Do fundo do baú para abril, 2012

Somos todos velhas fofoqueiras

Por @maia_otavio

Já ouvi argumentos a perder de vista, mas até agora não entendi a verdadeira razão pela qual nós, torcedores comuns, reclamamos tanto do melhor jogador brasileiro em atividade.

Tudo bem, Neymar pode não ser perfeito, pode não ser o homem que sonhamos para casar com a nossa filha, mas não dá fechar os olhos ao fato de que ele sintetiza tudo aquilo por que clamamos tanto nos últimos anos.

Senão vejamos:

(i)No momento em que o Brasil sente falta do seu futebol genuíno e amarga um festival de chutões, chuveirinhos e volantes cabeças-de-bagre, o camisa 11 dá espetáculo, com direito a dribles geniais, assistências desconcertantes (que a gente tende a ignorar) e gols de placa.

(ii)No momento em que estamos de saco cheio de atletas descomprometidos e sem brilho nos olhos, o atacante mostra uma fome de bola e um prazer de jogar futebol inquestionáveis, que resultam em atuações sempre vibrantes, mesmo nos dias em que falta inspiração.

(iii)Justo na hora em que o torcedor se ressente de ter na Seleção ou no nosso clube do coração um craque legítimo, daqueles que decidem nas horas mais importantes, o santista cansa de desequilibrar partidas cruciais.

(iv)Num contexto em que nos tornamos coadjuvantes no futebol internacional e estamos longe dos holofotes, Neymar mostra que é uma estrela de primeira grandeza, daquelas com capacidade para chegar ao topo do mundo e ficar marcada na história do esporte.

(v)Nessa dura entressafra, em que além de tudo nossos poucos bons nomes passam longas temporadas no estaleiro, o craque apanha, dá o sangue, mas nunca se contunde e jamais fica de fora de jogo algum, nem da pelada mais irrelevante.

Neymar é a melhor notícia do futebol brasileiro em muitos anos. Para mim, isso é fato consumado, sem margem para discussão. O que não entra na minha cabeça é que, quando finalmente surge um atleta com tantos atributos, nós não ficamos satisfeitos. Em vez de apreciarmos e celebrarmos o novo talento, fazemos beicinho e mostramos indignação com coisas completamente sem importância para o esporte. Faz diferença se ele corta o cabelo tigelinha ou com topete? Se usa chuteira rosa ou preta? Se fala bem ou mal numa entrevista?

Não custa lembrar que outros grandes nomes do futebol, como Romário, Pelé e Ronaldo, também não eram símbolos da humildade, do bom gosto ou da simpatia. Mesmo assim, marcaram seus nomes na história e foram reverenciados por todos nós.

O talento de Neymar não casa com a nossa implicância. Pelo menos não com esse nível de implicância. E só vejo três explicações para isso: ou somos recalcados porque o atacante samba na nossa cara toda vez que enfrenta nosso time, o que é uma alternativa lógica e viável; ou não gostamos de futebol, tese que considero bastante frágil; ou somos todos velhas fofoqueiras disfarçados de entendidos de futebol – opção que me parece a mais provável.

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Por @FChiorino

 Aquele São Paulo tricampeão (2006 a 2008) do Campeonato Brasileiro não era brilhante. Não foi em nenhum dos títulos conquistados sob a batuta de Muricy Ramalho. Era um time extremamente eficiente. Ganhava por placares magros e tomava poucos gols. Muito parecido, inclusive, com o Corinthians dos últimos dois anos. Mas ali existia uma equipe com um objetivo claro: errar o menos possível e reverter esse perfeccionismo em soberania.

Muricy se foi e a herança que ficou é nula. Os bons zagueiros aos poucos foram vendidos para a Europa, os meias sumiram do mapa e o ataque foi sendo definido na base da tentativa e erro. Hoje, o São Paulo, além de não encantar, é um time nada confiável. Uma boa sequência de vitórias com Emerson Leão chegou a iludir alguns torcedores, mas se trata de um mero efeito colateral dos estaduais. A primeira decisão surgiu e o que se viu em campo foi alguma boa vontade e uma inferioridade técnica considerável em relação ao Santos.

Uma prova da crise velada pela qual passa o tricolor paulista é o enorme tempo despendido para questões banais, como a irritante disputa pela Taça das Bolinhas e o eventual busto a Juvenal Juvêncio, que usa de manobras política para tentar se manter na presidência do clube. O São Paulo ainda se meteu num imbróglio judicial envolvendo o jogador Oscar, o que, mesmo fazendo valer os seus direitos, provocou um desgaste ainda maior com a CBF, com quem o clube há tempos não nutre uma boa relação.

