A quem Diego Hypólito deve desculpas?

Diego Hypólito chorou. Pediu desculpas pelo fracasso. Aconteceu em Pequim 2008 e se repetiu neste sábado, em Londres. Há quatro anos, o ginasta brasileiro era superfavorito a uma medalha no solo, possivelmente de ouro. Na final, caiu de bunda e ficou em quinto. Agora, não estava em alta como na China, mas brigaria por medalha. Sequer chegou à decisão, caiu ainda nas eliminatórias.

“Amarelei, só pode ser isso. Amoleceu [sic] minhas pernas”, disse Diego pouco depois do segundo fracasso olímpico. Deve ter sido a última chance. No Rio, em 2016, o brasileiro terá 30 anos e, caso se classifique, dificilmente terá condição de brigar por pódio em um esporte em que o auge dos atletas acontece muito cedo.

Se Sarah Menezes, como escreveu José Antonio Lima, representa o Brasil que dá certo no esporte, Diego aponta no sentido contrário. Atleta com patrocínios privados e talento de sobra, consegue resultados na Copa do Mundo e em Mundiais, mas falha no principal evento do planeta, os Jogos Olímpicos. Por mais conquistas que tenha, vai se aposentar com a sensação de que fez muito, mas não chegou aonde queria. Aonde sonhava.

Diego não perdeu para sua falta de capacidade. Não perdeu por falta de condições de treino. Perdeu porque não derrotou o mais implacável obstáculo para um atleta: a própria cabeça.

Mas, mesmo assim, não deve desculpas a ninguém, a não ser a si mesmo ou, no máximo, aos seus patrocinadores. Para todos nós, jornalistas ou torcedores, a vida segue com ou sem medalha para o brasileiro. A sensação de fracasso ficará com Diego. E, agora, possivelmente sem outra chance.

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Jornalista e tocador de guitarra, 35 anos. Assume que gosta de Bee Gees sem sentir vergonha.
Twitter: @estadodecirco
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Um palpite

  1. alan

    Não deve desculpas. Sinto por ele.

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