O real significado da campanha do Atlético-MG em 2012

O Atlético-MG não levou nenhum título ainda. É exagero chamar de título a melhor campanha em um turno do Brasileirão. Não se comemora título sem troféu e ponto final. Analisemos o que fez o Galo após 17 partidas e o que de fato significa esse feito, algo que vai além dos 42 pontos somados em 17 jogos e dos mais de 80% de aproveitamento.

A campanha do Atlético-MG é a afirmação do quanto vale a pena investir em estrutura, em apostar na manutenção de um técnico e em não medir esforços para reforçar um time que a despeito de traumas já vinha sendo construído há algum tempo.

A muito custo, muito sofrimento lutando contra o rebaixamento nas últimas temporadas, e ainda com derrotas vexatórias para seu maior rival, o Atlético Mineiro fez nos últimos anos o beabá do que se sugere necessário para se construir times vencedores. Paga em dia, oferece um centro de treinamento digno dos melhores clubes do mundo e tem os jogadores certos para voltar a ser campeão brasileiro depois de 41 anos. Uma receita simples, mas nem sempre seguida. Tudo sob um comando correto.

Cuca, tão tachado de depressivo por conta de trabalhos recheados de choro e mimimi, ajudou a salvar o Atlético do rebaixamento em 2011, como já havia salvado o Fluminense em 2009. Nem mesmo os 6 a 1 para o Cruzeiro na última rodada do torneio o ameaçou. Alexandre Kalil, apaixonado pelo Galo e que sofre para separar o torcedor do dirigente, suportou todas as cornetas e achou por bem seguir em frente. Nove titulares naquele jogo ainda estão no Atlético.

Serginho, Leonardo Silva, Réver, Pierre e Bernard continuam sendo. Renan Ribeiro, Richarlyson, Filipe Soutto e Carlos César são banco. O primeiro, um jovem goleiro até foi bem no seu início, mas seguidas falhas pesaram. E como todo bom time começa com um bom goleiro foi lá o Galo atrás de um substituto. Entrou Giovanni para quebrar o galho, mas a exigente torcida atleticana queria mais.

“Para a mais corneteira torcida do Brasil, o melhor goleiro do Brasil”, disse Alexandre Kalil, antes de ir a Porto Alegre para contratar Victor. O dirigente-torcedor estava cansado de ouvir reclamações sobre a posição mais carente do Galo no início do Brasileiro. Victor não é unanimidade, mas foi um tiro certeiro entre as opções no mercado. Na lateral-esquerda, Richarlyson perdeu o posto para Junior César. O Ex-Flu, ex-São Paulo, ex-Fla vive ótima fase.

Fora Victor e Junior Cesar, outras duas peças que entraram no time que encerrou 2011 colaboram para a campanha do Atlético: Ronaldinho e Jô. O primeiro pouco fez pouco no Flamengo, saiu de lá na marra e para provar que ainda não está no hall dos ex-jogadores em atividade aceitou um contrato de seis meses em BH. Um contrato na medida certa para um craque tão inconstante.

O segundo sempre foi um bom atacante. Saiu muito jovem do Corinthians, brilhou ao lado de Vágner Love no CSKA e conseguiu jogar na mais rica liga do mundo. O prestígio adquirido e talvez a falta de bom senso em separar a vida fora dos campos com dentro dele atrapalhou Jô nas passagens por Manchester City e Everton. Tudo piorou quando chegou ao Internacional e só deu dor de cabeça a Dorival Junior e aos seus vizinhos de condomínio. Baladas e mais baladas. Aos 25 anos (sim, só 25 anos), Jô chegou ao Atlético e contra os prognósticos resgatou o bom futebol ao lado de outro fã da noite e que veste a camisa 49 alvinegra.

Outro detalhe desse Atlético. A base do seu time titular foi talhada em cima de decepções. Como gosta de dizer o corintiano Tite, é nessa hora que se forma um grupo vencedor. “Só saboreia uma doce vitória quem sentiu o gosto amargo da derrota”, gosta de dizer o técnico ao se lembrar dos percalços antes dos títulos brasileiro e da Libertadores. É piegas, mas é um discurso que conquista os jogadores de futebol. No Atlético, que há anos segura a bronca de ser o clube grande com menos títulos nacionais, essas palavras ganham mais força. Força sustentada pelos números.

O Atlético já superou os 41 pontos do Grêmio de 2008, até este ano o melhor desempenho de um “campeão de 1º turno”. Como se sabe, a pontuação não garantiu nada mais do que o vice-campeonato aos gaúchos em dezembro naquela temporada. Mesmo assim, o feito atleticano é digno de aplausos. Afinal, para ser campeão, em média, um time precisa de 72 pontos. Faltariam 30 dos 63 em disputa ou um aproveitamento inferior a 50%.

Até aqui Cuca e sua turma fizeram tudo certo para se consagrarem campeões brasileiros em 2012. Mas a caminhada até lá tem outras 21 partidas e rivais à espera de um tropeço do Galo. O Fluminense, três pontos atrás, perdeu apenas uma vez e é a priori o principal candidato a tirar da massa alvinegra de BH o merecido grito de campeão no final do ano.

FOTO: Bruno Cantini (Flickr oficial do Atlético-MG)

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Jornalista, 30 anos. Fã do Finazzi, maior ídolo da história recente do Goiânia E.C. É tão craque quanto.
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