Do fundo do baú para dezembro, 2011

O Blog Esporte Fino agradece a audiência de todos que passaram por aqui nesse ano. E adiantamos que 2012 será de boas novidades para os leitores. Fiquem agora com o nosso sincero Cartão de Natal. O blog entra em recesso e retoma suas atualizações na primeira semana de janeiro.

Forte abraço a todos e boas festas

 

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Por @maia_otavio

Como a gente é ensinado desde pequeno que cool mesmo é ver o copo meio cheio, em vez de meio vazio, não me abati com o fracasso retumbante das minhas previsões para 2011 e decidi arriscar novos palpites para 2012.

Afinal, também não foi um desastre: acertei algumas coisas, como o título antecipado de Vettel, a retomada paulista no Brasileirão, o fim da hegemonia de Muricy no mesmo campeonato e a montanha russa de Thomaz Bellucci.

Por outro lado, cravei erros titânicos, como as apostas em derrota de Anderson Silva, título da Champions League do Real Madrid, arrancada do Galo de Dorival e, a mais hilária de todas, título brasileiro na Copa América.

Bola de cristal lustrada, lá vamos nós:

Y el vencedor es…
Na Copa Libertadores, o Corinthians chegará com tudo e o Santos com Neymar… Mas o título ficará nas mãos de um argentino… Ou chileno.

Café com Leite
Como consolação, o São Paulo ganhará o título paulista e o Atlético, o mineiro. Mas seus arquirrivais (Corinthians, Santos e Cruzeiro) é que vão brigar pelo título Brasileiro, deixando desta vez os cariocas para trás.

No topo, mas com menos brilho
Novak Djokovic encerrará novamente o ano como número 1 do mundo. Mas terá uma temporada mais irregular do que em 2011. Nadal conquistará Roland Garros e Federer, Wimbledon (o suspiro final).

Uma luz lááá no finzinho do túnel
Thomaz Bellucci vai começar o ano mal e vai chegar a cair do Top 100. Mas reencontrará as vitórias e terminará o ano de volta ao grupo de elite, ainda que atrás da posição atual.

Disputada acirrada
Na Fórmula 1, nova disputa acirrada para ver quem fica atrás Vettel como vice-campeão. O alemão entrará para a categoria dos grandes nomes da história e causará alvoroço entre os sennistas fanáticos.

Passando o bastão para o clone
Certa vez Anderson Silva disse que seu maior desafiante seria seu próprio clone. E a brincadeira virou realidade: o americano Jon Jones, que lembra Anderson em vários aspectos, vai se consolidar como grande fenômeno do MMA. Vai terminar o ano invicto, ao contrário do brasileiro. E em dezembro vai anunciar a mudança de categoria porque não há mais rivais entre os meio-pesados.

DNA Vira-lata
Ao final do ano, a auto-estima da Seleção Brasileira continua baixa e o time seguirá distante do futebol praticado pelas principais seleções do Planeta. Mano se despedirá, assim como Ricardo Teixeira, que, acuado, pedirá licença da CBF.

Eles vêm com tudo
Em 2012 a Alemanha mostrará ao mundo que é favorita à Copa de 2014: com a nova geração mais amadurecida, vai levar a Eurocopa com tranqüilidade e deixar a Espanha bastante preocupada.

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O que fica para 2012

Por @FChiorino

O cenário não é dos mais animadores. O futebol brasileiro passou por 2011 coberto de desconfiança. A começar pela Seleção Brasileira, liderada por Mano Menezes. Amistosos inexpressivos, uma Copa América pífia e um amontoado de jogadores escalados sem qualquer progresso técnico e tático. Não ter que participar das eliminatórias é uma enorme desvantagem para essa seleção. Falta um conjunto homogêneo e testes de verdade que possam sinalizar a equipe que deve entrar em campo na tão esperada Copa do Mundo no país.

