Depois de 252 jogos e 7 gols, chega ao fim a trajetória de Márcio Araújo no Palmeiras (Crédito da foto: Facebook Palmeiras)

Depois de 252 jogos e 7 gols, chega ao fim a trajetória de Márcio Araújo no Palmeiras (Crédito da foto: Facebook Palmeiras)

O palmeirense já tratava Márcio Araújo como uma piada interna. Mesmo aqueles que gostam do seu futebol se divertiam com a forma que o jogador passou a ser chamado nos últimos quatro anos: “gente boa”. O volante atingiu 252 partidas pelo Palmeiras e virou o símbolo de um time limitado, que acumulou campanhas ridículas e mais um rebaixamento. Anunciou nas últimas horas que não renovará com o clube.

Se a maior qualidade de um jogador é ser esforçado, já temos um problema. É a mesma coisa que você cobiçar uma garota e ela chamá-lo de “fofinho”. Nunca vai rolar. A grandeza do Palmeiras, moralmente abalada há mais de uma década, não permite transformar qualquer suor em ídolo. Araújo pode ser o recordista de jogos, de roubadas de bola, ou até mesmo de passes certos. Ainda assim é um jogador extremamente comum. O aluno nota 6, que não repete nem brilha. E como o Palmeiras se apegou a migalhas ultimamente, o volante se tornou o queridinho dos técnicos.

Talvez a avaliação de Márcio Araújo fosse outra se o Palmeiras contasse com um elenco melhor. Em 1996, naquele espetacular time que durou apenas seis meses, imprensa e torcida já cogitavam Galeano na seleção brasileira. Márcio Araújo é inferior a Galeano, mas sofre com o estigma de jogar a régua para baixo, enquanto o Palmeiras dos 100 gols jogava os medianos para cima.

A visão contrária dirá que, em um elenco melhor, o camisa 8 dificilmente seria titular. Talvez seja verdade, mas é preciso ainda notar que esse Palmeiras atual é a regra dos últimos anos, e não a exceção. E dentro dessa lógica em que o clube não consegue trazer grandes jogadores, Márcio Araújo ganhou cadeira cativa. Não reclama, corre, não toma cartão, não se machuca, amigo de todos.

A mensagem que fica com essa despedida é que as piadas internas são mais uma prova do enfraquecimento do Palmeiras em relação aos seus rivais e a sua própria história. Quando o torcedor chama por Messi Black, Ananiesta e Araújo Mania, trata-se, na verdade, de uma espécie de protesto. É o riso do desespero. É o riso do absurdo. No fim das contas, o palmeirense não comemora a partida de Márcio Araújo. Porque não há qualquer sinal de fumaça de que virá alguém melhor para o seu lugar.