Oi, a Dinamáquina acabou. E foi há 26 anos

Eu me lembro bem, porque aquela era minha primeira Copa do Mundo. Almocei e jantei futebol naquele junho de 1986. E me recordo especialmente daqueles três jogos. Assombrava locutores, comentaristas, repórteres e qualquer ser humano que estivesse diante da TV assistindo aos seus jogos. A Dinamarca era estreante, escrevia seu nome em um Mundial depois de 56 anos.

Foram três jogos assombrosos. Passou sem sustos por Escócia (1 a 0), Uruguai (6 a 1) e Alemanha Ocidental (2 a 0). Passeou na primeira fase com um futebol lindo de se ver, comandado por Michael Laudrup, então com 21 anos. Ganhou o apelido de Dinamáquina. Justo.

Mas a Dinamáquina durou apenas aqueles três jogos. Emperrou nas oitavas de final, contra a Espanha de Butragueño. Aquela que havia virado favorita ao título enfiou o rabo entre as pernas e foi embora do México depois de tomar 5 a 1.

A Dinamarca voltou a ser Dinamarca depois daquelas duas semanas de sonho. Ganhou o título da Eurocopa de 1992, verdade. Mas sem ser a sombra daquela seleção de seis anos antes e uma conquista que só foi possível porque a Iugoslávia foi suspensa. Os dinamarqueses sequer haviam se classificado para aquela Euro. Foram para a Suécia como convidados.

São 26 anos desde aquele 1986 e a Dinamarca disputou apenas três Copas. Caiu nas quartas de final em 1998 (contra o Brasil), nas oitavas em 2002 (Inglaterra) e não passou da primeira fase em 2010, depois de perder para Holanda e Japão.

Chegou à Eurocopa deste ano. E, no domingo, se despediu. Estreou com vitória contra a Holanda. Foi derrotada por Portugal e Alemanha em seguida.

Mas a Dinamarca, estranhamente, segue sendo chamada de Dinamáquina. Um monte de gente, na imprensa e fora dela, insiste em usar um apelido que só fez sentido durante três partidas disputadas 26 anos atrás. Não existe uma máquina de futebol na Dinamarca. Não existe sequer um futebol competitivo na Dinamarca. Existe uma seleção média com alguns bons momentos, mas sem fôlego.

Se um dia o bom futebol for mantido durante uma competição inteira, que se evoque, então, a Dinamáquina. Mas usar este apelido, hoje, é pura preguiça ou falta do que falar.

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Jornalista e tocador de guitarra, 35 anos. Assume que gosta de Bee Gees sem sentir vergonha.
Twitter: @estadodecirco
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