O Campeonato Brasileiro mostrou outra preocupação. Sim, o modelo de pontos corridos é um sucesso e tivemos a edição mais competitiva dos últimos tempos. Porém, a principal competição foi nivelada por baixo. Poucos jogos brilhantes e distância mínima entre os clubes. A poucas rodadas do fim, o campeão Corinthians perdia para o lanterna. Os times que disputavam a vaga para a Libertadores perdiam pontos importantes para o Z4. Criou-se a ilusão de que o “repatriamento” de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Valdívia, Luis Fabiano, Adriano traria brilho ao Brasileirão. Não demorou muito tempo para se perceber que os ditos craques eram agora apenas bons jogadores.

O Santos protagonizou o maior momento do futebol brasileiro nesse ano, com a conquista da Libertadores. Só que o título trouxe também a crença de que seria possível fazer frente aos grandes europeus e, mais especificamente, ao Barcelona. O resultado final todos viram no domingo: uma aula de futebol do clube espanhol. Neymar, Ganso, Borges, Elano e Muricy representaram a mesma dificuldade que um jogo contra o Zaragoza. Ou seja, nenhuma.

E o ano termina com a sensação de que enfim podemos abandonar a ideia de que o futebol brasileiro é o melhor do mundo. Não é mais. Se a Copa de 2014 começasse amanhã, seria uma fantasia eleger o Brasil como favorito. Há quem recorra ao peso da camisa para sustentar a patriotada, o que caiu por terra nas Copas de 2006 e 2010, quando nem figuramos entre os semifinalistas.

Precisamos nos reinventar. Deixar o pandeiro de lado por algum tempo e entender que só a nossa história já não é mais suficiente para meter medo nos adversários. E mais: contratos milionários com televisão e patrocinadores não são sinônimo de bom futebol, apenas de cofres cheios para poucos. E “coroando” todo esse declínio temos a CBF, envolta em sucessivas denúncias de corrupção e buscando em craques do passado o escudo contra a falta de credibilidade que se perpetua entre os torcedores.

Está na hora de sepultar a fantasia que nos cerca. O futebol brasileiro é hoje apenas um garoto com a bola nos pés a driblar rivais invisíveis.

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Talvez seja esse um dos maiores duelos do cinema, e dos que mais representam a batalha entre o improviso e o método. A alegria contra a seriedade. Estamos falando de Ferris Bueller x diretor Rooney no clássico dos clássicos “Curtindo a Vida Adoidado”, de 1986.

Ferris Bueller arma um esquema perfeito para matar aula e aproveitar o dia. Não, não é um vagabundo. Apenas não se conforma com a mesmice. “Você não está morrendo. Apenas não está pensando em algo legal para fazer.”

Seu maior adversário é o diretor Ed Rooney. Mal-humorado, sem jogo de cintura e incapaz de reconhecer defeitos. Disposto a impedir que Ferris volte a se dar bem em nova empreitada, vai à luta e leva seguidos olés. Impagável.

Tentei escrever este post antes de Barcelona x Santos. Eu iria sugerir que os santistas entrassem em campo com uma postura de Ferris Bueller, apenas dispostos a curtir mais um dia.

Não deu tempo, mas seria inútil. O Ferris Bueller é mesmo o Barcelona, e o futebol brasileiro vive sua fase de diretor Rooney. Apaixonado por trabalho, método e planejamento. Mas sem o menor jogo de cintura.

Dito isso, fiquemos com a impagável sequência final do filme, na qual o futebol brasi… digo, o diretor Rooney, derrotado de forma incontestável por Lionel Me… digo, Ferris Bueller, tem de encarar uma carona no ônibus escolar.

Oh, yeah… Tchuc-tchuc-tchuc-ahhhhhhhh….

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O colega Victor Martins, editor-executivo do Grande Prêmio, foi criticado no Twitter por uma seguidora por conta de seus comentários a respeito do Rally de São Paulo, um torneio disputado no Parque São Jorge e organizado por Rubens Barrichello. Disse a moça: “Parece que o brasileiro gosta eh de criticar e nao de incentivar o novo e diferente!”.