O São Paulo também viu nascer Lucas, alçado prematuramente como ídolo e que a cada jogo se mostra um jogador desprovido do brio suficiente para ganhar a simpatia do próprio torcedor. Para quem já bateu palmas para Zetti, Kaká, Rogério Ceni e Raí, Lucas é um arremedo de craque, visivelmente preocupado com os pauzinhos mexidos por Wagner Ribeiro. A falta de comprometimento ficou escancarada nos últimos dias, quando vazou a informação de que o agente e os pais do jogador já conversavam com dirigentes do Real Madrid. Tudo isso numa semana de jogo decisivo pelo Campeonato Paulista. O timing não poderia ser mais desastroso.

Resta nesse primeiro semestre a Copa do Brasil, com o risco de se ver em campo um time desmotivado e sem norte. Por muitos anos, o tricolor foi visto como modelo de gestão entre os grandes clubes do Brasil. Poucas trocas de técnicos, imune a crises, elenco unido, sala de troféus cada vez mais cheia. Esse tempo acabou. O São Paulo se tornou refém de sua própria petulância, ao acreditar que o modelo nunca precisaria ser revisto.

As Libertadores e Mundiais continuam sendo diferenciais no currículo, mas não podem eternamente encobrir os erros do presente. O São Paulo ficou pra trás e precisa abrir os olhos para evitar cair na depressão que, por exemplo, acometeu o Palmeiras. Enquanto isso não acontece, a espessura do muro da Barra Funda que separa esses dois clubes só tende a diminuir.

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“Deixa viver esses campos molhados de suor
Esse orgulho latino em cada olhar”

Muito bom. Já vão começar as oitavas de final da Libertadores. Após uma primeira fase enfandonha e este regulamento esquisito, finalmente vamos para as cabeças. Aliás, qualquer semelhança com o regulamento do Campeonato Paulista não há de ser mera coincidência, já que o mesmo tipo de gente dá as cartas lá e cá.

Não, não quero palpitar sobre Inter x Fluminense, e é claro que o Santos é favorito contra o Bolívar. Corinthians e Vasco também devem passar de Emelec e Lanús, respectivamente.

Só meu deu vontade de escrever um textinho para exaltar o continente e o futebol que aqui se pratica. O porto de Guayaquil, Santiago e a companhia dos Andes, Puerto Madero, as casas humildes de Assunção, e La Paz olhando tudo de cima.

Ah, como a Libertadores voaria alto com um bom plano de marketing, regulamento mais definido e regras básicas sobre condições de estádios… Até mesmo um hino poderia ser criado, a tocar no início dos jogos tal qual a maravilhosa música oficial da Champions League.

Por falar em música, veja abaixo, Ney Matogrosso peitando e conquistando o público do primeiro Rock in Rio, em 1985, com a ótima “América do Sul”.

Se ao menos um dirigente tivesse coragem e talento correspondentes, as coisas poderiam deslanchar no futebol latino.

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Do ponto de vista do torcedor, pilotos de Fórmula 1 parecem intocáveis. Tornaram-se pessoas inacessíveis, distanciados de seus fãs por compromissos com patrocinadores, exigências de marketing e assessores de imprensa. As redes sociais têm ajudado, no entanto, numa saudável aproximação que mostra que são todos, claro, de carne e osso.

O exemplo mais recente desta aproximação proporcionada pelas redes sociais é Fernando Alonso. O espanhol, bicampeão mundial, é dono de um perfil dos mais legais do Instagram, o aplicativo que mistura foto e rede social para iPhone e smartphones com sistema Android.

Alonso tira fotos interessantes, é divertido e põe à distância a imagem de intocável que têm os pilotos, especialmente os campeões, como ele.

O Alonso do Instagram me faz lembrar do Alonso que encontrei em 2003, no GP do Brasil. Eu cobria a prova pelo Grande Prêmio e, no fim da tarde de sexta, cruzei o paddock a uns 5 metros de distância. Um menino de uns 8 ou 9 anos, do lado de fora da grade, chamou o espanhol. Alonso foi até ele, se abaixou, assinou um papel e trocou algumas palavras com o moleque, que deve ter se tornado torcedor daquele piloto que então corrida pela Renault e era apenas um jovem promissor.

