A morte do dream team do hóquei sobre grama

Imagine que daqui a 30 anos os EUA se tornem um país inexpressivo no basquete. O cenário seria semelhante ao que vive a Índia no hóquei sobre grama masculino.

Potência da modalidade no passado, o país foi um dream team de 1928 a 1964, quando ganhou sete medalhas de ouro em oito Olímpiadas, seis consecutivas. Após este período, conquistou dois bronzes e outro ouro (1980). E ruiu.

Em Pequim 2008, a Índia sequer conseguiu uma das 12 vagas para o torneio. Em Londres, terminou em 12º e último lugar, sua pior classificação. Foram seis jogos perdidos, incluindo a primeira derrota na história para a África do Sul, na partida que definiu penúltimo e último colocados.

A imprensa indiana viu no time defesa frágil, ataque ineficaz, falta de preparo físico, salto alto e falta de ambição – a equipe teria ficado satisfeita apenas por ter se classificado para os Jogos. “Qualquer pessoa de bom senso via um bando de jogadores fora de forma e incapazes de disputar uma partida de alto nível”, analisou o India Times. “Não parecia a seleção da Índia”, disse o Yahoo! local.

Sardar Singh (à direita) sofre na derrota contra a Nova Zelândia por 3 a 1

Como uma instituição indiana, o hóquei sobre grama sempre teve grande investimento do governo, que passou a ser reduzido ao longo dos anos. As categorias de base estão minguando e a seleção, envelhecida, não tem bons jovens jogadores para uma renovação. Um túnel sem luz e sem fim.

O esporte nacional indiano vive em meio a uma guerra política entre duas associações que não se entendem. A World Series Hockey, feita nos moldes das ligas de esportes americanos, é vista de forma marginal pela entidade oficial do país e não teve jogadores convocados para as Olimpíadas.

Sem investimento e sem conversa entre os cartolas, o esporte mais popular da Índia caminha com força para ser irrelevante internacionalmente. “Nosso hóquei está a poucos passos do fim”, decretou o The Times of India.

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Jornalista e tocador de guitarra, 35 anos. Assume que gosta de Bee Gees sem sentir vergonha.
Twitter: @estadodecirco
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Um palpite

  1. Muito triste ver que um esporte está deixando de receber investimentos e que não tem o mesmo apelo e força que tinha antigamente. Isso não é exclusividade da Índia, é claro, acontece até mesmo no Brasil. O engraçado é que as características que fazem um esporte declinar são sempre as mesmas: pouco investimento, jogadores pouco motivados, torcedores que não suportam mais ver essa situação. Que esse seja um exemplo para o Brasil do que não fazer, é claro.

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