Basta você ter participado de um concorrido campeonato interclasses no colégio ou de um disputado amistoso contra o condomínio vizinho para perceber um dos pilares do futebol: para ser campeão, não basta ser bom jogador; precisa ter espírito vencedor.
Certamente você já viu tanto seu time de coração quanto a Seleção Brasileira serem compostos por gerações que tinham e outras que não tinham esse atributo. Apesar de ser um bem “intangivel”, que não tem forma, não se pega na mão”, é quase impossível confundir quem o possui e quem dele carece.
Toda vez que penso na Copa de 2014, fico aflito matutando se os escolhidos para entrar em campo terão esse espírito vencedor, essencial numa situação de tamanha pressão. E toda vez que vejo Neymar disputando uma final me tranqüilizo um pouco.
Desde que se firmou como titular e referência do Santos, o jovem atacante disputou sete campeonatos, dos quais ganhou cinco, com um detalhe muito importante: em todas as voltas olímpicas ele foi protagonista. Jamais se escondeu numa decisão.
A primeira final foi a do Paulistão do ano passado. Neymar marcou os dois tentos do jogo de ida que abriram caminho para o titulo sobre o Santo André. Depois veio a Copa do Brasil, e lá estava o menino da Vila deixando o seu no primeiro jogo e construindo a vantagem que seria fundamental contra o Vitória da Bahia fora de casa.
Os únicos insucessos aconteceram no segundo semestre, quando o Santos já estava mais relaxado por conta das conquistas anteriores e quando Neymar passou por instabilidades emocionais que prejudicaram o time, mas que foram cruciais para o amadurecimento pessoal do jogador. O Peixe fez campanha discreta no Brasileiro e caiu na SulAmericana contra o Avaí.
Em 2011, Neymar arrebentou no continental Sub 20 e ainda guardou dois no jogo decisivo contra o Uruguai. Na final do Paulista, desarmou o Corinthians com um gol na partida decisiva. Final da Libertadores, idem contra o Peñarol.
São razões de sobra para acreditar que a jóia do futebol brasileiro tem todos os componentes de um grande craque e pensar positivo para 2014. A gente vai precisar de alguém com espírito vencedor.
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Eu sou suspeito pra falar. Sou fã do Neymar, principalmente pelo que vc descreveu no texto: poder de decisão e espírito vencedor.
O grande problema do Neymar nem é culpa do Neymar. Com ele acontece o semiendeusamento que frequentemente aparece no país. Apostas são tratadas como realidade, grandes jogadores são tratados como craques de classe mundial. Isso atrapalha de mais, sobretudo quanto à manter na linha um piá que nem bem atingiu a maioridade, e tendo em vista que a formação e, especialmente, a evolução de um atleta não finda quando ele se profissionaliza. Francamente, achar que Neymar está entre os melhores do mundo é o cúmulo da arrogância de um país que se diz a terra do futebol mas já há um bom tempo só tem lapsos de qualidade. Justamente pensando em 2014, o melhor era deixar de se iludir com isso e ter a ciência de quem há muito o que melhorar.