Steve Prefontaine: um herói olímpico sem medalha

Por @luiz_a_lima

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O que leva um atleta a ser marcante no imaginário popular? Que características garantem a essas poucas pessoas o poder de inspirar e emocionar uma geração?

Vitórias ajudam, é claro. Mas não são tudo. Há um algo mais. Algo no olhar, na maneira de encarar os desafios e de se expressar. Algo que faz você, em algum momento da vida, criar coragem para mudar algo em sua rotina. Ou pelo menos tentar ser alguém mais determinado.

Steve Prefontaine é um clássico exemplo deste poder. Nunca conquistou uma medalha olímpica, tampouco bateu recordes mundiais. Ainda assim, até hoje inspira esportistas (amadores ou não) mundo afora, 37 anos após sua morte. Para muitos, a onda de corredores amadores que começou a varrer os EUA e o mundo a partir dos anos 70 não teria a mesma força sem ele.

O visual ajudava. Cabelos revoltos, costeletas e bigode, Prefontaine poderia ser confundido com um rockstar. Mas o principal era a postura. “Pre” (como a legião de fãs o chamava) não corria seguindo táticas ou respeitando limites. Corria para vencer a si próprio. “Gosto de deixar toda a sujeira para trás, nas pernas dos meus adversários.”

Hoje (quarta-feira), no estádio Olímpico de Londres, começam as eliminatórias dos 5.000 metros, a prova que consolidou Prefontaine entre as lendas do esporte. Nos Jogos de Munique-1972, o americano, que tinha apenas 21 anos, adotou sua estratégia corajosa, louca, e transformou aquela edição dos 5.000 m em um dos momentos mais marcantes da história olímpica.

Veja os últimos momentos da lendária prova dos 5.000 m em Munique-72

Com o queixo erguido e os olhos desafiando o vento em plena Olimpíada, Pre Liderou, ficou para trás, voltou a liderar. Fez um final de prova marcante, espetacular. Mas perdeu o gás no final. Segundo… Terceiro e, nos últimos metros, quarto lugar.

Claro que a decepção foi enorme. Mas Prefontaine não era de desistir. Tampouco seu técnico, o lendário Bill Bowerman, que comandava a lendária equipe de corredores da Universidade do Oregon enquanto criava tênis mais leves e confortáveis.

Bowerman, amigos, foi um dos fundadores da… Nike. E Prefontaine uma das primeiras cobaias de seus tênis, cujas solas chegaram a ser feitas nas formas de waffles da esposa do treinador.

Veja um comercial da Nike em homenagem a Steve Prefontaine

No meio dos anos 70, Pre vivia o auge de sua forma. Em 1974, cravara os melhores tempos de sua carreira nos 5.000 m e 10.000 m. Pintava como um dos astros da delegação dos EUA nos Jogos de Montreal 76.

Porém, em maio de 1975, após vencer mais uma de suas inúmeras provas pela Universidade do Oregon, participou de uma festa em comemoração à vitória. Ao voltar para casa, capotou seu carro conversível e não resistiu. Tinha 24 anos.

Hoje, Galen Rupp (que já tem a prata dos 10.000 m) é uma das principais esperanças de medalha para os EUA nos 5.000m. Correndo pela mesma Universidade do Oregon, ele bateu um recorde de 40 anos na seletiva americana para a prova. Recorde que era de Prefontaine, estabelecido em 1972.

(Há no cinema dois bons filmes sobre Steve Prefontaine. “Prefontaine”, de 1997, tem Jared Leto impressionante no papel principal. Já em “Prova de Fogo” (1998), Billy Crudup também brilha ao interpretar o corredor, mas é Donald Sutherland quem abrilhanta o filme no papel de Bill Bowerman).

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Jornalista, 37 anos. Já teve a ilusão de que seria um Dustin Hoffman. Hoje está feliz como um Cigano Igor.
Twitter: @luiz_a_lima
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Um palpite

  1. Cara, que demais isso! Nao sabia de nada, obrigado!

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