O evento foi um fiasco. Arquibancadas vazias, parte técnica abaixo da crítica, carros sem velocidade e sem preparo para correr na terra (que virou lama com a chuva). Alguns atolaram. Flavio Gomes fez um relato completo do fiasco.

Mas voltemos à crítica feita ao Martins, o popular Vitonez. A moça que o critica diz que brasileiro não gosta de “incentivar o novo e o diferente”. Incentivar. Há uma perigosa confusão no ar a respeito da função de um jornalista. Obrigação de um repórter, com microfone ou teclado nas mãos, é informar, reportar, noticiar e sempre, sempre ter um olhar crítico. O que não significa obrigatoriamente falar mal, mas ter a capacidade de observar e contar ao público o que está vendo.

Quem apoia ou incentiva é patrocinador e organizador. Quem torce é torcida. Jornalista que torce não é jornalista. O jornalismo esportivo, não é exagero dizer, vive uma crise. Quer ser leve, o que é ótimo, mas vira engraçadinho e se esquece da informação. E, de alguns anos para cá, alguém decidiu que jornalista esportivo é aquele que defende os atletas brasileiros. É aquele que briga pelo que “é bom para o Brasil (ou brasileiro)”. Não é. Jornalismo não é jogador pedir música no Fantástico quando fizer três gols.

Esta postura deu ao público a visão equivocada de que jornalista tem de apoiar e incentivar, como citou a tuiteira em sua crítica ao Victor. Aqueles que se mantêm imparciais e fazem seu trabalho de informar são inimigos da pátria. Outro erro comum, aliás: confundir esporte com patriotismo. Ai de você se torcer contra a seleção brasileira de futebol ou se achar que Schumacher foi melhor que Senna.

O jornalismo esportivo vive uma luta diária para não deixar de existir. Aos trancos e barrancos, luta pela própria vida. Mas não será uma surpresa se um dia aparecer nos trending topics do Twitter a hashtag #RIPjornalismoesportivo.

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No momento em que o Barcelona está sob todos os holofotes e ganha os mais diversos e merecidos elogios, não custa lembrar que o clube possui também o seu Lado B, cujo teor não inspira nenhum tipo de orgulho, nem no mais fanático dos torcedores.

Se analisarmos a administração do Barça com olhos críticos, vamos encontrar notícias pouco alvissareiras, como uma cartolagem em guerra, escândalos financeiros e até elos com ditadores acusados de tortura e trabalho escravo.

O esquadrão comandado por Pep Guardiola nasceu sob a batuta do ex-presidente Joan Laporta e continuou na gestão do atual presidente Sandro Rosell. Os dois são os protagonistas da vida política recente do Barcelona e têm em comum o fato de atraírem em torno de si acusações bastante delicadas.

Grandes aliados no passado, os cartolas acabaram se tornaram desafetos notórios. Rosell ajudou Laporta a alcançar a presidência do clube em 2003, em campanha que arrebatou a grande maioria dos votos. Dois anos depois, no entanto, rompeu com o ex-parceiro e deixou o cargo de vice-presidente. Após a sua saída, disparou críticas contundentes a Laporta, cuja gestão acusou de ser uma “anarquia” e de “faltar com a transparência”.

Os dois passaram a travar guerras de bastidores e em 2008 Sandro apoiou uma moção de não-confiança que quase tirou o rival do poder. O fato é que em 2010 Rosell lançou sua candidatura à presidência do Barcelona e colocou fim ao ciclo do desafeto. Isso significou ao clube trocar um cartola acusado de fazer negócios com um ditador cruel por outro supostamente envolvido em escândalos financeiros.

