
Por @zeantoniolima
Por algum motivo que não sei precisar, há muita má vontade com o técnico da seleção masculina de vôlei, Bernardinho. Seus detratores são rápidos em esquecer oito Ligas Mundiais, três campeonatos mundiais e um ouro e uma prata olímpicos para se lembrar de traços menos simpáticos de sua personalidade e, principalmente, destacar que Bernardinho “mandou o time entregar o jogo” no Mundial de 2010. Ocorre que esta última parte da história não ocorreu exatamente deste jeito.
Ao contrário de diversos jornalistas que adoram comentar resultados, esquecendo-se do contexto, o Esporte Fino tem memória. Este blog acompanhou o Mundial de 2010 com atenção, e inclusive lamentou o fato de o Brasil ter perdido de forma intencional para a Bulgária. Lembrar apenas a “entregada” do Brasil e colocá-la na conta de Bernardinho é desonestidade.
Cabe lembrar que o Mundial de 2010, organizado na Itália, tinha um regulamento que, claramente, beneficiava os donos da casa. Até as semifinais, se tudo corresse normalmente, a Azzurra não enfrentaria nenhuma das melhores equipes do mundo: EUA, Cuba, Polônia, Sérvia, Brasil, Rússia e Bulgária. Elas, entretanto, enfrentariam umas às outras.
O sistema de três fases de grupo, com apenas um eliminado por vez, criava a possibilidade de os times “escolherem” seus rivais para evitar os “grupos da morte”. Antes mesmo de o torneio começar, isso estava claro. “Acho que vai ter muito ‘entrega-entrega’ neste Mundial, infelizmente”, disse Murilo ao Terra.

Iniciada a segunda fase de grupos, a indignação com o favorecimento à Itália aumentou, e os resultados estranhos surgiram. Campeões olímpicos, os EUA tomaram 3 a 0 da República Tcheca em 30 de setembro. Em 1º de outubro, após abrir 2 a 0 na Espanha, a Rússia tirou seus titulares da quadra e perdeu por 3 a 2. No dia seguinte, o time reserva do Brasil perdeu para uma Bulgária que tinha em quadra, surpresa, seu time reserva.
O Brasil foi campeão (superando a Itália e os erros de arbitragem na semifinal e Cuba na decisão) e sobrou polêmica. Giba negou a entregada. O líbero Mario Junior admitiu. Bernardinho, por sua vez, admitiu que não conseguiu convencer o grupo a se dedicar no jogo contra a Bulgária e que foi derrotado numa votação da equipe sobre colocar a força máxima em quadra. Segundo ele, os jogadores, insatisfeitos com o regulamento e preocupados com a doença de Marlon (que deixava Bruninho como único levantador) e as contusões de Lucão e Murilo, escolheram, em maioria, não usar a força máxima. Ele acatou.
Fica claro, portanto, que a “entregada” do Brasil tem um contexto mais amplo, uma espécie de “levante” de várias seleções contra a FIVB (e a Itália). Foi péssimo ver o Brasil fazendo aquele papel, mas a atitude ganhou uma certa legitimidade diante dos atos anteriores da entidade que organizava o campeonato. Fica claro, também, que apesar de Bernardinho tomar para si a responsabilidade, ela deve ser compartilhada pelos jogadores. Colocar a culpa apenas no treinador e resumir sua carreira naquele triste episódio não parece jornalismo, mas sim vingança pessoal.
Foto: Divulgação / FIVB
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Lamentável esse post.
Bernardinho entregou e pronto. Não importa se foi o único, não muda absolutamente nada. Se não concordava com o regulamento era só não disputar.
Não sei em que mundo esse Arthur Barcelos vive.
Não foi a primeira vez que o time brasileiro perdeu um jogo de propósito. Na olimpíada 2004, o Brasil caiu num grupo bem ferrado. Itália, Brasil, Russia e EUA foram os 4 classificados. Na última rodada, estava todo mundo classificado, porém, faltava definir a posição. No outro grupo, a Sérvia saiu em primeiro. O Brasil precisava ganhar 1 set pra vencer o grupo, e fez isso. perdeu os 2 primeiros e venceu no terceiro, perdendo o jogo por 3×1. Os EUA foram 3 do grupo, e a Russia 4. Com isso, Brasil jogou a Russia pra cima da Servia (deu russia) e ainda se livrou de Russia, Servia e Itália na semi. Deixou que eles se matassem e bateu facilmente os americanos na semifinal.
