Falta de luz? As consequências já começaram…

(Ou: como estatização e privatização à la América do Sul estão acabando com a tradição mais bonita do continente)

Falando sério, eu realmente acredito que as consequências já começaram. Aquela falta de luz ontem à noite não há de ter sido à toa. Forças superiores lá de cima estão realmente irritadas, e resolveram impedir um Brasil x Argentina naquele estádio, naquelas condições. “Que se desfaça a luz!”

Não se faz isso com tanta história, com tanta rivalidade. Peraí, eu sei que vocês já sabem de tudo, não há tempo a perder com saudosismos, mas deixa eu continuar… Vocês gostam de futebol, não gostam? Amam, não é verdade? Então hão de me entender! NÃO SE FAZ ISSO COM UM BRASIL X ARGENTINA.

Cadê a vontade de jogar bola na hora do recreio? A vontade de imitar o jogador favorito? Qual é o jogador favorito? Desperdiçar um Brasil x Argentina é perder a clientela. É cuspir no prato.

O futebol vizinho nunca esteve tão frágil. Tocado em sociedade entre o interminável Grondona e o Estado. Sim, um futebol estatizado, mas sem o “charme” das seleções militarizadas do leste europeu (não, não sou comunista, não se preocupe, turma à direita das redes sociais. Mas vão indo que eu não vou).

Por aqui estamos antestesiados com o Marin. Pudera, após tantos anos engolindo um buldogue mudo e ranzinza, a chegada de um típico populista conservador acabou sendo bem-vinda. Mas já deu.

Marin é mais do mesmo, ou até pior. É filho da época das viradas de mesa, do Brasileirão com 90 times… Era da Arena, aquela que punha um time no nacional onde o partido ia mal.

Ao contrário do que ocorre na Argentina, a seleção brasileira está privatizada. Está nas mãos de terceiros, que lucram com um patrimônio que, sim, é público. Ontem foi Kléber Leite quem lucrou. No mês que vem, com amistosos bizarros na Europa, um grupo árabe voltará a contar suas verdinhas graças à camisa amarelinha.

Foi-se perdendo a noção do ridículo. Lembram do jogo no Gabão? Parecia ter sido algo próximo do fundo do poço. Não foi. Talvez o fundo do poço tenha sido Resistencia, mas desconfio que não…

A Carminha e o Tufão estão muito mais interessantes que a seleção. Muito marmanjo ficou triste que a novela acabou para que começasse um Brasil x Argentina, vejam só vocês.

Termino este desabafo repetindo o primeiro parágrafo. Os céus acordaram. Eu realmente acredito nisso. Tem gente lá em cima muito brava com a CBF, a AFA, o Estado, os empresários.

Que Messi e Neymar os protejam.

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Jornalista, 37 anos. Já teve a ilusão de que seria um Dustin Hoffman. Hoje está feliz como um Cigano Igor.
Twitter: @luiz_a_lima
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6 Palpites

  1. Que belo texto, Luiz! Mas quanto à seleção estar privatizada, bom, ela pertence à CBF, que felizmente é uma entidade privada, mas infelizmente, é uma entidade suja e burra, especialmente no que diz respeito à conquista do consumidor. E mais infelizmente ainda, é uma entidade monopolista, ou seja, desastre completo. A questão é: o que fazer? Estatizar a seleção? Envolver (mais) dinheiro público em algo que não tem qualquer relação com os deveres básicos de um Estado? Mais burocracia e corrupção? Creio não ser o melhor caminho. Então, o que fazemos quando uma empresa nos desagrada? Simples, não consumimos o produto. Claro, muita gente vai zombar do que eu digo, mas perdão, é a realidade. Se a empresa não te agrada, não dê dinheiro pra ela. A boa notícia é que uma empresa não pode te obrigar a dar dinheiro pra ela, ao contrário do Estado.

    Resposta: Oi, brother. Na verdade eu concordo amplamente com você. Sou totalmente contra a estatização do futebol. E claro que a CBF tem o direto de negociar os amistosos, mas foi um contraponto que quis fazer com o “modelo” argentino. De fato, que paremos de consumir a seleção. São as tais consequências… Abração!

  2. Na verdade, de certa forma é o que já está acontecendo. Quem se importa com a seleção? A maioria que dá bola, ou o faz por obrigação (como no caso dos amigos jornalistas), ou pra trollar.

  3. Parabéns Luiz pelo texto!

    Embora não seja o cerne do texto (ou é… ), confesso! há tempos não consigo torcer pela seleção da Nike. Torço – quando muito – individualmente por alguns jogadores… cito, p.exemplo, Lúcio (zagueiro), São Marcos e alguns outros que, aparentemente, não fazem parte de esquemas de empresários, etc….

    Quero de volta o futebol! o futebol alegre! sem intere$$e$…

    grande abraço.

  4. Bruno Camargo

    Tem seus contras, mas a distribuição que existe na argentina onde varias emissoras mostram os jogos seria ótima aqui.

  5. Kaio CE

    Luiz Augusto, você certamente traduziu o sentimento de muitos brasileiros. Aquilo foi, antes de uma vergonha, algo anunciado. O descaso com o futebol está passando dos limites. Só não consigo entender como dirigentes tão “espertos” chegam ao ponto de, como você mesmo bem pontuou, “cuspir no próprio prato”.

    Abs!

  6. Alan

    Começaram a acabar com o Brasil e Argentina, quando por aqui, criaram e incentivaram a moda de torcer para eles… rs.

    Não se faz isso descrito no texto e outras coisas que andam fazendo com um Brasil e Argentina… rs… O futebol era uma das poucas coisas que resistia a colonização, destruíram isso… rs

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