Os laços de Laporta com figuras de reputação duvidosa são bastante conhecidas. A Revista da ESPN noticiou assim as estranhas conexões do ex-dirigente:

Laporta tem relações estreitas com Gulnara Karimova, filha de Islam Karimov, presidente do Uzbequistão. Personagem controversa, ela é dona da Zeromax, o maior conglomerado de empresas do país asiático, e também do Bunyodkor, ex-clube de Felipão. Entre as acusações que recaem sobre Gulnara e seu pai, estão as de tortura, assassinato e escravidão. É fato conhecido internacionalmente que os uzbeques possuem um dos regimes ditatoriais mais duros do mundo.”

De um lado, o cartola transformou o Barcelona em apoiador do UNICEF; de outro, fez do clube catalão o único parceiro internacional do Bunyodkor, num acordo milionário com a agremiação do cruel ditador uzbeque. De quebra, Laporta envolveu seu próprio escritório de advocacia na tentativa da Zeromax de comprar o Mallorca. Se a empreitada tivesse sucesso, ele levaria uma bolada polpuda para casa.

Rosell, por sua vez, tem histórico de acusações aqui no Brasil. Ex-presidente da Nike no País, ele é grande amigo de Ricardo Teixeira. Recentemente, foi implicado numa suspeita que envolveu a partida amistosa disputada por Brasil e Portugal, em 2008, no Distrito Federal. Sem licitação, a Ailanto Marketing, da qual Sandro é sócio majoritário, recebeu R$ 9 milhões do governo do DF para organizar a partida. Reportagens mostraram indícios de superfaturamento e outras irregularidades, além de apontarem que a Ailanto era uma empresa de fachada, com patrimônio de apenas R$ 800 e nenhum serviço prestado.

O contrato para aquela partida foi firmado entre o governador José Roberto Arruda e Vanessa Precht. No ano seguinte, a mesma Vanessa, ex-sócia da Ailanto, arrendou uma fazenda de Ricardo Teixeira por cinco anos, no valor de R$ 10 mil ao mês, o que foi interpretado pela imprensa como uma conexão estranha.

Se Rosell ou Laporta são culpados ou inocentes de algum acusação, é a Justiça quem vai decidir. Mas cabe ao jornalismo lembrar que, por trás das jogadas mágicas de Messi, Xavi e companhia, existe um lado obscuro do Barça, que não condiz com a imagem profissional do melhor time do mundo.

Diante de tudo isso, quando você desejar que seu time seja como o Barcelona, deseje com cuidado. Talvez ele já tenha algumas características (as erradas) em comum com o time catalão…

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Por @maia_otavio

Se pela manhã o Santos foi atropelado por um caminhão-cegonha chamado Barcelona, no pós-jogo caberá às mesas-redondas, aos colunistas esportivos e às rodas de boteco concluir o nocaute daquele que foi disparado o melhor time do Brasil em 2011.

Depois de uma aula de futebol categórica como essa, é uma tremenda tentação dizer que “Neymar se apequenou diante de Messi”, “Muricy tomou nó tático de Guardiola”, “Ganso não existiu diante de Xavi” e outras bossas.

Mas, pensando friamente, o jogo não provou nada disso. O que ficou evidente é que os tais confrontos individuais nem poderiam existir diante de uma diferença técnica coletiva tão grande.

Barcelona x Santos pareceu um coletivo do time adulto contra a categoria Dente de Leite. E se jogarem mais dez vezes, sempre vai ser assim, porque a diferença é muito grande.

Ouso dizer que o Barça de Guardiola é simplesmente um dos maiores times de futebol que já entrou em campo, aí considerados clubes e seleções. É uma equipe nota 10 em elenco, entrosamento, ambiente, estrutura e treinador.

Poderia tranquilamente levar para casa uma Copa do Mundo se tivesse a chance de disputá-la.

Hoje, no Japão, deu a lógica e o Barça passeou: parecia jogar por música, sem esforço nem nervosismo, como se estivesse num treino.

Com uma disparidade técnica tão grande, tornou-se impossível analisar o tão aclamado duelo entre Neymar e Messi, que fica adiado para um eventual Brasil x Argentina, no qual os dois vão encontrar forças e realidades parecidas dos dois lados.

