Robert Griffin III: um motivo para torcer pelos Redskins na NFL

Quando estreou no futebol americano universitário, pela Universidade Baylor, do Texas, Robert Griffin III surpreendeu o pai ao carregar “Griffin III” na camiseta. Nunca alguém havia chamado o filho assim. A decisão havia sido tomada anos antes, no leito de morte da bisavó, que se espantava com a semelhança do neto com o avô, que morrera precocemente aos 43 anos, vítima de um aneurisma cerebral. “Meu pai sempre me prometeu dar a mim mais do que ele teve. Esta é uma forma de retribuir a ele, ao meu avô e à minha bisavó”, afirma RG3.

Às 14h deste domingo, Griffin III estreia como jogador profissional, como quarterback do Washington Redskins. Tem como missão ajudar a reerguer um dos mais importantes times da história da NFL, mas que hoje flerta com a irrelevância – não chega à final de conferência desde 1991, ano também de seu terceiro (e último) título do Super Bowl. RG3 foi o segundo escolhido no último draft e venceu em 2011 o troféu Heismann, dado ao melhor atleta universitário americano.

Filho de um casal de militares, Robert nasceu em Okinawa, no Japão, onde viveu até os dois anos porque os pais serviam em uma base americana no país. Aos 6, morava com parentes em uma favela de Nova Orleans, enquanto os pais estavam em bases diferentes da Coreia do Sul – curiosamente estreará como profissional contra o New Orleans Saints. Estudante notável, começou a andar aos nove meses de idade e com 1 ano já corria. Na infância, provocava as irmãs e corria tão depressa que jamais era alcançado.

“Tudo era rígido em casa. Era ‘sim, senhor’ e ‘sim, senhora’, não havia outra forma de tratar meus pais”, disse à NBC o quarterback de 22 anos, que mesmo quando vivia na infância em uma base militar no Texas já usava longas tranças, algo que não abandonou. Sujeito de sorriso fácil, era adorado na universidade, um ídolo pelo carisma e simpatia, e não apenas pelo talento com a bola oval. Conforme relato da ESPN, quando estreou como um Baylor Bear, havia 20 mil lugares vazios no estádio. Um ano depois, a torcida lotava a arena e gritava seu nome.

Griffin III jogou basquete e praticou atletismo com sucesso, apoiado pelo pai, Robert, que o levava para correr e treinar em montanhas, puxando pneus. “Ele queria testar se eu realmente desejava ter aquela vida ou era apenas coisa de moleque”, conta. O obstinado RG3 superou um rompimento de ligamento do joelho direito. Robert II conseguiu que o filho recebesse a visita de Leroy Burrell, campeão olímpico em Barcelona 1992 e que passara pelo mesmo problema.

Formado em ciências sociais com pós-graduação em direito, Griffin III ouviu do pai, a sós, um longo discurso depois de receber o troféu Heisman. Sobre atletas que haviam conquistado o prêmio e fracassado em seguida.

A criação fez RG3 se apegar a uma vida regrada. Não bebe, não frequenta baladas. O homem que tirou Baylor do buraco e que tentará fazer o mesmo com os Redskins é noivo e já planeja até um filho: Robert Griffin IV. Independentemente do que conseguir até fevereiro, Robert já é uma das grandes histórias do campeonato. E uma boa razão para se olhar com simpatia para os Peles Vermelhas de Washington.

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Jornalista e tocador de guitarra, 35 anos. Assume que gosta de Bee Gees sem sentir vergonha.
Twitter: @estadodecirco
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Um palpite

  1. Eduardo Bispo

    Se a primeira rodada da NFL se refletir nas seguintes, não vai demorar para os big dogs do Indianapolis Colts se arrependerem amargamente por não terem escolhido o RGIII como first pick do último draft. Belo texto!

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