
Nas últimas três semanas, Thomaz Bellucci ganhou dois títulos, um ATP 250 e um challenger, e chegou à semifinal de outro ATP. Neste período, subiu 40 posições no ranking mundial e hoje aparece em 40º lugar. A ótima fase do brasileiro virou motivo de piadas em redes sociais tanto quanto suas derrotas. Previsivelmente, muitos ligam suas vitórias ao fim do mundo, aquele evento que acontecerá em dezembro deste ano, aponta estudo (dos maias).
Eu não sou advogado e nem sou pago para defender quem quer que seja. Sou jornalista e trabalho com o que é correto. E, por isso, eu vou defender Bellucci.
O título em Gstaad, onde o brasileiro já havia sido campeão em 2009, foi o terceiro da carreira de Bellucci. Títulos de primeiro nível, de torneios ATP. É o mesmo número de torneios que Fernando Meligeni ganhou na carreira toda. Meligeni não foi brilhante, mas ficou quase uma década entre os 100 primeiros do ranking. À frente de Bellucci estão Guga, com 20 títulos, e Luiz Mattar, com sete (seis deles conquistados no Brasil).
Thomaz, 24 anos, não faz nada de muito diferente que a maior parte de seus colegas. Ao contrário. Ele faz mais do que farão nove de cada dez tenistas que estão ranqueados hoje. Boa parte deles vai erguer as mãos e agradecer caso consiga um título de ATP na carreira. Porque a maioria se aposenta em branco.
Hoje, dos 20 primeiros do ranking, quatro tenistas têm os mesmos três títulos de Bellucci ou menos: o sérvio Janko Tipsarevic, derrotado pelo brasileiro na final de Gstaad (28 anos, oitavo, três títulos), o ucraniano Alex Dolgopolov (23 anos, 17º, um título), o japonês Kei Nishikori (22 anos, 18º, um título) e o espanhol Marcelo Granollers (26 anos, 19º, três títulos). Numa conta não muito complicada, chega-se à conclusão de que isso representa um de cada cinco atletas.
O problema não é técnico. Como Otavio Maia já escreveu neste blog, o brasileiro sempre vai oscilar. É praticamente um kamikase das quadras. “A diferença entre o Bellucci de hoje e de um mês são 2 ou 3 centímetros, que determinam se a bola vai dentro ou fora. Para quem joga com margem de erro muito pequena, esses centímetros significam perder na primeira rodada ou ganhar de quase todo mundo”, disse Otavio hoje numa troca de emails sobre o brasileiro.
Conforme revelou a rádio Bradesco Esportes FM, Bellucci recorreu a um psicólogo para cuidar da instabilidade. Provavelmente julga ter problemas emocionais em quadra ou fora dela, que o ajudaram a cair do 21º lugar do ranking, em julho de 2010, ao 80º posto dois anos depois. Encarar e lidar com um problema é boa parte da solução.
Bellucci enfrenta o Mal de Barrichello. Paga o preço por ter nascido em um país em que atleta bom é aquele que ganha o tempo inteiro, que satisfaz os desejos de vitória de uma duvidosa torcida que alivia suas frustrações cotidianas tomando para si vitórias alheias (“nosso brasileiro”). A diferença para Barrichello, porém, é que Thomaz nunca prometeu substituir Guga. Nunca, aliás, prometeu coisa alguma e nem deveria. Ele joga por si, não pelo verde-amarelo-azul-anil. É ele quem está na quadra treinando, comendo saibro, ralando a pele quando cai na quadra de cimento. Que toma chuva e toma sol. As conquistas são dele, as derrotas, idem.
Não, Bellucci não é um fenômeno. Nem de longe. Mas as piadas construídas sobre ele são injustas. É bom ficar de olho no cara durante as Olimpíadas. Um sujeito doido em quadra que está com a confiança nas alturas. Em 1996, Meligeni, mais ou menos nas condições de Thomaz, quase colocou uma medalha no pescoço. Apesar do piso de grama que será usado em Londres, uma desvantagem para o brasileiro, Otavio resume o momento: “Hoje, ninguém quer jogar contra ele quando sai o sorteio da chave, podem ter certeza.”
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Excelente, disse tudo.
Pois é, as piadas são mesmo injustas, mas é o jeito brasileiro de baixar um pouco as expectativas, que são sempre muito altas. Quando um atleta tem uma performance irregular, como o Belucci, as pessoas ora acreditam, ora desconfiam, e o que fazem melhor e contar piadas! Sem dúvida inspirado ele pode ser incrível, mas um atleta que joga cada ponto para vencer, forçando sempre, tem que estar muito concentrado para colher resultados. Tomara que ele amadureça e consiga uma boa sequencia.
Muito bem esse texto humorístico, principalmente essa parte: “Hoje ninguém quer jogar contra ele quando sai o sorteio da chave, podem ter certeza.” Ri muito, haha.
Resposta: Simpático Arthur, a frase é de um jornalista que cobriu o circuito de tênis por vários anos. Mas não deve entender tanto do esporte quanto você, claro.
Resposta 2:: Nosso amigo deve achar hilária a declaração do Tsonga, sobre enfrentar Bellucci na primeira rodada na Olimpíadas: “Não é uma boa chave. Na primeira rodada eu vou enfrentar um jogador que está confiante e tem jogado bem nas últimas semanas”.
Interessante a informação de que ele contratou um psicólogo. Dos jogos que eu o vi “bellutar”, ouso dizer que em 100% dos casos ele perdeu o jogo sozinho, pra ele mesmo. Quem sabe com um trabalho mental bem feito a oscilação diminua, garantindo um pouco de paz nas críticas – e também bons resultados como os das últimas semanas. Como você escreveu, Borges: ele não é nenhum fenômeno. Mas é um cara que bons golpes, um saque que quando entra machuca o adversário e potencial pra se firmar entre os top 30 tranquilamente, se não mais pra cima.
Acho muito injustas essas piadas contra ele, ainda mais quando o cara ganha! Hahaha
Assisti todos os jogos (possíveis, pois alguns nem tinham transmissão) desses 2 últimos ATPs 250 que ele disputou. Jogou muito!
Bellucci tem que ser mais humilde em relação aos torneios escolhidos para disputar. Desde o ano passado ele recheou seu calendário com Masters 1000 e ATP 500. Foi eliminado nas primeiras rodadas em todos. Assim não dá mesmo.
Torço muito por ele!
Borges eu gostei do seu texto mas entendi que vc critica os pachecos e esquece os com complexo de vira latas.
Os dois tipos são chatos e irão aparecer nos jogos olímpicos com suas críticas injustas.
Bellucci é um bom jogador, com um saque poderoso, um forehand de esquerda forte e não afina contra os Top 10.
Quem o critica são os ressentidos, tipo o pessoal da ESPN e o seu Oswaldo Maraucci ou os sofasistas, pessoal que nunca pegou em uma raquete ou não entende nada do esporte.
Ele tem tênis para ser top 15 e pode até, num momento bem inspirado, sonhar com o top 10. Afinal, ele não é muito pior que o Monaco, atual número 10.
Bellucci tem defeitos e um dos piores é desperdiçar ótimas chances no segundo saque do rival. A outra é de buscar winners em momentos errados.
Mas ele ainda vai incomodar bastante. E acho bom que ele seja tímido e arredio à imprensa. Cara que fala pouco e trabalha muito é o ideal para calar os idiotas.
Ah, e ele ainda é palmeirense!