Aquele Fernando Alonso vive dentro do sujeito que ganhou dois títulos mundiais, hoje é o número 1 da Ferrari e um dos atletas mais bem pagos do planeta. Que bom que uma rede social ajuda a mostrar isso.

Fernando Alonso

Foto de Alonso no Bahrein. O espanhol, com seu iPhone com capa do Homem-Aranha, fotografa Tomita, boneco que comprou no Japão há oito anos e que o acompanha nas viagens pelo mundo. O perfil no Instagram é @alo_oficial

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Por @zeantoniolima

Não me lembro exatamente do ano, só do local. Era a rua Madre Cabrini, na Vila Mariana, bairro da zona sul de São Paulo. Lá ficava a sede antiga da Cultura Inglesa, escola de inglês na qual eu estudava.

Naquele dia, minha aula acabou cedo e, como sempre, eu deixei a mansão que abrigava a escola o mais rápido possível, afinal eu odiava estudar inglês (sorte minha que minha mãe não se interessava pelo fato de eu gostar ou não). Entrei no carro, no qual minha mãe, dirigindo, e meu pai, no banco do carona, esperavam. Raramente era possível achar uma vaga ali, então eles estavam em fila dupla.

Agora nós três esperávamos minha irmã mais velha. Ela devia estar fazendo prova ou um social pós-aula com as amigas. Ela demorou e, do banco de trás do nosso carro, eu observava meu pai olhando para o senhor que dirigia o carro estacionado ao lado. Meu pai tinha a estranha mania de ficar olhando para a cara de uma pessoa, às vezes boquiaberto, sem pudor nenhum, o que gerava protestos da minha mãe e da minha irmã. Mas naquele dia o hábito mudou.

Meu pai abriu o vidro do carro e se dirigiu ao senhor de cabelos brancos.

- O senhor não é o Fabio?
- Sim, sim sou eu…

Esse episódio é de algum momento no meio dos anos 1990, então já esqueci o resto do diálogo, mas esse começo me marcou. Com aquela pergunta, meu pai fez brotar um sorriso e um brilho no olhar daquele velhinho que dirigia o outro carro. Só quando minha irmã chegou e nós fomos embora meu pai explicou a situação. O Fabio da porta da Cultura Inglesa era o Fabio Crippa, goleiro do Palmeiras substituto de Oberdan Cattani na reta final da famosa Copa Rio de 1951.

Nos anos 1950, as glórias dos jogadores de futebol não eram recompensadas com dinheiro. Mesmo que fossem, aos 70 e poucos anos, idade que Fabio tinha quando encontrou meu pai, ele provavelmente já estaria naquela fase em que as pessoas costumam ligar menos para seu saldo bancário e mais para o que significaram para familiares, amigos, etc. Para Fabio, ser reconhecido mais de 40 anos depois de seu principal feito profissional, de cabelos brancos e pele enrugada, com certeza valeu muito mais que grandes quantidades de dinheiro. É uma pena que, no futebol atual, os jogadores parecem não ter a menor ideia de quanto significam para o sujeito que está na arquibancada. Eles não estavam lá para ver a alegria do Fabio.

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Juventus e o inimigo

Por @FChiorino

Existem diversas tradições perpetuadas a cada jogo do Juventus na Rua Javari. Comer na Esfiharia Juventus antes da partida, tomar uma cerveja no Bar do Giba, ficar colado à grade da arquibancada para xingar o bandeirinha por 90 minutos e, claro, se empanturrar de cannoli do Seu Toninho nos intervalos dos jogos.

Além disso, a torcida do Moleque Travesso também cultiva um hábito fundamental para tirar a concentração do inimigo. Consiste em chamar o goleiro adversário pelo “nome próprio”, a cada tiro de meta. Você vai entender a estratégia clicando no vídeo abaixo, registrado no dia 14/4, durante o empate de 1 a 1 entre Juventus e Grêmio Osasco. Na Mooca, é assim que funciona…

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Meu avô e o gavião

identifica

Por @FChiorino

Há uns dois anos, meu avô foi a Itu e voltou com um enorme objeto de decoração. Ao chegar em casa, logo o colocou com destaque na prateleira de vidro da sala. Um final de semana depois, fui visitá-lo e me deparei com aquele monstro. E começou aí uma infindável discussão. Eu garanto que aquilo é um gavião; meu avô jura que é uma águia. Eu acuso o gavião pela má fase do Palmeiras; meu avô, nervoso, diz que a culpa é do Felipão.

