Amigos, no dia em que Nelson Rodrigues completaria 100 anos é irresistível escrever algumas linhas sobre suas crônicas futebolísticas. Se já não existe mais aquela imprensa dos tempos do Nelson, também já não existe – no Brasil – quem tenha coragem de tentar analisar a alma de um jogo e de seus personagens.
Hoje, amigos, parecemos presos eternamente a textos analíticos baseados em planilhas estatísticas. A conceitos tão repetitivos que parecem enraizados nos teclados dos computadores. O comentarista esportivo está se tornando um burocrata a babar na gravata. Uma baba elástica e bovina.
É sabido por todos vocês que Nelson nada entendia de táticas e pouco conhecia das características dos jogadores. A certa altura da carreira, sequer enxergava direito o que se passava no gramado do Maracanã.
Mas, que diabos! O futebol é muito mais do que isso! O futebol precisa de boas crônicas e de boas histórias para sobreviver! Argentinos e ingleses ainda sabem bem disso, mas por aqui empacamos na burra encruzilhada: ou eu sou ultrapassado e vivo de factóides ou sou moderno, engraçadinho, cabotino…
O futebol, insisto, meus amigos, precisa de pão na chapa e café com leite pela manhã. E de muita cerveja à noite. Precisa de heróis e de vilões, que após o jogo procuram o colo da mãe para chorar ou da esposa (amante?) para pecar.
Se você não concorda com este texto, trate de envelhecer.
Compartilhe!
Tweet




É isso, Luiz Augusto… Costumo dizer que não gosto do futebol moderno, vejo o futebol além das 4 linhas e me entristeço em perceber que pessoas iguais a mim se tornam raras.
puta que pariu, sensacional. Breve e tão profundo que deu saudade de uma época que nunca vivi.
Falta paixão no futebol, é exatamente isso. Até a “paixão” das torcidas organizadas soa artificial, no dia-a-dia e durante os jogos.
O mundo piorou consideravelmente. Que triste. Nelson Rodrigues é um ícone e pode ser citado abertamente, mas como foi que caminhamos dele para os apresentadores que hoje são triste referência no jornalismo esportivo?
Incrível o retrocesso.
Brilha muito, esse Luiz!
Escrevi sobre Nelson Rodrigues e os “Rodrigueanos” no início de julho. Acho que o meu texto não bate muito com o post em questão:
http://alem4linhas.blogspot.com.br/2012/07/tipos-de-jornalista-esportivo.html
Abraços.
Resposta: Na verdade não bate nada, né Michel? E é um belo texto, que recomendo aqui como contraponto ao meu. Só não se pense que defendo a preguiça ou a falta de estudo tático, pelo contrário. Tenho convicção de que as crônicas do Nelson Rodrigues levaram centenas ou milhares a assistir/ouvir jogos. Já os “cartesianos”, tenho dúvidas se têm tal capacidade. Abraço.
Ambos os tipos de cronistas esportivos são importantes. Não precisam ser excludentes. É isso aí!
Olá, Luiz Augusto.
Só agora me dei conta de que coloquei o link nos comentários de maneira meio solta, sem dar a entender que compreendi seu ponto de vista.
Na verdade, meu texto, que é anterior a este, se refere àqueles que descrevo como “Rodrigueanos”, o que não parece ser o seu caso.
No entanto, embora não tenha dúvidas da popularidade das crônicas de Nelson Rodrigues, não colocaria sua importância na mesma medida de sua aceitação junto ao público. Hoje, não duvido de que o Neto seja mais lido do que o PVC, por exemplo.
Os textos de Nelson eram divertidos e tal, mas não eram muito mais do que isso. Não havia nada ali que pudesse ser aproveitado dentro do esporte em si. Não por acaso, quem se formou na “Escola Rodrigueana” segue até hoje sem contribuir muito com o debate necessário a esse esporte no Brasil.
Abraço.
Concordo com o Chicão.
Um exemplo. Estão até hoje comentando o segundo gol do Flu, analisando a arbitragem, discutindo o erro, etc. Nelson Rodrigues iria comentar sobre o gol, o Thiago Neves, a torcida cantando a benção antes do gol. Ou seja louvaria a nossa vitoria e faria isso se o vasco ganhasse também.
Eu gosto disso e durmo quando começam a comentar táticas e números.
Neto não pode ser levado a sério.