Na final do Mundial de Clubes, o tal duelo era como um grande piloto guiando uma Red Bull contra uma grande revelação pilotando uma Hispânia.

Messi era um gênio dentro de uma engrenagem perfeita. Tinha a bola quase o tempo todo no seu pé e inúmeras alternativas de passe e drible para executar quando a dominava, o que facilita deveras na missão de ludibriar o marcador.

Neymar, por sua vez, praticamente não recebia a bola porque o Santos quase não encostava nela. Nas poucas vezes em que foi acionado, o atacante tinha uma defesa equilibrada à sua frente e poucas alternativas de passe que não tornassem a tentativa de drible uma opção óbvia. Para piorar, conforme seu moral foi sendo golpeado, sua imaginação foi desaparecendo e seu futebol, murchando. Ficou rendido, derrotado…

Depois da partida, ao menos, Neymar falou exatamente o que tinha que ser dito: “o Barcelona é o melhor time do mundo e tem jogadores fantásticos. O que aconteceu hoje vamos tomar como lição”.

É isso: aprender com a derrota, evoluir e tentar melhor sorte na próxima, sem chororô nem desculpas desnecessárias. O mundo do futebol já viu grandes ressurgimentos e um grande atleta não se pode deixar abater.

Se cabe um elogio ao Santos, pelo menos o time soube perder. Mas é muito pouco para o futebol brasileiro, que ficou conhecido por saber ganhar,e que há tempos vem perdendo praticamente tudo para os europeus.

Por falar nisso, quanto mais 2014 se aproxima, mais o Brasil perde protagonismo e mais preocupante fica…

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No já famoso texto de 2009, o colega Rodrigo Borges cravou com maestria que brasileiro não gosta de esportes, mas de vencedores. Isso explica por que, com 28 minutos de jogo, quando o Barcelona já vencia o Santos por 2 a 0 na final do Mundial de Clubes, a caça às bruxas pelos culpados pela derrota tinha começado.

Em minutos, Muricy Ramalho, tetracampeão brasileiro, virara uma besta. Neymar, “melhor que Messi”, se tornara um pipoqueiro. Ganso, uma farsa. Durval, o pior zagueiro do mundo. A questão é: por que fazemos isso? Porque é muito mais fácil culpar pessoas do que tratar os problemas como nossos, e a cultura brasileira adora fazer isso.

Se culparmos Muricy, Ganso, Neymar e Durval, não precisamos discutir como e por quais motivos há um fosso profundoentre o campeão europeu e o campeão sul-americano, por que ele não para de aumentar e, muito menos, o que devemos fazer para lidar com isso.

O Barcelona nem sempre foi essa maravilha. O Barcelona de hoje é fruto de trabalho bem feito que envolve 1) investimento pesado em categorias de base; 2) o melhor programa de sócio-torcedores do mundo; 3) uma análise bem feita de jovens jogadores de outros times; 4) administração profissional de um campeonato. No Brasil, as categorias de base são amadoras, o torcedor (consumidor) é tratado como lixo, jogadores saem do país e da América do Sul sem os times grandes brasileiros saberem quem eles são e o campeonato é administrado por coronéis, como se fosse um torneio da várzea.

É por isso que um time que conseguiu revelar Neymar e Ganso tem, na final do Mundial de Clubes, Léo, um lateral de 36 anos, Durval, um zagueiro apenas médio que fez carreira em times pequenos, Borges, artilheiro de um futebol mediano, etc, etc. O drama do Santos diante do Barcelona não é diferente do drama que outros times brasileiros passaram neste torneio. O drama do Santos foi apenas mais acentuado.