Pois bem. Nesse domingo, enquanto dirigia em direção à casa dos meus avôs, fui lembrando do maldito bicho pendurado no meio da sala. Com aquele bico torto, como se estivesse a troçar do buraco no qual se meteu o meu time. Cheguei tranquilo, esperei a rodada acabar e iniciei o diálogo:

- Vô?
- Fala, meu
- Empatar com o Comercial em casa, com 2 jogadores a mais, já é demais
- E o que você quer que eu faça?
- Bom, nem preciso dizer de quem é a culpa…
- Não começa. Deixa a minha água em paz
- É gavião, vô. É gavião
- É águia, cacete
- Joga isso fora
- Jogo nada
- Se perder para o Guarani agora, a culpa é sua
- A culpa é do Felipão! Eu já falei mil vezes

Aí meu avô se levantou para pegar mais uma dose de uísque e eu olhei fixamente para o gavião. Levantei rapidamente do sofá, peguei o bichano e guardei-o num lugar que dificilmente alguém vai encontrar. Meu avô deve ter percebido, mas não veio comentar nada comigo. Horas depois, fui embora normalmente e não se falou mais sobre o assunto.

Agora é esperar a prova dos nove. Se o Palmeiras perder a próxima partida, a águia volta para sala; se ganhar, o gavião fica no esconderijo. Meu avô que me desculpe, mas com superstição não se brinca. Que venha o Guarani!

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Por Marcelo Romano, do blog Brasil Olímpico

Tenho 39 anos, e conto para vocês minha trajetória com meu time Santos.

Apesar de meus pais serem corintianos, virei santista por influência do meu irmão Wagner. Ele acompanhou a época do Pelé. Muito vagamente, lembro do título paulista de 1978. Tempos de Juary, Pita, João Paulo, meus primeiros ídolos. Em 1982, o primeiro grande sofrimento, a perda do título brasileiro no Maracanã para o Flamengo. Todos os moleques da rua Melo Peixoto, no Tatuapé, me azucrinando na porta de casa pelos 3 a 0, fora o show da turma do Zico. Em 1984, a primeira alegria com o título paulista para cima do Corinthians, gol do Serginho Chulapa. A partir daí, começavam longos 18 anos de sofrimento.

Tempo de ginásio, colegial, faculdade. Senti o que um palmeirense sente hoje. Dizer que era santista era sinônimo de ser um coitado. Haja gozação. Quantas vezes fui ao Pacaembu e Morumbi e vi meu time apanhar de Corinthians e São Paulo. Me lembro de uma vez no Morumbi, 5 a 1 para o Corinthians, show do Viola em cima de um zagueiro chamado Vilson. Saí desnorteado. Quanto sofrimento. As diretorias tentavam de tudo. Desde trazer jovens “promessas” de outros times, como o ponteiro Osmarzinho do Atlético Goianiense, Serginho Fraldinha do Palmeiras e o meia Glauco do União São João de Araras, até jogadores em fim de carreira de outros times como Valdo, Rincon, Ranielli, Cuca, Neto, Valdir Bigode…

O grande problema do Santos no período da fila foram os zagueiros. Jamais na história do futebol mundial uma equipe grande terá tantos zagueiros medíocres como os que vi no meu Santos. Copertino, Marcelo Fernandes, Pedro Paulo, Luis Carlos, Camilo, Vilson, Jean…

Além dos títulos não muito relevantes do Rio São Paulo e da Conmebol, a maior alegria no período da fila veio em 1995. Um time de jogadores apenas esforçados e o gênio Giovani, o maior ídolo que vi no Santos. Eu estava no estádio do Pacaembu naquele Santos 5 x 2 Fluminense, ao lado do são-paulino Fernando Lima, irmão do colunista José Antonio Lima. Sem dúvida a maior emoção em estádio, já que o Santos precisava vencer por 3 gols. Lembro de ter saído do Pacaembu, parado em um orelhão e ligado para vários amigos corintianos que não acreditavam na vitória milagrosa. A fila não terminou em 1995 e não acho que o Marcio Rezende tenha sido o único culpado. O técnico Cabralzinho não contava com o Galo, principal volante do time e inventou na final contra o Botafogo, colocando um time sem volantes, desarrumando todo o conjunto.

