A catarrada e o racismo de todos nós

O lateral Apodi, do Ceará, foi cobrar um lateral na partida contra o Atlético-PR, no sábado passado, jogo válido pela Série B do Campeonato Brasileiro. Um “torcedor” do time paranaense acertou uma catarrada no jogador do alvinegro.

O meio-campista Geraldo, do Fortaleza, foi jogar contra o Salgueiro, no domingo passado, partida da Série C do Campeonato Brasileiro. Torcedores do time pernambucano o atacaram com ofensas racistas.

Duas agressões muito mais violentas do que um soco no nariz bem dado ou uma cotovelada de Jon Jones. Dois episódios degradantes, um no Sul do país e outro no Nordeste, que mostram perfeitamente como fazemos parte de uma sociedade estragada. O preconceito e o ódio imotivado independem da geografia. Eles estão espalhados pelo Brasil.

Nos dois casos as punições para os clubes e autores dos atos desprezíveis deveriam ocorrer, com iniciativas dos jogadores (as vítimas), dos clubes ou da procuradoria do STJD. Os Códigos Penal e Civil também estão aí, em vigor, e ambos poderiam ser perfeitamente usados, mas nada foi feito, nada. Tudo passou batido, apenas com um outro comentário no twitter ou notas em sites na imprensa cearense.

Estamos, infelizmente, perdendo até a nossa capacidade de indignação e ao que tudo indica, não há salvação.

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Jornalista, 39 anos. Entre uma feijoada e outra arruma um tempo até mesmo para trabalhar.
Twitter: @fgraziani
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2 Palpites

  1. Triste. Triste demais.

  2. São tristes demais episódios como esse. Pra gente ver que a tão celebrada democracia racial não passa de um mito.

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