Não concordo com as entregadas, mas infelizmente a federação internacional de volei tem essas coisas de montar grupos totalmente desiguais e forçadas de barra nos regulamentos tentando sempre favorecer alguém, geralmente Itália e Japão… e acabam deixando brechas pra essas manobras.
Não sei em que mundo esse Arthur Barcelos vive. 2
O mais interessante que eu me lembro, Zé: O Brasil atuou com levantador improvisado aquela partida. Acho que era o Thiago Alves (memória falha). Bom, considerando que o time estava classificado e que vnecer não traria benefício algum, achei muito normal. Mesmo.
Explico: O Brasil só tinha 1 levantador aquela altura. Que já tinha sentido incomodos no pé (memória também falha). Pra que mandá-lo a campo com o risco de ficar sem seu único levantador?
Bem…
O resto é história, mas, talvez você possa pesquisar melhor que eu, na final, Marlon recém voltava da doença, ams teve que jogar. Bruninho machucou o tornozelo. E aí eu me pergunto e se Bruninho tivesse jogado uma partida a mais? Marlon não estaria pronto antes. Sei lá, não concordei. Mas compreendi.
Apesar de concordar que alguns regulamentos acabam por dar argumentos para a entregada de jogos (e esse Mundial da Itália é o melhor exemplo de regulamento bizarro), essa coisa de entregar jogos precisa ser discutida.
Porque a mensagem passada para o mundo na olimpíada é “Entregar partida compensa”.
Ora, vejamos:
Basquete masculino: Espanha entrega jogo para o Brasil para evitar os EUA antes da final. Resultado: EUA x Espanha (mínimo prata) na final. Compensou.
Handebol feminino: Noruega perde de propósito ultimo jogo do Grupo, para não ser 2ª colocada do Grupo e enfrentar Rússia (fica em quarto e enfrenta o Brasil, mais inexperiente e teoricamente mais fraco). Resultado: Noruega na final. Compensou.
Futebol feminino: Seleção do Japão assume que não quis ganhar da África do Sul para evitar EUA antes de uma final. Resultado: Japão chega a final e só perde para os EUA. Compensou.
Badminton: Caso mais mediático. 4 duplas tentaram entregar seus jogos. Foram expulsas das olimpíadas Único caso em que entregar não compensou.
Vôlei feminino: A Rússia poderia ter perdido para a Itália e terminado em 2º do Grupo, evitando o Brasil e enfrentando um adversário teoricamente mais fraco. NÃO ENTREGOU! Resultado: Rússia eliminada justamente pelo Brasil que poderia evitar. NÃO entregar NÃO compensou. Entregar PODERIA ter compensado.
Isso pra não falar no ciclista que se jogou no chão e nos remadores que simularam problema no barco para poderem recomeçar suas provas (nos dois casos, ganharam ouro).
Na minha opinião, o prejuízo a médio/longo prazo dé enorme para o esporte (acho o boxe e suas apostas bons exemplos disso). Pra não ser um idealista e citar o “Espírito olímpico e a essência do esporte”, falo de coisas concretas: e quem comprou ingresso, como fica? E quem comprou a transmissão da partida? E os patrocinadores e marcas envolvidos? Será que em 2016 o interesse por ingressos das últimas rodadas vai diminuir por causa disso?
Eu sei que isso sempre acontece, mas as federações precisam se mexer. Que se mude os cruzamentos das chaves, o número de classificados, seja o que for. Alguém tem que acabar com isso. Se não, vamos ter mais campeonatos como o torneio de basquete dessas olimpíadas, em que a repercussão da “entregada” da Espanha é maior que o show de Kobe, Lebron, Carmelo e Cia.
Quem jogou levantando foi o Oposto reserva THEO. E sim, Bruninho teve problemas no tornozelo, e o Marlon teve uma doença no estômago. Não lembro do Marlon ter jogado, mas sei que Bruninho e Vissotto arrazaram na semi e na final.
Só complementando o Valdir: foi o Theo que jogou na “entregada”. E a FIVB tentou combater isso na Olimpíada desde Pequim, aliás, com o sorteio entre segundos e terceiros pra fechar duelos das quartas e chaves até as finais, em vez do chaveamento tradicional usado no basquete e no handebol.