
Por @FChiorino
Lembro muito pouco das Olimpíadas de Seul, em 1988. A conquista de Aurélio Miguel no judô. O mascote Hodori, um tigre que nunca deixava de sorrir. E um tio que disputou tiro ao alvo e hoje infelizmente está prostrado numa cama. Mas as imagens foram se desfragmentando, como é natural na cabeça de um garoto de 6 anos.
Mas aí veio Barcelona. Cidade preterida pelo Barão de Coubertin, em 1924, e que teve o seu sonho de ser sede dos Jogos adiado novamente em 1936, devido à Guerra Civil Espanhola. Em 1992, eu buscava me apaixonar por outros esportes, já que no futebol o meu time amargava uma fila de títulos. Eu estava em Santos, acompanhando toda a cerimônia de abertura e tentando identificar um ou outro brasileiro. Missão dificultada por conta da qualidade ruim do televisor, que criava fantasmas sobre cada atleta.
E chegou o grande momento. Grandes atletas espanhóis corriam e faziam a passagem da tocha. Mas aí um silêncio ensurdecedor apoderou-se do estádio. A TV focalizou o arqueiro paraolímpico Antonio Rebollo e sua flecha fumegante. Em seguida, o disparo. E a pira olímpica incendiou-se como quem aciona um interruptor. A multidão urrava, pessoas e atletas aos prantos eram flagrados pelas câmeras.

Alguns dias depois comecei a ler retrancas daquele momento. Entre elas, a confirmação de que a flecha não caiu sobre a pira. A chama teria ganhado vida através de um esquema de acendimento automático. Parece que existem diversos vídeos no Youtube que mostram a flecha caindo fora do estádio. Não me importa. Não acredito nos vídeos. Acredito na cena que meus olhos registraram. A coreografia mais perfeita que o esporte já ensaiou. Aquele fogo dançando sem a necessidade de qualquer acorde. Apenas lá. Existindo.
Crédito da imagem: Getty Images
Compartilhe!
Tweet




Meu momento olímpico inesquecível também. Este e o Brasil vencendo a Holanda com um ace de Marcelo Negrão na final do vôlei masculino. Gritei muito com meu pai…