Diego Tardelli curte seu “lado A” no Atlético-MG

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Você, caro leitor, se lembra dos tempos dos discos de vinil e das fitas cassete, certo? Se você tem menos de 28 anos, fale com seus pais, irmãos ou primos mais velhos e eles te contam. Enfim, nos tempos do “LP” e das fitas “K-7”, era comum a seguinte situação: um artista/banda lançava uma nova obra na qual tudo do bom e do melhor estava no lado A: ou seja, os grandes sucessos e as melhores músicas.

Ao lado B restava o limbo, a ignorância total. O grande perigo deste tipo de lançamento era o cansaço. Você escutava tantas vezes a mesma sequência de músicas que logo enjoava.

Diego Tardelli não pretende lançar um disco de pagode, rock ou jazz (pelo menos que eu saiba), mas também tem dois lados bem distintos. E todos nós conhecemos muito bem quais são. Um é quase magistral: une velocidade, técnica e faro de gol. O outro é bem fraquinho, marcado pela mais absoluta irregularidade. Desafia, já aos 23 anos (faz 24 em maio) o risco do descrédito, do enjoo.

Seja como for, no Atlético-MG estamos vendo o lado A de Tardelli. O ex-são-paulino está fazendo gol de tudo quanto é jeito no campeonato estadual. É o líder da artilharia, com dez gols em oito jogos. Na temporada, já fez 14, contando aí a Copa do Brasil e aquele torneio amistoso disputado em janeiro, no Uruguai.

Espero não queimar a língua, mas acredito que o Atlético tem tudo a ver com o polêmico atacante. É um clube de massa e que se identifica com goleadores genuínos — daqueles que entram em campo preocupados apenas com uma coisa: balançar a rede. Tardelli é assim. Dá a impressão de não saber ao certo o nome de todos os companheiros, nem mesmo quantos pontos seu time tem na tabela. Mas, quando está no “lado A”, parte rumo ao gol com determinação ímpar.

Há de se destacar ainda a boa parceria com Émerson Leão. Os dois são amigos desde os tempos de São Paulo, em 2004/05, e tal situação parece resgatar a confiança do jogador. Com Leão, Tardelli é apenas lado A. Para sorte dos “ouvintes” atleticanos.

Lista de sucessos

Eis alguns momentos “lado A” de Diego Tardelli: estréia abusada no São Paulo, em 2004, aos 19 anos, artilharia e título do Paulistão, em 2005 e, no mesmo ano, guardou seu gol na final da Libertadores, contra o Atlético-PR. No Flamengo, foi herói de conquista da Taça Guanabara, em 2008, além de campeão estadual.

Ele era o Dinei

A falta de regularidade do atacante não é surpresa. Desde que surgiu, em 2004, deixava claro que teria um grande desafio: superar problemas pessoais e familiares para jogar tranquilo. Não é fácil. Antes do sucesso no São Paulo, ele era o Dinei — apelido inspirado no irreverente atacante corintiano.

Este texto faz parte da coluna “País do Futebol”, publicada todas as terças-feiras no Diário de S. Paulo.

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Jornalista, 37 anos. Já teve a ilusão de que seria um Dustin Hoffman. Hoje está feliz como um Cigano Igor.
Twitter: @luiz_a_lima
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5 Palpites

  1. José Antonio Lima

    No São Paulo, além da impressão de indolência, Tardelli fazia os torcedores acreditarem estar diante de um atacante destro… com dois pés esquerdos.

  2. Otávio Maia

    Eu enxergo talento no Tardelli, mas é um daqueles jogadores por quem eu me recuso a torcer, mesmo que no meu time. Não acho que ele possa repetir esse futebol do Atlético na Europa nem nos grandes de São Paulo. Talvez por pouco tempo, mas não com regularidade. É muito desleixo.

  3. edson gomes de lima

    Acho que fazer 14 gols em um campeonato regional onde você só tem um adversário não serve de parâmetro para nada.O que dá prá notar é que ele joga muito menos do que pensa que joga.

  4. O comentário do Zé é oportuno, mas eu concordo com o Otávio: o cara tem talento, mas joga fora.

  5. Chicao

    Só 23 anos? Já aprontou tanto que parece veterano…rs

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