Quanto um país pode evoluir no quadro de medalhas sediando os Jogos Olímpicos?

Tudo começou em 1896, nas Olimpíadas de Atenas. A França, país que seria sede dos Jogos seguintes, conquistou onze medalhas e a quarta colocação no quadro geral. Quatro anos depois, já em Paris, o país deu um salto nove vezes maior, para 101 medalhas, ganhou a liderança e deixou os EUA em segundo. Ali, uma tendência nascia.

Em 1904, um outro exemplo que hoje seria impossível. Com 48 medalhas em 1900, os EUA levaram 236 das 277 distribuídas em Saint Louis, ou seja, quase tudo, afinal, dos 650 atletas, 580 eram norte-americanos. Olhar o quadro de medalhas de então é uma piada.

Em 1908, o maior espetáculo olímpico do crescimento que já se teve notícia. O Reino Unido, com apenas duas medalhas quatro anos antes, passou para 144 em Londres, setenta vezes mais. Força esportiva da época, a Suécia, sede em 1912, pulou para 65 medalhas conquistadas diante das 25 anteriormente somadas.

Os números do início do século passado comprovam que a chegada dos Jogos Olímpicos eram um estímulo espetacular para os países que recebiam a competição. Além disso, as óbvias dificuldades de transporte e estrutura impediam que muitos atletas estrangeiros pudessem viajar para o evento. O amadorismo era a realidade.

Participar como país sede continua sendo fator de crescimento na classificação das Olimpíadas, apesar do índice ser naturalmente menor em comparação com o início dos Jogos da era moderna.

Em 2004, por exemplo, a China foi segunda colocada no quadro de medalhas, com 63 pódios. Em Pequim, liderança, com 100 medalhas, 51 de ouro. Notável.

Um dos crescimentos recentes mais estupendos foi o da Espanha. Em 1988, nas Olimpíadas de Seul, foram apenas quatro medalhas e o discretíssimo 25º lugar. Já Barcelona viu 22 medalhas do país e um inesquecível sexto posto no quadro de medalhas em 1992. De lá pra cá, foram 17, 11, 19 e 18 medalhas espanholas, num caso comum de perpetuação de política esportiva, apesar dos apenas seis pódios na atual edição dos Jogos.

Por falar em Londres 2012, com 48 medalhas conquistadas até agora, o Reino Unido já superou as 47 medalhas de 2008 e deve aumentar ainda mais suas conquistas. Em relação ao Brasil, evidente que não é possível determinar o número de medalhas no Rio de Janeiro, em 2016, mas o Comitê Olímpico Brasileiro trabalha com 30 pódios como objetivo, de acordo com Marcus Vinicius Freire, superintendente-executivo de esportes do COB, a palavra oficial.

Veja o quadro geral abaixo que mostra a variação do número de medalhas dos países levando sempre em conta a participação anterior e o desempenho quando foram sede. Importante lembrar, claro, dos lamentáveis boicotes dos Jogos de 1980 (os EUA não participaram) e 1984 (a União Soviética ficou de fora). Em apenas dois casos ocorreu queda de medalhas: França, em 1924 e EUA, em 1996.

FRANÇA EUA REINO UNIDO SUÉCIA
1896 1900 1900 1904 1904 1908 1908 1912
11 101 48 236 2 144 20 65
BÉLGICA FRANÇA HOLANDA EUA
1912 1920 1920 1924 1924 1928 1928 1932
6 36 41 38 10 19 56 103
ALEMANHA REINO UNIDO FINLÂNDIA AUSTRÁLIA
1932 1936 1936 1948 1948 1952 1952 1956
20 90 13 23 20 22 11 35
ITÁLIA JAPÃO MÉXICO ALEMANHA OC.
1956 1960 1960 1964 1964 1968 1968 1972
25 36 18 29 1 9 26 40
CANADÁ UNIÃO SOVIÉTICA EUA COREIA DO SUL
1972 1976 1976 1980 1980 1984 1984 1988
5 11 125 195 - 174 19 33
ESPANHA EUA AUSTRÁLIA GRÉCIA
1988 1992 1992 1996 1996 2000 2000 2004
4 22 108 101 41 58 13 16
CHINA REINO UNIDO BRASIL
2004 2008 2008 2012 2012 2016
63 100 47 48 (?) ? ?

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Jornalista, 39 anos. Entre uma feijoada e outra arruma um tempo até mesmo para trabalhar.
Twitter: @fgraziani
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