
Elogiar goleiro, zagueiro e juiz antes de o jogo acabar é um erro grave. Esta afirmação não passa de um lugar comum do futebol, mas é tão comum que você provavelmente conseguirá comprovar empiricamente na rodada desta noite ou na próxima do Campeonato Brasileiro. Mas e elogiar políticos? E políticos ex-jogadores de futebol? Fazer isso é pedir para que este post venha me assombrar no futuro, mas por enquanto é preciso dizer que o deputado federal Romário (PSB-RJ) está indo razoavelmente bem.
Romário entrou na política confundindo o nome de seu partido, foi claramente escalado pelo PSB como celebridade puxadora de votos e, graças ao que muitos chamam de voto de protesto ou inconsciente, foi o sexto deputado federal mais votado no Rio de Janeiro. Recentemente, foi acusado, e se defendeu, de ter jogado futevôlei no horário de trabalho. No maior vacilo que cometeu até aqui, deixou de fazer um teste de bafômetro e xingou muito no Twitter depois de ser xingado por internautas. Foi um erro não fazer o teste por ser ele um parlamentar, mas se as pessoas acharam normal o senador presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) fazer o mesmo, não é o caso de perseguir Romário.
Dentro das quatro linhas, quer dizer, no plenário da Câmara, Romário vem defendendo causas ligadas aos deficientes – sua filha mais nova tem síndrome de Down – é um dos únicos deputados que não faltou e, o principal, vem fazendo algo que quase nenhum outro deputado tem coragem de fazer. Criticar a organização da Copa do Mundo de 2014.
Romário foi um dos poucos a se levantar contra a Lei Geral da Copa, uma legislação proposta pelo governo Dilma que, sem a menor dúvida, trará enormes problemas para muitos brasileiros em 2014. Romário notou que a possibilidade de as prefeituras decretarem feriados nos dias de jogos (imaginem Cuiabá instituindo feriado porque Eslovênia e Trinidad & Tobago vão se enfrentar) pode mascarar a falta de obras de mobilidade urbana nas cidades-sede. Romário também falou dos preços dos ingressos e voltou a criticar investimentos milionários em estádios onde o futebol praticamente não existe. Todas verdades que muitos cidadãos/eleitores/torcedores gostariam de falar e que ele, como representante da população, fala.
Como se vê, todos os argumentos positivos a favor de Romário são coisas simples, que qualquer deputado deveria fazer. Isso significa que o Romário deputado ainda não é o craque que vimos em campo, mas sim um Dunga, um cara esforçado, que faz sua obrigação e de vez em quando dá uma cabeçada na cara do Bebeto na abertura da Copa. Para quem se acostumou com políticos ladrões e esperava que Romário fosse ficar dois dias em Brasília e passar o resto da semana jogando futevôlei na Barra da Tijuca, o resultado está acima do esperado.
Foto: Agência Brasil
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Boa, Zé. Texto chegou na hora certa. Até agora, merece. E muito. Uma agradável e inusitada surpresa, levando-se em conta os ex-boleiros que entram na política apenas para ganhar mais alguns minutos de holofote. A oposição que Romário faz à organização da Copa é o ponto alto, quase que uma procuração de todos nós.
É… se tudo o que ele propusesse fosse ligado ao futebol, eu acharia estranho. Mas, com essa de defender os direitos dos portadores de deficiências, realmente, nós temos que elogiar o trabalho do parlamentar.
Acompanho o Romario no tuiter. Acompanho o seu trabalho no congresso. Está me surpreendo se eu levar em conta o que esperava dele mas o deputado Romario faz algo que o jogador nunca fez: Bola na lateral, quase passando da linha, o jogador sai correndo e dá aquele carrinho inútil mas que a torcida adora. Então o atleta se levanta, ergue os braços e a torcida vibra com o esforço do boleiro, ou seja, joga para a galera em diversas situações.
Mas aí eu penso, vejo jornalista da ESPN fazer isso quando eu questiono ele dá xiliques, vejo presidente de clube fazer isso, governadores, senadores, etc.
Acabo relevando o deputado Romario e considerando-o uma boa surpresa.
Belo texto, Zé. Concordo com você. Também estou feliz com o Romário, mas com medo de queimar a língua. Acompanhemos. E belíssima observação ao citar o Aécio Neves. Abraço.
Por enquanto vem surpreendendo mesmo, tentando se inteirar de temas da Copa e da área da educação e saúde; de fato não vem fazendo nada além da obrigação, mas como vemos que ela é tão rara hoje em dia, temos de notar, registrar, mas ficar atentos para ver se ele realmente não está apenas jogando para galera, como disseram acima.
E novamente parabéns pela lembrança do senador “carioca” Aécio Neves.