Os anos de sofrimento sem títulos importantes seguiam. O Santos caminhava para virar uma Portuguesa e a torcida ir diminuía a cada dia. Em 2002, no 1º semestre, fomos eliminados do Rio São Paulo após um empate contra o Bangu. Por causa da Copa do Mundo ficamos alguns meses sem jogar e isso deu tempo para o técnico Leão “olhar” a nova geração de meninos da Vila. Surgiram Diego, Robinho e Alex, que se uniram aos remanescentes Léo, Renato, Elano. O jejum acabou da melhor maneira possível. Vitória dramática contra o Corinthians por 3 a 2, com direito a show de pedaladas do Robinho. Lembro que me recusei a ir a casa do meu irmão na final porque tinha assistido todos os jogos mata-mata na “poltrona da minha sala” e tinha dado certo. Para que arriscar? Meu filho tinha 1 ano e eu falava “agora esse garoto vai cansar de ver o time campeão”

E foi isso mesmo. A partir daí o Santos passou a viver uma nova era. Voltou a apostar nos garotos formados em casa, parou de contratar refugos e soube aproveitar o dinheiro da venda de jogadores. Meu filho assistiu comigo a outra dramática final, em 2006 no Paulista, contra o São Caetano no Morumbi, com gol no finalzinho.

Outro orgulho que tenho foi ter assistido com meu filho o 1º jogo profissional de Neymar contra o Oeste de Itápolis no Pacaembu. Também acompanhamos os 9 a 1 contra o Ituano.

Em 2011 o título mais importante, a Libertadores. Quem viu o time na 1º fase, jamais podia imaginar que seria campeão. Mas o Muricy arrumou a defesa, a tabela nos ajudou tirando Cruzeiro e Velez do caminho e Neymar se tornou o craque decisivo que prometia. Santos tricampeão da América.

Agora é esperar a revanche contra o Barcelona. Esse ano não vamos dar a moleza de 2011.

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O álbum da Eurocopa 2012

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Flamengo e a morte anunciada

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por @FChiorino

O que aconteceu na rodada da última quarta-feira reforça a tese de que qualquer prognóstico sobre algum resultado é frágil diante de uma cabeçada aos 47 do segundo tempo. Entretanto, podemos dizer que não foi apenas o azar que deixou o Flamengo de fora das oitavas de final da Taça Libertadores. A sucessão de erros desde o início de 2012 foi a maior responsável pela eliminação.

Os mais fanáticos torcedores vão se lembrar apenas da fatalidade do gol do Emelec nos descontos, quando todo o Engenhão prendia a respiração à espera do apito final.  Vamos aos fatos: são poucos os jogos fáceis, mas nem de longe o Flamengo caiu num grupo difícil na primeira fase. Era obrigação ficar à frente de Lanús e Emelec, justamente os times que passaram para a próxima fase.

Não foi a primeira vez que o Flamengo entrou numa Libertadores rodeado por uma crise. E a história se repetiu com a troca de técnico, após a classificação para a fase de grupos. A polêmica envolvendo o relacionamento entre Vanderlei Luxemburgo e o elenco escancarou mais uma vez as regalias cedidas a Ronaldinho Gaúcho. E mostrou ainda uma covarde Patrícia Amorim, que deixou a situação explodir enquanto trocava desmentidos com a imprensa.

O time do Flamengo demorou a se firmar. Entre uma desinteressante Taça Guanabara e uma importante Libertadores, o recém-chegado Joel Santana foi buscando seus 11 titulares na base da tentativa e erro. Só o futebolês de Joel Santana não foi o suficiente para fazer o Flamengo jogar bem. A falta de regularidade pôde ser vista até mesmo num mesmo jogo, mais precisamente naquele 15 de março, quando o time massacrou o Olímpia até fazer três gols de vantagem e permitiu o empate em menos de 20 minutos.

Nem mesmo a chegada do bom Vagner Love foi suficiente para impedir os tropeços do time. Um Ronaldinho Gaúcho apático tornou-se regra. Uma defesa fraca e desencontrada tornou-se padrão. Jogadores até então incontestáveis, como Willians, foram caindo em desgraça com a torcida. Uma bagunça generalizada.

O Flamengo se despede da Libertadores sem poder apontar um culpado que não seja o seu próprio umbigo. Um melancólico fim que não deveria ser aplaudido pelo torcedor. A superação fica para a próxima.

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