Por @FChiorino
- Esse juiz é um ladrão
- Vô, nem começou o jogo
- Depois não diga que eu não avisei
(Diálogo real que tive um dia com o meu avô Rafael)
Difícil precisar a época. Sei que era final da década de 80 e o Palmeiras vivia uma crise sem fim. Naquele tempo, meu avô Rafael tinha um cargo de extrema responsabilidade na Sadia, e a minha mãe sempre pedia para que eu e meus irmãos não o chateássemos nas visitas aos domingos.
Palmeiras e Corinthians se enfrentavam e meu avô estava extremamente tenso, como eu nunca havia visto. Não valia título, não valia nada. Eu só sei que Edu Manga fez um gol, o Palmeiras venceu aquela partida e o meu avô sumiu por alguns instantes.
Os netos todos comportados no sofá. Meu pai preparando a dose do uísque. Minha mãe e minha avó discutindo amenidades. Eis que meu avô irrompe a sala carregando um enorme porco congelado e gritando: “E dá-lhe Porco! E dá-lhe Porco! Olê, olê, olê”.
Os netos levantaram do sofá e começaram a pular ao redor do meu avô, batendo palmas e cantando o hino da torcida. Fiquei anestesiado e encantado. A partir daquela cena, eu sabia qual seria o time que carregaria para o resto da vida.
Alguns anos depois, Palmeiras e Corinthians disputavam o histórico Paulista de 93. Fomos passar o feriado de Corpus Christi em um hotel-fazenda de Jundiaí e meu avô também estava lá. Foi a primeira vez que chorei por causa de um jogo de futebol.
Eu acompanhava pela TV, mas ouvindo pelo radinho de pilha. Quando Evair fez o gol de pênalti e o locutor José Silvério anunciou “E agora eu vou soltar a minha voz…”, cai em prantos e fui procurar o meu avô, que preferiu ver a final sozinho em seu quarto. Ele me abraçou e revelou: “Não via nada na hora do pênalti. Me fechei no armário do quarto e só sai quando ouvi os gritos”.
Vieram novas conquistas e outras decepções. E os netos casaram e não estão mais lá todos os domingos. Mas eu continuo enxergando aquele porco congelado, erguido ao céu como um troféu. Naquela noite meu avô sorria e, sem perceber, transmitia a mais valiosa herança que um garoto de 5 anos pode desejar.
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1993, o ano que nunca vai acabar para nós, palestrinos!
Grande vô Rafael!
Inesquecível 1993!!!! Estava em Manaus e a primeira coisa que fiz ao acabar o jogo foi ligar pro Vô Rafael! Nessa hora ele já havia saído do armário…no bom sentido!!!!!
Resposta: Tio, para o palmeirense, esse título de 93 vale tanto quanto a Libertadores de 99. O vô foi inesquecível nessa decisão. Agora me ajuda a jogar fora o gavião que não sai da prateleira da sala!
93 em um certo bairro do RJ, um garoto fanático por futebol, esquecia sua simpatia pelo corinthians do seu tio e assistia encantado a festa verde enquanto pensava que sua vez ia chegar um dia… rs. Mal sabia o moleque que faltavam apenas dois anos… rs.
Adoro essas historias, parabéns… rs