Um torcedor a caminho da Mongólia

“Se o Corinthians ganhar a Libertadores, vou morar no interior da Mongólia.”

Ele sempre se perguntava para quem torcia mais, se para seu time do coração ou para o time que jogava contra o Corinthians. Disse a frase depois que o rival foi eliminado pelo Flamengo em pleno Pacaembu, na Libertadores de 2010.

No ano seguinte, a tragédia foi maior ainda. Talvez apenas equivalente às duas eliminações para o Palmeiras, em 1999 e 2000. O Corinthians foi humilhado ao cair ainda na fase preliminar. E ele adotou o irrelevante Tolima como se fosse seu, agradecido que ficou por impedir que o rival sequer avançasse à fase de grupos.

Mas Tite, de quem a torcida pediu a cabeça em uma bandeja depois da queda contra os colombianos, foi mantido. Montou um time sem estrelas, “descobriu” em Paulinho um jogador brilhante e deu ao Corinthians a cara da Libertadores. Pela primeira vez os caras tinham um time com jeito de campeão. “Ai.”

Torceu pelo Emelec, sem grande esperança. Torceu muito pelo Vasco, xingou Diego Souza – um hábito que já havia perdido – colocou as mãos na cabeça quando Paulinho fez o épico gol da classificação às semifinais. Acreditou que Neymar daria conta, mas Neymar sumiu, deixou o futebol escondido em algum lugar e fez 180 minutos apagados. O Santos, poderoso Santos, nem arranhou o Corinthians.

Fodeu. Não, ainda não. Ainda há o Boca. E o Boca é sempre o Boca, como cansaram de falar os comentaristas preguiçosos que não têm nada de concreto para falar do time. Uma equipe dona de seis títulos, com um craque no meio de campo, acostumada a massacrar brasileiros. Era a esperança de um torcedor que acreditava que aquele dia jamais chegaria.

Gol do Boca. “É isso, é a derrota que faltava. Só não perderam na final e será dessa vez.” Campeão invicto seria demais. Mas aí Romarinho, o predestinado, o maldito que fizera dois golaços contra o Palmeiras, deu seu primeiro toque na bola em um jogo de Libertadores. E empatou a partida. Como se estivesse num campo de várzea, e não na Bombonera. A mítica Bombonera.

Só falta um. Um jogo para acabar a graça do futebol para aquele sujeito que não sabe se ama mais o seu time ou qualquer um que enfrentar o Corinthians. “Se jogar Corinthians e Cachorro Futebol Clube, vou pra arquibancada latir”, dizia ele. Depois da partida em La Bombonera, mandou e-mail para o amigo para quem disse a frase que abre este post.

“Conhece alguma boa imobiliária na Mongólia?”

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Jornalista e tocador de guitarra, 35 anos. Assume que gosta de Bee Gees sem sentir vergonha.
Twitter: @estadodecirco
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3 Palpites

  1. A Mongólia é logo ali, já diria o Fernando Vanucci!

  2. Rodrigo Miyashiro

    É uma delicia ler um texto destes. E se o Corinthians ganhar esta Libertadores, vai ser lindo demais, toda uma história construida, superação, mito quebrado, gol aos 45 minutos do segunto tempo, ganhar da estrela Neymar. Tomara que este ano tenha um final feliz, realmente ESPERO.

  3. Genghis Khan

    Bem vindo a Ulan Bator!

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