A receita simples que leva ao sucesso

Em 2001, quando o Brasil era apenas um país exótico no cenário internacional da ginástica artística, o ucraniano Oleg Ostapenko desembarcou aqui para comandar a seleção nacional. Dois anos depois, Daiane dos Santos conquistaria, no solo, um inédito título mundial. Desde então, os atletas brasileiros passaram a conquistar com frequência medalhas em Mundiais e etapas da Copa do Mundo. Na segunda-feira, Arthur Zanetti disputa a final das argolas. É um dos favoritos.

Em 2008, o espanhol Moncho Monsalve assumiu o comando da seleção masculina de basquete. Foi criticado por seus colegas brasileiros, vários dos quais haviam fracassado no comando do time desde 1996, quando a equipe disputara os Jogos Olímpicos pela última vez. Monsalve deixou o time dois anos depois, para dar lugar ao argentino Rubén Magnano, campeão olímpico pela Agentina em Atenas 2004. O Brasil se classificou com certa facilidade para os Jogos de Londres e, nas quatro primeiras partidas, só caiu contra a fortíssima seleção russa. Ainda assim, por um ponto, com uma cesta de três no último segundo.

Em 2009, a seleção brasileira feminina de handebol carregava eterno status de promessa. Chegou, então, o técnico dinamarquês Morten Soubak (foto). Um homem de poucos sorrisos, fez do Brasil realidade internacionalmente. Conduziu a equipe ao quinto lugar no último Mundial e faz seu time, que era apenas uma promessa, enfrentar de igual para igual as melhores seleções do mundo. Uma medalha em Londres não será surpresa alguma.

Não se trata de coincidência. Técnicos estrangeiros são um investimento inteligente para qualquer modalidade. Não importa a nacionalidade. É preciso que o comando técnico de um esporte seja dado ao melhor profissional disponível, seja brasileiro, argentino, dinamarquês, ucraniano ou marciano. O sul-coreano Lim Hee-sik é o treinador da seleção brasileira de tiro com arco há dois anos. Sua missão é tirar do limbo a modalidade, sem tradição aqui, mas uma potência na Coreia do Sul.

Com um mínimo de investimento (sim, hoje há dinheiro correndo no esporte brasileiro) e organização, bom trabalho de base e um comando técnico nas mãos de alguém que entenda do assunto, qualquer esporte é capaz de crescer. E assim se constrói a receita para que o Brasil faça um papel digno no Rio, em 2016.

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Jornalista e tocador de guitarra, 35 anos. Assume que gosta de Bee Gees sem sentir vergonha.
Twitter: @estadodecirco
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Um palpite

  1. José Antonio Lima

    Só para constar, sem juízo de valor. Quando Cielo foi ao auge, era treinado pelo Brett Hawke. Hoje ele treina no Brasil…

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