A última vez que um time brasileiro entrou em campo com uma equipe (no papel) de igual para igual com um europeu, foi em 1993, com o São Paulo que derrotou o Milan. Naquela temporada, o futebol europeu criou a Champions League, revolucionou seu futebol, enquanto o Brasil ficou parado no tempo. Desde o bicampeonato do São Paulo, o Brasil só ganhou duas vezes o mundial, graças uma incrível mistura de dedicação, sorte e menosprezo do adversário que fizeram São Paulo e Internacional bater o Liverpool e o Barcelona, respectivamente.

Podemos continuar criticando técnicos, esquemas táticos e jogadores. Mas isso não vai fazer o futebol brasileiro mudar e muito menos voltar a ganhar títulos mundiais.

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Por Fernando Graziani
De Madri

Por uma boa coincidência, logo após o post do Rodrigo Borges aqui no Esporte Fino, sobre o Mundial feminino de handebol e sua tremenda desorganização, tive a oportunidade de ver, ao vivo, a partida do Atlético de Madrid contra o Amaya Sport San Antonio, válida pela 14ª rodada da Liga Asobal, o Campeonato Espanhol da primeira divisão de handebol masculino (ou Balonmano como eles chamam).

Antes de contar como foi a experiência, é importante salientar que cerca de 20 ou 25 anos atrás o handebol era o terceiro esporte mais popular na Espanha, perdendo apenas para o futebol e para o basquete. Hoje não é mais assim. Motovelocidade, Fórmula 1, tênis, ciclismo, natação, atletismo e até o glorisoso golfe ganharam um espaço enorme.

Seja como for, o handebol tem seu público cativo. Atualmente, a Liga Asobal é disputada por 16 equipes, todas profissionais, e é uma das mais importantes do mundo. A média de público nos ginásios é de cerca de 3 mil pagantes. Os jornais impressos e sites esportivos dedicam um bom espaço ao balonmano. Dois canais de televisão possuem os direitos de transmissão da competição, disputada em sistema de pontos corridos. O campeão é o time que fizer mais pontos nos 30 jogos realizados. O atual campeão, Barcelona (sim, novamente o Barça), e o Atlético de Madrid (depois da parceria com o forte Ciudad Real, tetracampeão antes do Barça) são os líderes da temporada 2011/2012 e possuem a base da seleção espanhola. No sábado passado, eles se enfretaram para um público recorde de 13 mil pessoas (25 a 23 Barcelona), com direito a seis dos dez nos Trending Topics do Twitter da Espanha.

Muitos estrangeiros atuam na Liga. Nesta partida que fui ver eram 12. Seis do Atlético (dois franceses, um sueco, um dinamarquês que é sósia do Peter Crouch, um macedônio e um polonês) e outros seis do Amaya Sport (quatro sérvios, um angolano que é o sósia mais novo do presidente da Angola e um holandês). Um jogador de ponta do handebol espanhol chega a ganhar 150 mil euros por ano de salário (algo em torno de 31 mil reais mensais).

Agora sim, em primeiro lugar, vamos aos pontos positivos do evento, que poderiam pautar a organização brasileira esportiva de um modo geral:

1. Credenciamento: mandei um email para o Atlético de Madrid (facilmente localizado no site específico de handebol do clube, no sábado à noite, dia 10 de dezembro. Domingo pela manhã, dia 11 de dezembro, antes das 10 horas, recebi a resposta confirmando a credencial e todas as demais orientações necessárias

2. Localização do ginásio: o Palácio Vistalegre fica ao lado da estação de metrô do mesmo nome, linha 5 – verde. Dificuldade zero, portanto

3. Recepção no ginásio: um bom número de seguranças orientava o público e funcionários contratados pelo Atlético de Madrid também faziam o trabalho

4. Recepção da imprensa: me dirigi ao portão e na lista constava um envelope com meu nome e uma credencial para a partida. Foi lá que me foi entregue uma revista específica da partida, de oito páginas, com os elencos, dados dos jogadores, fotos e anúncios da venda dos carnês para os jogos do segundo turno e promoções da loja de handebol do Atlético de Madrid

