O sucesso de Mario Balotelli na Euro 2012 me fez lembrar de Charles Barkley. O histórico jogador de basquete da NBA vivia metido em confusões dentro e fora das quadras. Suas atitudes e declarações polêmicas ganhavam muita repercussão. As críticas contra ele tomavam forma de avalanche.
Muitos daqueles que outrora apontavam o dedo para Barkley pensavam do mesmo jeito de quem agora acusa o atacante da seleção italiana. É gente que tem convicção de que um atleta é obrigado a ser exemplo para a sociedade. De onde vem essa bizarra ideia?
Já no início da década de 90, o bicampeão olímpico e que faz parte da relação de jogadores sem título na NBA por causa de Michael Jordan, dizia que não tinha como objetivo ser modelo de comportamento. Um posicionamento público notável e autêntico de Barkley, que pedia aos fãs de basquete para terem como exemplos de vida seus pais e professores, não alguém que faz pontos numa quadra.
Atletas não devem ter essa obrigação de ser referência. Não existe tal missão acessória derivada de sua função principal, que é dar resultados positivos como profissional. São pessoas como eu, como você. Erram e acertam. Podem até eventualmente inspirar alguém. É bonito, emocionante até, mas desde que não seja nada forçado ou forjado.
Me espanta a cobrança apocalíptica contra esportistas que saem do padrão predeterminado. E aí serve qualquer atitude: envolvimento com drogas, bebidas, problemas no casamento, carteira de motorista vencida, brigas, noitadas, dívidas, fogo em casa, excesso de palavrões ou explosão de rojão no banheiro. Quando algo do tipo ocorre quase que imediatamente surgem ataques morais de todos os lados simplesmente porque o atleta não foi um paradigma do bem eterno.
E quem julga? Cronistas esportivos e torcedores que devem exigir o melhor desempenho dos atletas na sua atividade fim, nada além disso. Cronistas e torcedores que, menos ainda, não são exemplos públicos pra ninguém. E nem devem ser.
Em tempo: aproveitando o posicionamento de Charles Barkley, a Nike produziu um comercial em 1993. Nele, o jogador diz não ser pago para funcionar como modelo para alguém e salienta a necessidade dos pais prestarem atenção na educação dos filhos. O vídeo está logo abaixo:
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Perfeito!!
Barkley sempre diz que jogar a responsabilidade da criação e um filho e dos valores deles nos “ídolos” é uma falta de responsabilidade grande dos pais.
Resposta: O vídeo é perfeito…rs
FG
Não sei, Fernando.
Claro, em muito você está certo, mas acho que há sim uma certa responsabilidade das pessoas públicas que recebem salários altíssimos, vivem em destaque e são assunto em qualquer ambiente.
A profissão dele não é simplesmente pôr uma bola na cesta, no gol, no chão. O problema é que a uma linha tênue no que é deve e no que não é.
Muitos grandes atletas se envolvem em episódios infelizes, mas quem não? O problema é quem conduz a vida assim. Quer queira ou não, ele sabia que quando decidiu ser atleta, poderia virar um modelo, isso faz parte do ofício, não dá pra eximi-lo totalmente.
Atletas não substituem pais e escolas, mas constroem sonhos e objetivos.
Resposta: É isso Felipe, acho que concordamos. Meu ponto é que não existe a obrigação. Abraço cara.
