudeste-Sul está apagando os times do Norte-Nordeste e suas empolgantes torcidas.

Algo parecido já aconteceu há dois anos, quando havia a possibilidade do campeonato de 2010 ter nove paulistas. No fim, foram seis. Jamais um Estado conseguiu os quatro primeiros lugares do Brasileiro, seja em qual divisão for. A Série B 2011 pode ser a primeira. Se for, tornará o próximo campeonato uma versão incrementada do Paulistão. Eu vou torcer contra.

Compartilhe!

Compre o livro "Esporte Fino - O Esporte Além dos Resultados"