Por Marcelo Romano, do blog Brasil Olímpico
Tenho 39 anos, e conto para vocês minha trajetória com meu time Santos.
Apesar de meus pais serem corintianos, virei santista por influência do meu irmão Wagner. Ele acompanhou a época do Pelé. Muito vagamente, lembro do título paulista de 1978. Tempos de Juary, Pita, João Paulo, meus primeiros ídolos. Em 1982, o primeiro grande sofrimento, a perda do título brasileiro no Maracanã para o Flamengo. Todos os moleques da rua Melo Peixoto, no Tatuapé, me azucrinando na porta de casa pelos 3 a 0, fora o show da turma do Zico. Em 1984, a primeira alegria com o título paulista para cima do Corinthians, gol do Serginho Chulapa. A partir daí, começavam longos 18 anos de sofrimento.
Tempo de ginásio, colegial, faculdade. Senti o que um palmeirense sente hoje. Dizer que era santista era sinônimo de ser um coitado. Haja gozação. Quantas vezes fui ao Pacaembu e Morumbi e vi meu time apanhar de Corinthians e São Paulo. Me lembro de uma vez no Morumbi, 5 a 1 para o Corinthians, show do Viola em cima de um zagueiro chamado Vilson. Saí desnorteado. Quanto sofrimento. As diretorias tentavam de tudo. Desde trazer jovens “promessas” de outros times, como o ponteiro Osmarzinho do Atlético Goianiense, Serginho Fraldinha do Palmeiras e o meia Glauco do União São João de Araras, até jogadores em fim de carreira de outros times como Valdo, Rincon, Ranielli, Cuca, Neto, Valdir Bigode…
O grande problema do Santos no período da fila foram os zagueiros. Jamais na história do futebol mundial uma equipe grande terá tantos zagueiros medíocres como os que vi no meu Santos. Copertino, Marcelo Fernandes, Pedro Paulo, Luis Carlos, Camilo, Vilson, Jean…
Além dos títulos não muito relevantes do Rio São Paulo e da Conmebol, a maior alegria no período da fila veio em 1995. Um time de jogadores apenas esforçados e o gênio Giovani, o maior ídolo que vi no Santos. Eu estava no estádio do Pacaembu naquele Santos 5 x 2 Fluminense, ao lado do são-paulino Fernando Lima, irmão do colunista José Antonio Lima. Sem dúvida a maior emoção em estádio, já que o Santos precisava vencer por 3 gols. Lembro de ter saído do Pacaembu, parado em um orelhão e ligado para vários amigos corintianos que não acreditavam na vitória milagrosa. A fila não terminou em 1995 e não acho que o Marcio Rezende tenha sido o único culpado. O técnico Cabralzinho não contava com o Galo, principal volante do time e inventou na final contra o Botafogo, colocando um time sem volantes, desarrumando todo o conjunto.
Os anos de sofrimento sem títulos importantes seguiam. O Santos caminhava para virar uma Portuguesa e a torcida ir diminuía a cada dia. Em 2002, no 1º semestre, fomos eliminados do Rio São Paulo após um empate contra o Bangu. Por causa da Copa do Mundo ficamos alguns meses sem jogar e isso deu tempo para o técnico Leão “olhar” a nova geração de meninos da Vila. Surgiram Diego, Robinho e Alex, que se uniram aos remanescentes Léo, Renato, Elano. O jejum acabou da melhor maneira possível. Vitória dramática contra o Corinthians por 3 a 2, com direito a show de pedaladas do Robinho. Lembro que me recusei a ir a casa do meu irmão na final porque tinha assistido todos os jogos mata-mata na “poltrona da minha sala” e tinha dado certo. Para que arriscar? Meu filho tinha 1 ano e eu falava “agora esse garoto vai cansar de ver o time campeão”
E foi isso mesmo. A partir daí o Santos passou a viver uma nova era. Voltou a apostar nos garotos formados em casa, parou de contratar refugos e soube aproveitar o dinheiro da venda de jogadores. Meu filho assistiu comigo a outra dramática final, em 2006 no Paulista, contra o São Caetano no Morumbi, com gol no finalzinho.
Outro orgulho que tenho foi ter assistido com meu filho o 1º jogo profissional de Neymar contra o Oeste de Itápolis no Pacaembu. Também acompanhamos os 9 a 1 contra o Ituano.
Em 2011 o título mais importante, a Libertadores. Quem viu o time na 1º fase, jamais podia imaginar que seria campeão. Mas o Muricy arrumou a defesa, a tabela nos ajudou tirando Cruzeiro e Velez do caminho e Neymar se tornou o craque decisivo que prometia. Santos tricampeão da América.
Agora é esperar a revanche contra o Barcelona. Esse ano não vamos dar a moleza de 2011.
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Tenho 36 anos, e também via o Santos como um saco de pancadas durante toda minha infância/adolescência. Naqueles anos de chumbo, só o Rodolfo Rodrigues se salvava!
Enfim, hoje o papo é outro…
Ps: o Mengo deu show no Peixe em 83, pois em 82 a vítima fora o Grêmio.