FG
Até concordo com as suas palavras Graziani. Mas ao meu ver, na prática, não funciona bem assim. Gostaria de colocar uma ponderação, que certamente se tornará um devaneio meio sem fim, mas, vamos lá…. Alcance das TV’s, propagandas, vidas luxuosas, carros, mulheres, festas, conforto para si, retribuir aos pais em forma de conforto tudo que eles se sacrificaram para dar aos filhos uma vida melhor…. levam muitas crianças e adolescentes a querer ser como seus ídolos, vencer na vida seja através do esporte, música, etc, etc…E, por mais que existam pais presentes, que eduquem, que orientem, que conversem, é natural do ser humano querer mais e querer o melhor que puder, e quando ele vê um cara legal e descolado no esporte que vira ídolo e ao mesmo tempo, briga, bebe, dirige bêbado, faz farras, independente de haver punição ou não, as crianças poderem crescer achando que também o podem fazer (ou que podem fazer o que quiser)…Nem todos tiveram/tem a sorte de ter pais presentes e conscientes da sua responsabilidade de educar e conversar com seus filhos e, mais ainda, ter filhos que entenderam a mensagem e aprenderam a diferença do certo e do errado, de ter limites….A afirmação de que “jogar a responsabilidade da criação de um filho e dos valores deles nos “ídolos” é uma falta de responsabilidade grande dos pais” para mim tem duas nuances: A primeira de que sim, educação é responsabilidade dos pais; a segunda de que sim, o que um ídolo faz dentro e fora da sua vida profissional pode influenciar algumas pessoas. Responda-me Graziani: quantas vezes, nas suas andanças pelo mundo, você não ouviu ou viu em uma reportagem uma criança ou um jovem dizendo que queria ser como Senna, Ronaldo, Romário, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Neymar, Jordan, etc, etc, etc.!??? Muitos querem ser como seus ídolos, normalmente, para poder ajudar a família, seus pais (é o que dizem)…mas realmente não haverá um “impulso escondido” de conforto próprio, carros, mulheres, farras,tudo em excesso, que um dia podem levar a brigas, ser pego dirigindo bêbado, ou coisas piores!??? Claro que não deve ser responsabilidade dos ídolos cuidar da educação de ninguém (e concordo com você que não é), mas entendo que eles possuem uma responsabilidade intrínseca ao seu status de ídolo pois várias crianças se espelham neles para vencer na vida…
Resposta: William, entendo perfeitamente suas ponderações, mas acho que se o um alteta quer ser espelho, sem problema, que seja. Só me incomoda que o cara que não quer ser nada pra ninguém seja criticado por isso. Muito obrigado por dividir seus pensamentos aqui conosco. Abração.
FG
Ttenho uma baita implicância com a figura do Balotelli. Nem tanto por ele mesmo, mas pela capacidade que as pessoas tem de elevar alguns à categoria de gênio simplesmente por ser “polêmico”. Concordo plenamente que não devemos esperar que atletas sirvam de exemplo. Isso é uma tremenda babaquice, mais um devaneio da cartilha politicamente correta que agora tenta tomar conta até do nosso Código Penal. Mas o que me incomoda, no caso do Balotelli especificamente, é que ele simplesmente não joga um oitavo da bola que pensa jogar. Pra citar um exemplo ao qual recorro bastante, vejam o Cantona. Arrumava todo tipo de confusão, mas simplesmente acabava com os jogos. Sozinho, se precisasse. Ou então, Zidane em 2006. Dava declarações polêmicas, não respeitava autoridade, FUMAVA na concentração em plena Copa do Mundo. Botou uma seleção brasileira inteirinha no bolso. Na final, pra consolidar o folclore, preferiu defender violentamente a honra da irmã ofendida pelo Materazzi a ser bicampeão do mundo. Muito diferente de um moleque que quase nada mostrou no futebol e que, quando figurou nas manchetes, 99% das vezes foi por mera babaquice (marketing?). Sem contar que, ter sua Maseratti de mais de R$ 1 milhão apreendida VINTE E SETE vezes por infrações de trânsito seria motivo de altíssima “indignação” nas redes sociais, se fosse qualquer empresário playboy. Mas como é o Mario “Why always me?” Balotelli, pobre vítima do enraizado racismo europeu, a galera releva, e ainda elogia. Chamam de “mito”. Ora, como disse lá em cima, atletas não precisam ser exemplo de nada. Mas também não dá pra incensar o cara justamente por ser um babaca. E é o que eu vejo acontecer, porque futebol, que é o que importa, ele ainda não mostrou quase nenhum.
Resposta: Chicão, o Balottas tem só 21 anos e pode melhorar. Por enquanto concordo contigo. É valorizado demais. Abração cara, valeu de novo.
FG
Na Vila Cruzeiro, os menorzinhos, se espelham no crime ou no Adriano por exemplo.
Será mesmo que não dá para exigir bom exemplo desse atleta?
Será mesmo que o Adriano na favela é uma pessoa comum igual eu e vc?
Citei esse atleta, mas poderia citar outros.
Resposta: Oi Alan, entendo sua colocação, mas meus argumentos são os mesmos para o bem e para o mal. Um atleta pode ser espelho, mas não tem essa obrigação. Abraço.
FG