
Aos poucos, a natação brasileira vai deixando de ser um dos esportes que dependem única e exclusivamente do esforço individual dos atletas e de seus familiares para ter bons resultados. Nos últimos anos, a CBDA desenvolveu uma boa estrutura e hoje tem sido capaz de aproveitar parte do sucesso do fenômeno César Cielo.
Isso é bom, mas é preciso reconhecer que estamos a anos-luz de nos tornarmos uma potência esportiva. Isso só ocorrerá quando esporte e estudo se unirem do nível mais básico até a educação superior, coisa que só deve ocorrer no século XXIII. Isso não impede que os brasileiros se divirtam com o que temos em mão.
E depois do troféu Maria Lenk, disputado na semana passada, no Rio, ficou claro que temos um novo nome nas provas rápidas – Bruno Fratus, do Pinheiros. O garoto de 21 anos ficou famoso porque bateu Cielo (24 anos) na final dos 100m livre, prova na qual Cielo detém o recorde (biônico) mundial e é campeão mundial.
É preciso ponderar que, para Cielo, o Maria Lenk foi um passo em seus treinos, enquanto para Fratus era sua chance de conseguir o índice no mundial. Ele alcançou o feito com o tempo de 48s72, que o coloca na lista de 25 melhores tempos desde janeiro de 2010, quando a natação voltou a existir sem os supermaiôs. Com esse tempo, Fratus se torna o segundo nadador brasileiro mais veloz nos 100m livre, à frente de Nicholas Santos e Nicolas Oliveira.
Esses quatro – Cielo, Fratus e os dois Nic(h)olas – representarão o Brasil no revezamento 4x100m livre no Mundial de Natação de Xangai (entre 16 e 31 de julho) e é grande a chance de o país conquistar uma medalha na competição se todos forem bem. Os favoritos são os suspeitos usuais.
A França teria nadadores suficientes para colocar dois revezamentos na final, se isso fosse permitido. Os EUA, apelões, devem ter até Michael Phelps na água (ele tem o segundo melhor tempo desde o fim dos supermaiôs – 48s13). A Austrália, bronze em Pequim-08, e a Rússia estão reestruturando suas equipes. Canadá, Itália, Reino Unido e África do Sul têm um ou outro nadador rápido. E é aí que entra a brecha para o Brasil papar uma medalha na China.
Foto: Satiro Sodré/Divulgação CBDA
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