Um Corinthians europeu para reinar na América do Sul

Por @maia_otavio

Dizem que Luis Inácio Lula da Silva só reverteu seu histórico de fracassos eleitorais quando renunciou às ideias que sempre defendeu e adotou um programa político mais ortodoxo.

É mais ou menos assim, com uma mudança de identidade e princípios, que vejo o Corinthians construir sua bem-sucedida trajetória na Libertadores em 2012.

Historicamente, o alvinegro sempre teve uma cara própria: times que se baseiam no calor, no ímpeto, na emoção, intuição e velocidade. Combinação clássica de muita raça e algum talento.

Foi desse jeito que o clube conquistou todas as suas glórias e que amargou todos os seus fracassos na Libertadores.

O time de Tite, no entanto, mostra cara e conteúdo diferentes desse perfil – e coincidentemente ou não tem a melhor chance da história do clube de triunfar na competição sul-americana.

Esse Corinthians não tem nada de caloroso, emotivo ou contagiante. É frio, quase gelado. É paciente, bem posicionado, maduro, cadenciado.

Adjetivos pouco comuns no Parque São Jorge, mas que tem servido como uma luva no propósito de acabar com o tabu.

Desse jeito – chato e eficiente – o time ontem foi capaz de dominar nas horas certas um elenco com estrelas muito mais talentosas e vibrantes, como Neymar e Ganso, e um futebol muito mais agudo, insinuante e brasileiro.

A não ser pelas expulsões que Emerson e Jorge Henrique têm protagonizado, o Corinthians é hoje um time com postura mais europeia do que brasileira.

Curiosa estratégia para quem quer ser justamente o rei sul-americano.

Mas não dá para negar que é dessa forma que o time de Tite tem se diferenciado – não só da história do próprio Corinthians, mas de todos os seus rivais locais.

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Jornalista, 29 anos. Da última vez que jogou vídeo-game, chovia forte numa acirrada disputa de Enduro.
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6 Palpites

  1. Isa

    É legal saber sobre a visão que os outros tem de nós, positiva ou negativa, apenas a visão do que é de fato.

    Acho que vc tem razão, mas em partes. O time de ontem é uma consequência deste campeonato, que trouxe serenidade pra seguir. E um reflexo exato de seu treinador. Mas nem sempre foi assim, a maturidade e a paciência vieram agora, nas etapas finais, depois de muito calejar e procurar e encontrar finalmente uma estratégia.

    Eu sempre disse que o problema do Corinthians com a Libertadores era meramente psicológico. Hoje eles provam que eu estava certa, espero que continue assim.

    Boa comparação com Lula, que tbm é corinthiano.

    =)

  2. Bruno Camargo

    insinuante? qual parte? aquela do contra-ataque? ou o do chuveirinho?
    Acho que deve ser a parte do bico para frente e se deus quiser o atacante ganha a disputa.

    RES: Pode ser a do Neymar indo para cima do adversário, a do Ganso fazendo lançamentos em profundidade, Arouca chegando de surpresa em velocidade… E o Santos do Muricy dá cada vez menos chutão.

  3. Este time do Corinthians me lembra bastante o São Paulo de 2005. Mas com uma defesa melhor, e um ataque pior.

  4. Concordo bastante com o texto. E também com o comentário do Chicão, que tem como belo exemplo o jogo River Plate 2 x 3 São Paulo, pela semifinal de 2005. Abraços.

  5. Texto coberto de razão, ainda que a frase do título beire o surreal – mesmo que estejamos diante dessa possibilidade como nunca antes.

  6. Kaio CE

    Pronto. Agora tudo que dá certo é europeu. O q não, é brasileiro.

    O futebol do Corinthians é empolgante sim, emocionante e não perdeu o “sofrimento” peculiar.

    Quanto à comparação com Lula, foi de extrema infelicidade. O ex-presidente mudou mesmo sua postura para ser eleito. Na verdade, Duda Mendonça o fez mudar a forma do discurso, as roupas, o jeito de falar sem franzir o sobrolho. Enfim, “melhorou” sua imagem diante das câmeras e do Brasil. Logo, a mudança foi estética. Nada a ver com princípios.

    Mas tal mudança só se fez necessária porque o povo brasileiro não conseguia enxergar em um Lula de macacão de operário ele próprio. E se enxergava de fato, não acreditava em si mesmo.

    E hoje, essa incapacidade de se dar valor parece que acontece no futebol. Vejo que a maioria dos torcedores não consegue ver no Corinthians o futebol brasileiro dando certo. O estilo pode até lembrar o europeu, mas os jogadores, a comissão técnica, o time, tudo no Corinthians é brasileiro. Repito. BRASILEIRO!

    Abç.

    RES: Querido Caio, o post quis dizer que o estilo calculista é parecido com o europeu e que está funcionando desta vez na Libertadores. Aliás, você mesmo concorda com isso no final do seu comentário. Não está dito que a Europa é melhor do que o Brasil. Não se preocupe quanto a isso, sou um fervoroso torcedor da Seleção e deste País como um todo. Não atribua a nós algum complexo de vira-lata que você viu em outros lugares. No mais, me perdoe, mas eu cresci dentro do PT e vi o Lula mudar completamente sua proposta de governo em 2002 por meio da carta ao povo brasileiro. A parte estética foi complementar, mas ele adotou um estilo pragmático que antes não tinha, como se vê nas alianças, no projeto econômico, em tudo. E nem estou fazendo juízo de valor para dizer se era melhor antes antes ou depois.

    Abs.

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