Sem desafiantes, Anderson precisa mudar de categoria

Depois de quase cinco meses de espera e muita provocação, “A Luta do Século” acabou em apenas 3min25. Foi mais um show do melhor lutador de artes marciais mistas do mundo na categoria dos médios. Na madrugada deste domingo, Anderson Silva ressurgiu e fulminou o desafeto Vitor Belfort com um inacreditável chute frontal no rosto, que levou o carioca imediatamente à lona.

Considerado um dos mais talentosos do mundo, Belfort prometeu aliar maturidade e grande forma física para superar o maior desafio da sua carreira. Do outro lado, os bastidores diziam que, após três lutas bastante fracas, Anderson estava supermotivado nos treinamentos e no auge da forma. A retomada da curva ascendente se deveria primeiro pelo perigo real imposto pelo adversário e, segundo, pela inimizade entre os dois.

De fato, Vitor entrou mostrando velocidade e agressividade. Parecia tinindo. Depois de algum estudo, arriscou alguns socos perigosos, dos quais Silva desviou milimetricamente. Em seguida, quando o oponente tentou um chute alto, segurou a sua perna e o levou ao chão. No seu melhor momento, aproveitou a vantagem de cair por cima e desferiu um soco que teria levado o campeão ao nocaute, caso o “Spider” não tivesse mais uma vez desviado no limite.

A festa de Belfort parou por aí. Com os dois em pé se estudando novamente, Anderson de repente soltou um chute frontal, que surpreendeu e acertou o queixo do adversário. Para garantir o nocaute, ele ainda montou em Belfort e acertou mais dois socos devastadores. O campeão dedicou a vitória ao mestre de aiki dô e ator Steven Seagal, que há tempos participa do seu treinamento e, conforme disse, foi o responsável por ensiná-lo esse golpe.

O show de Anderson mostra que o curitibano não só é um dos lutadores mais completos e confiantes que o MMA já viu, mas também o que menos desperdiça golpes. Ele se esquiva com uma flexibilidade incrível, como se de mola fosse feito, e depois encaixa um golpe milimétrico e decisivo. Nada de disparar montes de socos no ar ou de chutes cosméticos, que não causam nenhum problema ao adversário.

Silva tem 13 vitórias e nenhuma derrota no UFC. Simplesmente limpou sua categoria e não há nela mais nenhum adversário que possa causar preocupações a ele. Agora a dúvida que paira sobre seu futuro não é mais sobre falta de motivação ou um possível declínio: é sobre quem enfrentar para encontrar verdadeiros desafios.

Duas opções se colocam imediatamente à frente do brasileiro. Uma é subir de categoria e enfrentar lutadores mais fortes e tarimbados, como Maurício Shogun, Rashad Evans, Quinton Rampage e Lyoto Machida. Outra delas é o sonho de uma multidão de fãs de MMA: enfrentar o canadense George Saint Pierre, que está uma categoria abaixo e é o único a produzir domínio semelhante ao de Anderson. Os dois são considerados os melhores lutadores peso por peso do UFC. O dono do evento, Dana White, já confirmou o interesse. É necessário, no entanto, desembolsar muito dinheiro para convencer o brasileiro a lutar muito abaixo do seu peso natural ou o canadense a lutar acima do seu peso natural.

Quem sabe não veremos no segundo semestre Spider e GSP fazendo o tira-teima no UFC Rio de Janeiro…

Enquanto isso, confira aqui o nocaute de Anderson em Belfort.

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Jornalista, 29 anos. Da última vez que jogou vídeo-game, chovia forte numa acirrada disputa de Enduro.
Twitter: @maia_otavio
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