No dia 2 de julho escrevi um post aqui no Esporte Fino sob o título Cobrar bom exemplo de atletas é uma tremenda bobagem. Nele, defendi a opinião de que um esportista não tem obrigação acessória de ser modelo positivo para a sociedade. Ocorre que alguns atletas de ponta são vistos assim. É algo muito bonito, desde que seja natural, puro. Roger Federer é um desses caras.
O homem da Basileia, aos 30 anos, conquistou neste domingo seu sétimo título em Wimbledon, o 17º em torneios de Grand Slam. Em ação, não tenho dúvida, é o melhor esportista do mundo. E quando escrevo esportista, levo em consideração também o que ele representa quando não está jogando, como se já não bastasse ser o melhor tenista de todos os tempos, um gênio.
O retrato de quem é Federer, de novo, foi pintado por ele mesmo durante seu discurso da vitória após os 3×1 sobre Andy Murray. Antes de qualquer coisa, parabenizou seu adversário e desejou que o escocês ganhe um Grand Slam em breve. Admitiu que nos meses mais recentes caiu de produção, sentiu nervosismo, mas continuou acreditando e trabalhando ainda mais para voltar a ser o número um do mundo. Por fim, disse que igualar os números de Pete Sampras em Wimbledon era maravilhoso porque o norte-americano sempre foi seu herói.
Não há qualquer traço de arrogância ou prepotência no discurso. São palavras genuínas, naturais. Não é nada forjado por Federer ou por algum marqueteiro. Ele representa o respeito ao esporte e ao público e constrange os que gostam de levar vantagem em tudo como quando aponta que a bola do adversário foi boa. E o mais importante: mostra admiração pelo adversário que ele acabou de derrotar e reverência ao ídolo que ele acabou de alcançar.
Por isso, o título do post. E a certeza de termos muita sorte por vê-lo jogar.
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Acho o Federer um jogador excepcional, mas tem tanto torcedor babaca do cara que peguei certo nojinho. Sem dúvida continuo a admirá-lo, mas não consigo torcer pelo cara de jeito nenhum. A maioria, infelizmente, não consegue exaltar um sem desmerecer os outros. Parece que Federer chegou onde chegou jogando com a parede, já que ninguém mais é bom o bastante para ele. De qualquer forma, se tem alguém que realmente mereceu bater todos os recordes do Sampras, esse é o Federer. Parabéns ao cara.