Durante a semana, o Fernando Graziani, leitores e eu debatemos se o futebol da Espanha é ou não chato. Na final da Euro, a questão ganhou mais importância, diante da atuação fenomenal espanhola diante da Itália, que acabou massacrada por 4 a 0. A Espanha foi ou não chata? Quem viu o jogo, pode afirmar com facilidade: não, foi muito divertida. Mas por quê?
No meu post, escrevi que o esquema 4-6-0 de Del Bosque e a excessiva vontade de manter a bola tornavam o jogo da Fúria chato do meu ponto de vista. Na final, as coisas mudaram. E alguns números mostram isso.
Nos cinco primeiros jogos da Euro 2012, a Espanha completou 3386 passes, uma média de 677,2 por jogo. Na final contra a Itália, foram 529 passes, 148 (21,8%) a menos que a média. Levando em conta que a Espanha teve menos posse de bola no primeiro tempo e inverteu isso na segunda etapa (de 48% a 52% para 52% a 48%), é seguro dizer que a maior parte dos 529 passes foi dada no segundo tempo.
Enquanto isso, no primeiro tempo, o que a Espanha fez? Usou o fato de ter jogadores mais atléticos, mais habilidosos e mais entrosados para destroçar a Itália. Em 45 minutos, atropelou uma perdida e cansada Azurra e fez o que todos querem vê-la fazendo: com brilhantismo, mostrou que é mesmo a melhor seleção do mundo e que pode fazer isso entretendo o público.
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