Por Fernando Graziani
De Madri
Por uma boa coincidência, logo após o post do Rodrigo Borges aqui no Esporte Fino, sobre o Mundial feminino de handebol e sua tremenda desorganização, tive a oportunidade de ver, ao vivo, a partida do Atlético de Madrid contra o Amaya Sport San Antonio, válida pela 14ª rodada da Liga Asobal, o Campeonato Espanhol da primeira divisão de handebol masculino (ou Balonmano como eles chamam).
Antes de contar como foi a experiência, é importante salientar que cerca de 20 ou 25 anos atrás o handebol era o terceiro esporte mais popular na Espanha, perdendo apenas para o futebol e para o basquete. Hoje não é mais assim. Motovelocidade, Fórmula 1, tênis, ciclismo, natação, atletismo e até o glorisoso golfe ganharam um espaço enorme.
Seja como for, o handebol tem seu público cativo. Atualmente, a Liga Asobal é disputada por 16 equipes, todas profissionais, e é uma das mais importantes do mundo. A média de público nos ginásios é de cerca de 3 mil pagantes. Os jornais impressos e sites esportivos dedicam um bom espaço ao balonmano. Dois canais de televisão possuem os direitos de transmissão da competição, disputada em sistema de pontos corridos. O campeão é o time que fizer mais pontos nos 30 jogos realizados. O atual campeão, Barcelona (sim, novamente o Barça), e o Atlético de Madrid (depois da parceria com o forte Ciudad Real, tetracampeão antes do Barça) são os líderes da temporada 2011/2012 e possuem a base da seleção espanhola. No sábado passado, eles se enfretaram para um público recorde de 13 mil pessoas (25 a 23 Barcelona), com direito a seis dos dez nos Trending Topics do Twitter da Espanha.
Muitos estrangeiros atuam na Liga. Nesta partida que fui ver eram 12. Seis do Atlético (dois franceses, um sueco, um dinamarquês que é sósia do Peter Crouch, um macedônio e um polonês) e outros seis do Amaya Sport (quatro sérvios, um angolano que é o sósia mais novo do presidente da Angola e um holandês). Um jogador de ponta do handebol espanhol chega a ganhar 150 mil euros por ano de salário (algo em torno de 31 mil reais mensais).
Agora sim, em primeiro lugar, vamos aos pontos positivos do evento, que poderiam pautar a organização brasileira esportiva de um modo geral:
1. Credenciamento: mandei um email para o Atlético de Madrid (facilmente localizado no site específico de handebol do clube, no sábado à noite, dia 10 de dezembro. Domingo pela manhã, dia 11 de dezembro, antes das 10 horas, recebi a resposta confirmando a credencial e todas as demais orientações necessárias
2. Localização do ginásio: o Palácio Vistalegre fica ao lado da estação de metrô do mesmo nome, linha 5 – verde. Dificuldade zero, portanto
3. Recepção no ginásio: um bom número de seguranças orientava o público e funcionários contratados pelo Atlético de Madrid também faziam o trabalho
4. Recepção da imprensa: me dirigi ao portão e na lista constava um envelope com meu nome e uma credencial para a partida. Foi lá que me foi entregue uma revista específica da partida, de oito páginas, com os elencos, dados dos jogadores, fotos e anúncios da venda dos carnês para os jogos do segundo turno e promoções da loja de handebol do Atlético de Madrid
5. Recepção da assessoria de imprensa: já dentro do ginásio, Maria Angela, extremamente gentil, se colocou à disposição, perguntou se eu queria que ela falasse espanhol ou inglês, me mostrou o local onde eu ficaria, bem conforável e com ótima visão, por sinal; durante o jogo ela passava pelo local onde os jornalistas estavam perguntando se tudo estava bem e foi assim também no fim da partida
6. Conexão de internet: perfeita, veloz e não caiu nenhuma vez durante cerca de três horas
7. Condição do ginásio: muito bem conservado, limpo, placares eletrônicos nas laterais e no alto, além da calefação funcionando adequadamente para os 3 graus que estavam do lado de fora
8. O confronto: jogaço, com vitória do Atlético por 37 a 31 sobre o Amaya, que mesmo estando em décimo lugar da Liga deu um trabalho danado para o time da casa. Os jogadores se respeitaram o tempo todo, sem qualquer iniciativa de briga ou animosidade
9. Comportamento da torcida: os cerca de 1,5 mil torcedores apoiaram bastante o Atlético. Muitas famílias presentes com crianças, casais e idosos. Paz completa.
Agora, claro, os pontos negativos:
1. A saída da estação para o Palácio Vistalegre não tinha escada rolante. Pô, vou reclamar com o metrô de Madri, afinal, se existem 1.691 escadas rolantes nas 300 estações que cobrem 292 km, não custava nada colocar uma ali para que eu não precisasse subir os 34 degraus.