5. Recepção da assessoria de imprensa: já dentro do ginásio, Maria Angela, extremamente gentil, se colocou à disposição, perguntou se eu queria que ela falasse espanhol ou inglês, me mostrou o local onde eu ficaria, bem conforável e com ótima visão, por sinal; durante o jogo ela passava pelo local onde os jornalistas estavam perguntando se tudo estava bem e foi assim também no fim da partida

6. Conexão de internet: perfeita, veloz e não caiu nenhuma vez durante cerca de três horas

7. Condição do ginásio: muito bem conservado, limpo, placares eletrônicos nas laterais e no alto, além da calefação funcionando adequadamente para os 3 graus que estavam do lado de fora

8. O confronto: jogaço, com vitória do Atlético por 37 a 31 sobre o Amaya, que mesmo estando em décimo lugar da Liga deu um trabalho danado para o time da casa. Os jogadores se respeitaram o tempo todo, sem qualquer iniciativa de briga ou animosidade

9. Comportamento da torcida: os cerca de 1,5 mil torcedores apoiaram bastante o Atlético. Muitas famílias presentes com crianças, casais e idosos. Paz completa.

Agora, claro, os pontos negativos:

1. A saída da estação para o Palácio Vistalegre não tinha escada rolante. Pô, vou reclamar com o metrô de Madri, afinal, se existem 1.691 escadas rolantes nas 300 estações que cobrem 292 km, não custava nada colocar uma ali para que eu não precisasse subir os 34 degraus.

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Inimigo Secreto

Por @FChiorino

O final do ano se aproxima e surgem as famosas festas de confraternização. Mas o clima amistoso e de celebração não é regra em todas as empresas. E quando se trata de futebol, a coisa tende a piorar. O Blog Esporte Fino teve acesso com exclusividade à lista de inimigo secreto e aos presentes que serão enviados entre os desafetos.

Juca Kfouri
Inimigo secreto: Ricardo Teixeira
Presente: assinatura anual da revista Piauí

Luiz Felipe Scolari
Inimigo secreto: Kléber Gladiador
Presente: camisa da torcida organizada do Internacional de Porto Alegre

Adenor Tite
Inimigo secreto: Luiz Felipe Scolari
Presente: megafone

Juvenal Juvêncio
Inimigo Secreto: Andrés Sanchez
Presente: ingressos para o próximo show do Jonas Brother no Morumbi

Andrés Sanchez
Inimigo secreto: Rogério Ceni
Presente: guia especial da Copa do Brasil 2012

Vanderlei Luxemburgo
Inimigo secreto: Marcelinho Carioca
Presente: curso de extensão universitária do Instituto Vanderlei Luxemburgo

Dorival Júnior
Inimigo secreto: Neymar
Presente: excursão pelo Aquário Municipal de Santos

Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro
Inimigo secreto: Paulo Henrique Ganso
Presente: Banco Imobiliário

Arnaldo Tirone
Inimigo secreto: Ronaldinho Gaúcho
Presente: livro “Técnicas de Masturbação entre Batman e Robin”

Patrícia Amorim
Inimigo secreto: Juvenal Juvêncio
Presente: garrafa do uísque paraguaio “Juanito Andador”

Luis Paulo Rosenberg
Inimigo secreto: Adriano
Presente: kit completo “Dieta Dream Week – Luciana Gimenez”

Ronaldo Fenômeno
Inimigo secreto: Neto
Presente: réplica em madeira do ex-juiz José Aparecido de Oliveira

Paulo Cesar Carpegiani
Inimigo secreto: Rivaldo
Presente: conta premium na Catho Online

Joel Santana
Inimigo secreto: Zezé Perrela
Presente: Lulinha

Emerson Leão
Inimigo secreto: Dagoberto
Presente: passaporte Playcenter

Maradona
Inimigo secreto: Pelé
Presente: Rivotril

Milton Cruz
Inimigo secreto: Mano Menezes
Presente: engradado de Guaraná Antártica

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