por @FChiorino
Dia 11 de julho de 2012. O Palmeiras conquistava o título da Copa do Brasil, após o empate contra o Coritiba em pleno Couto Pereira. Campeão invicto, vaga garantida na Libertadores de 2013. Surgia a luz no fim do buraco que o clube havia se metido na última década. Os bons ares estavam de volta.
Dia 3 de setembro de 2012. O Palmeiras acumula mais uma rodada na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Já são 12 derrotas e nenhum sinal de que o time possa sair dessa situação desesperadora. As rixas internas voltaram a vazar para a imprensa. As sucessivas lesões expuseram a fragilidade do elenco. Os pútridos ares estão de volta.
O que mudou em menos de 2 meses? Pouca coisa. Mas uma dessas mudanças impacta diretamente no desempenho desse time: a crença de que qualquer limitação pode ser revertida em vontade de vencer. O Palmeiras é, sim, um time limitado. Possui poucas opções realmente boas no banco de reservas e titulares que seriam facilmente reservas em outros clubes.
Um campeonato longo, sem mata-mata, torna quase impossível a missão de surpreender os adversários, como o Palmeiras fez com o Grêmio na própria Copa do Brasil. Não há tempo de respiro. Rodadas no meio e final de semana obrigam os clubes a manter o mínimo de regularidade para se manter no topo ou longe do inferno. E esse equilíbrio não existe no Palmeiras de hoje. O que se vê é um arremedo para conseguir levar 11 jogadores a campo. A torcida já acusou o desespero e praticamente sumiu dos estádios. E ainda não sabe se já é hora de deixar a condescendência de lado provocada pelo título recente ou se volta a atacar amendoins em quem aparecer pela frente.
A mística de Barueri não existe mais. As vitórias no Pacaembu, também não. A diretoria olha para um Felipão cada vez mais cabisbaixo e espera que surja um passe de mágica por detrás do bigode, como no dia 11 de julho. E como montar um planejamento para o próximo ano, sem a certeza de que não haverá uma nova queda? Quais medalhões serão seduzidos por uma Libertadores que corra em paralelo com uma Série B? Até a construtora da futura Arena Palestra escancarou a preocupação com o que pode ser um futuro nebuloso.
O Palmeiras desperdiçou a oportunidade de se livrar de Valdivia no meio do ano, um jogador descompromissado e que usa o clube como objeto de chantagem. Um boleiro cada vez mais comum e com quem não se pode contar nos momentos mais críticos. A consequência natural dessa benevolência foi não ter encontrado até agora meias que efetivamente possam substituí-lo ou ao menos permitam que o time tenha outra solução que não seja a bola parada de Marcos Assunção.
O time formado para 2012 venceu a Copa do Brasil, mas também foi anulado pelo Guarani na semifinal do Paulista e venceu apenas 4 dos 21 jogos que disputou no Brasileiro. A ressaca dura tempo demais. O Palmeiras precisa reencontrar a confiança que tornou um time modesto em vencedor. E entender que um título de expressão não mascara todos os erros cometidos nos últimos anos. A Copa do Brasil continua sendo a exceção. Se o Palmeiras efetivamente quer voltar a ser grande, não pode se apegar a brilhos fortuitos.
Se cair para a Série B, o Palmeiras já entra na Libertadores moralmente derrotado. E será mais uma mácula na história de um clube que jogou uma década na lata de lixo, perdeu dinheiro e passou a ser preterido por jogadores. A imponência alviverde precisa redescobrir o caminho. Afinal, reza o hino que a dureza do prélio nunca tarda.
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A situação do Palmeiras realmente é uma lástima! Uma pena que um time tão grande e tão cheio de vitórias esteja sendo manipulado por jogadores que estão ali apenas para ganhar salários e por uma diretoria que pouco investe. Como bem afirmado, o Verdão jogou fora tudo o que conquistou anteriormente em apenas 10 anos. Está na hora de voltar a ser o time vitorioso de sempre, para honrar toda a sua história.