Por Fabio Chiorino
Onze minutos de jogo. Uma bola espirrada da defesa para o ataque encontrou Neymar. E o menino, mais uma vez, espantou a todos. Driblou três jogadores com aquela peculiar facilidade que nos faz perguntar se não está a enfrentar juvenis. Bola por baixo das pernas de um, corte seco em mais dois e gol do Santos. Neymar cravava mais uma placa, ao completar 200 jogos vestindo a camisa do Peixe.
Enfim, qual o limite de Neymar? Não estou conjecturando sobre sua capacidade técnica. Já muito se discutiu sobre suas virtudes e alguns elementos a serem aprimorados. Há os que defendem sua permanência, enquanto outros acreditam que chegou a hora de enfrentar zagueiros europeus. O que questiono aqui é o limite físico de Neymar.
Tão assombroso quanto o gol de Neymar é o fato de imaginar que ele participou de uma partida completa da seleção brasileira na Polônia, fez uma viagem de 12 horas, chegou a Santos, vestiu a camisa e foi novamente a campo. Podemos até listar atenuantes deste desgaste, como seus 20 anos de idade e um físico privilegiado (Neymar nunca teve uma lesão séria), mas, ainda assim, é difícil acreditar que essa corda nunca romperá.
O grande vilão é a CBF. Simplesmente ignora as datas FIFA e não desmarca as rodadas do Campeonato Brasileiro quando o calendário está reservado para jogos das Eliminatórias e amistosos internacionais. Isso provoca uma overdose de convocações para duelos inexpressivos contra times medíocres. O Santos, que investe em Neymar e faz malabarismos para segurá-lo enquanto pode, também quer e precisa aproveitar o jogador ao máximo e, assim, freta aviões, helicópteros e submarinos para trazer a sua joia de volta a tempo de disputar jogos do Brasileirão.
Se você perguntar a Neymar, ele dirá que deseja participar de todos os jogos possíveis. Talvez seja verdade, mas, independente de sua vontade, é preciso um critério mais racional para decidir quais jogos ele efetivamente deve folgar. Não é preciso ser fisiologista para concluir que a probabilidade de uma lesão aumenta quando não se dá o tempo necessário para o descanso de nervos, fibras musculares, ligamentos e até mesmo para a recuperação do lado emocional.
Se o futebol brasileiro mantiver esse calendário unilateral, que privilegia apenas os interesses de sua confederação, podemos chegar à tão esperada Copa de 2014 com o protagonista da seleção brasileira em frangalhos. A impressão é que qualquer risco é válido enquanto todos se beneficiam do talento do atleta e, dessa forma, brinca-se de bomba-relógio com o melhor jogador do país. Que os deuses do futebol continuem olhando por Neymar. Afinal, ninguém além deles parece estar de olhos abertos.
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Fabinho, ótimo texto cara. Colocou minha opinião em texto! Curti muito!
Grande abraço!
Bom texto, só acho que caso o Neymar “exploda”, a culpa não pode cair somente sobre a CBF (também será culpada) mas também sobre o próprio jogador, que mais do que ninguém pode decidir se joga ou não.
É impressionante, pra não dizer desolador, como essa discussão do calendário não avança. Quando parece evoluir, dá 2 passos pra trás. Pra mim, é o ponto crucial pra revolução do futebol brasileiro.