A Itália de 82 era brilhante

Algumas derrotas são inesquecíveis e superam lembranças vitoriosas. Quando o árbitro israelense Abraham Klein determinou o fim de Itália 3×2 Brasil a dor da eliminação se confundia com a certeza de que os gols de Paolo Rossi seriam eternos. Eu tinha nove anos e senti exatamente isso há exatos 30 anos.

O problema, como sempre, é o exagero, o quase chilique. A valorização trágica e extrema da derrota de 82 no hoje inexistente Sarriá faz um monte de gente achar que o Brasil era perfeito e a Itália uma droga. E não era assim.

O time italiano tinha uma defesa absolutamente espetacular, formada por Zoff, Gentile, Cabrini, Collovati (entrou o Bergomi) e Scirea. Uma linha simplesmente notável, gigante, e que sofreu dois gols de um Brasil igualmente espetacular ofensivamente, mas que tinha problemas como equipe. Ainda no jogo contra o time de Telê Santana, atuaram Tardelli (depois Marini), Antogoni e Oriali; Conti, Rossi e Graziani (um belo jogador com lindo sobrenome, diga-se), comandados pelo técnico Enzo Bearzot.

Como chamar de injustiça uma derrota para uma equipe dessa? Injustiça é não reconhecer o brilho daquela Itália campeã.

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Jornalista, 39 anos. Entre uma feijoada e outra arruma um tempo até mesmo para trabalhar.
Twitter: @fgraziani
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6 Palpites

  1. Fernando, assisti a essa partida maravilhosa por 6 vezes. Na primeira vez, tinha 7 anos e chorei muito, pois como criança torcia para o meu país, que tinha uma seleção simplesmente fantástica. Lembro que a terceira vez foi em 2002, quando se completavam 20 anos da tragédia. Ali entendi que a Itália fez sua melhor partida daquela Copa, simplesmente uma partida perfeita, e havia, sim, jogado melhor que o Brasil. É incrível isso, e nem um pouco diminui o fato de que a seleção brasileira de 82 foi um dos maiores times da história. Maior que aquela Itália campeã.

    É isso Silvio. Valeu por compartilhar suas impressòes.
    Abração.
    FG

  2. O Brasil reclama de um pênalti não marcado de Tardelli sobre Zico e, no vídeo acima, um gol claríssimo italiano mal anulado. Essas polêmicas sempre vão permear os jogos de futebol, sobretudo os grandes embates, de equipes brilhantes, como esse Brasil x Itália de 82 (ano charmoso, em que nasci, diga-se). Belo texto!

    “Quidquid homo nescit, vix discit, quando senescit.”
    (O que o homem desconhece, dificilmente aprende quando envelhece.)

    Valeu Francisco, obrigado!
    FG

  3. Hoel

    Perfeito, aconselho todos a verem a reprise desse jogo, a Itália foi melhor e perdeu alguns gol incríveis também.

  4. Gilson Oliveira

    Também sou daquela geração de meninos que chorou com aquela derrota e descobriu que jogar bonito e bem nem sempre significa vencer no futebol. Tinha 13 anos e vi aquele jogo outras vezes depois.

    Concordo que a Itália de 82 tinha grandes jogadores, mas o time que empatou três vezes na fase de grupos não era bom ou melhor não funcionava direito e por isso a descrença na Itália. No entanto, ela conseguiu se ajustar no grupo contra a Argentina e Brasil e aí, merecidamente conquistou o título, mostrando toda a sua qualidade.

    Me perdoem o “se”, mas se a Itália tivesse sido eliminada na 1ª fase ou diante do Brasil, ninguém se lembraria do grande time da Itália, pois apesar de ter excelentes jogadores, o time não funcionava.

    Sobre nossa derrota. Acredito que o futebol tem muito de acaso e muitas vezes surgem vitórias que não são fruto do que foi treinado, mas de acontecimentos que não temos controle. Os dois gols do Brasil naquela partida mostram jogadas criadas por uma equipe com excelente valores individuais e em jogadas bem construídas, já os gols da Itália, exceto o primeiro gol de Rossi, são acasos de uma partida e não fruto de um trabalho de equipe e aí, escapam ao controle de qualquer um e decidem partidas e títulos. Esse é o futebol.

  5. Felipe Gurgel

    Nepotismo! =)

  6. Zaki

    O Brasil não jogou o seu melhor naquele dia e mesmo assim empatou bem por duas vezes, quase por 3. A chave para mim foi o estado emocional de Cerezo, que abalou Junior e Leandro. Um pouco mais de disciplina tática e humildade ajudaria naquele dia. A Itália era muito boa sim, mas Brasil e Alemanha estavam no mesmo nível. Dava sim para o Brasil ter vencido. O que nos faz lembrar daquela seleção é que nunca mais tivemos um meio campo como aquele. Ganhamos 1994 e 2002 sem meio campo excepcionais.

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