Battersea une o Chelsea ao Pink Floyd (e a fantasmas ingleses)

AnimalsO Chelsea anunciou na última sexta-feira a intenção de comprar a histórica Usina de Battersea, distante cerca de 4km de Stamford Bridge. A intenção do clube é construir ali um novo estádio, com cenário único, preservando as quatro chaminés características da construção.

Stamford Bridge tem capacidade para 42 mil pessoas, enquanto o novo estádio poderia receber 60 mil. Também pesa na decisão a dificuldade em vender o “naming rights” do antigo estádio, cujo nome já está consolidado (qualquer semelhança com o Corinthians implorando para a imprensa abolir “Fielzão” ou “Itaquerão” não é mera coincidência).

A tarefa do Chelsea, porém, não será fácil. Torcedores organizados têm direitos financeiros sobre Stamford Bridge desde 1997 e não parecem dispostos a deixar o clube mudar de endereço. (Hei, são-paulino, saiba que há gente doida para comprar o terreno do Morumbi e construir um estádio em lugar próximo).

Outra questão interessante sobre Battersea é sua importância para o rock. A usina foi imortalizada na capa do álbum “Animals”, de 1977. Se para o Chelsea não será fácil mudar de endereço, também não é fácil ouvir “Animals”.

Não porque seja ruim, muito pelo contrário. Mas por exigir uma dose de dedicação complicada para quem está a fim de simplesmente “curtir um som”.

Aliás, é esse o maior problema do rock progressivo e/ou conceitual. Ao se dar muita importância, acaba se afastando… Mas, repito, assim como o Floyd é uma banda fundamental, “Animals” é também um grande álbum (embora carente de hits, ao contrário do antecessor “Wish You Were Here” e do sucessor “The Wall”).

Seja como for, o que imortalizou “Animals” no cenário do rock foi mesmo a antológica capa. Trata-se de um porco inflável “voando” sobre a Usina Termoelétrica de Battersea, em Londres. Lúgubre e um tanto perturbadora, a imponente usina foi desativada em 1983.

Movida a carvão e decadente, ela passou a simbolizar em seus anos derradeiros a crise econômica e o “aperto” da classe trabalhadora ante os ajustes da economia (liberal) promovida por Margaret Thacher.

Pensando bem, um estádio com esse visual e essa carga histórica seria bem bacana… É esperar para ver.

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Jornalista, 37 anos. Já teve a ilusão de que seria um Dustin Hoffman. Hoje está feliz como um Cigano Igor.
Twitter: @luiz_a_lima
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2 Palpites

  1. Lucas Noitor

    Dúvido que o São Paulo algum dia venda o terreno onde hoje está o Morumbi, estão tentando fazer isso também com a Javari, mas ambos resistiram, para alegria de muitos e tristeza de tantos outros

  2. Ryukendo

    Eu gostaria que o SP fizesse um novo estádio

    eu apoiaria!!!

    mas…. rsrsrs

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